José Madeira: “não é expectável um “mega-tsunami”, mas não se pode calcular a probabilidade de um deslizamento

8/10/2015 07:54 - Modificado em 8/10/2015 07:54
| Comentários fechados em José Madeira: “não é expectável um “mega-tsunami”, mas não se pode calcular a probabilidade de um deslizamento

jose madeiraJosé Madeira, co-autor do estudo que prova a ocorrência de um “mega-tsunami” que atingiu há cerca de 73 mil anos a ilha de Santiago em Cabo Verde, assegura que não é expectável um evento desse tipo que é extremamente raro à escala humana e que não está previsto qualquer acontecimento deste tipo num futuro mais ou menos próximo na ilha do Fogo.

José Madeira, Geólogo e professor na Universidade de Lisboa, diz que não se pode calcular a probabilidade de um deslizamento da ilha do Fogo provocado por uma erupção do vulcão e justifica que “a vertente oriental é extremamente íngreme, mas não há qualquer indício de instabilidade que sugira um futuro deslizamento”. De acordo com o estudo, estes fenómenos têm uma frequência muito baixa, da ordem das dezenas ou centenas de milhares de anos. Estes intervalos podem ser curtos na escala geológica mas são, evidentemente, muito grandes na escala humana. Por isso, José Madeira realça que “nem sempre estes colapsos produzirão tsunamis destas dimensões e, o que o nosso estudo confirma, é que alguns casos correspondem a deslocamentos muito rápidos de enormes volumes de rocha que deslocam volumes equivalentes de água, desencadeando grandes tsunamis”.

Os geólogos José Madeira e Bruno Faria estão de acordo em várias questões sobre o estudo e ambos revelam que a monitorização do vulcão do Fogo é imprescindível como forma de detectar alguma deformação e concordam que nas erupções anteriores dos anos 1951, 1995 e 2014 não se observaram quaisquer evidências de instabilidade. Por outro lado, o co-autor do estudo esclarece que “um colapso de flanco não tem necessariamente que estar associado a uma erupção, tal como uma erupção não induz necessariamente instabilidade. Conhecem-se casos específicos em que isso aconteceu (erupção do Monte de Santa Helena em 1980, por ex.), mas na maioria das muitas dezenas de erupções que ocorrem anualmente em todo o mundo, são extremamente raros os casos em que tal acontece”.

José Madeira afirma que “nenhum fenómeno geológico perigoso, seja um deslizamento, um sismo ou uma erupção, pode ser evitado. O que se pode fazer é tomar medidas preventivas de modo a minimizar as consequências de um evento desse tipo, nomeadamente, reduzir ou evitar a perda de vidas humanas” e acrescenta que para aumentar a capacidade de resiliência de uma população aos riscos geológicos numa qualquer região, são necessários três pilares básicos: um sistema de monitorização adequado tanto em meios materiais como humanos – no caso dos perigos associados aos sistemas vulcânicos activos, isso implica conhecer o estado normal do sistema activo de modo a poder-se reconhecer quando é que o sistema apresenta sinais que indicam um afastamento do estado de repouso; um planeamento atempado de como reagir caso se preveja a ocorrência de um evento vulcânico; programas de educação frequentes da população residente nas áreas de risco – um conhecimento por parte da população sobre os perigos a que está sujeita dá-lhe a possibilidade de reconhecer os sinais e reagirá melhor em caso de suceder um evento e exemplifica “o caso da menina inglesa que compreendeu a iminência de um tsunami atingir o litoral ao ver o mar recuar subitamente durante o tsunami desencadeado pelo sismo de Samatra. A criança tinha acabado de aprender na escola o que era um tsunami e quais os sinais que indicavam a chegada de uma onda; muitas pessoas na região afectada foram vitimadas por desconhecerem esses sinais”.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.