São Vicente: Pais receosos com a experiência do bilinguismo no ensino básico

28/09/2015 07:33 - Modificado em 28/09/2015 07:33

bilinguismoO bilinguismo no Ensino Básico em Cabo Verde está a torna-se uma realidade. Em Santiago já existem turmas experimentais e agora é a vez de São Vicente. A Escola António Aurélio Gonçalves e a de Chã de Cemitério foram as seleccionadas para integrar esse projecto e já receberam orientações para as turmas bilingues, o que acontece pela  primeira vez no Mindelo.

Na abertura do ano lectivo, os gestores das escolas seleccionadas abordaram os encarregados de educação sobre a possibilidade da instituição das turmas bilingue a título experimental numa   turma da 1ª classe. A língua materna e a oficial devem ter o mesmo tempo de leccionação, ou seja, 50% cada. Contudo, o NN sabe que a Delegação do Ministério da Educação e Desporto (MED) em São Vicente deverá reunir-se com os pais e encarregados de educação em princípios de Outubro antes da integração dos alunos nas turmas experimentais para averiguar se os mesmos concordam que os filhos e educandos façam parte dessas turmas. O NN sabe que os professores escolhidos já tiveram formação neste sentido e que desde o ano passado, já tinham conhecimento que iriam fazer parte deste projecto de integração do bilinguismo.

Alguns encarregados de educação contactados sobre o bilinguismo no Ensino Básico, adiantam que não é uma boa ideia, uma vez que se coloca a questão de qual vertente do crioulo será leccionado e mostram-se preocupados com esta possibilidade, porque há o receio da criança não aprender bem o português, uma vez que ela fala crioulo na maior parte do tempo. Uma mãe acrescenta ainda que “50% português e 50% crioulo fará com que o português continue a ser mal escrito e mal falado, porque a criança fala crioulo em casa, nos intervalos e até na sala de aulas com os colegas, assim, o português ficará em desvantagem e o crioulo ficará com a maior parte da percentagem o que o eleva para uns 70%, isto até que o português desapareça”. Porém, o 1º Ministro José Maria Neves, numa entrevista ao Expresso das Ilhas diz que “isso não é um problema, mas sim uma riqueza que dá força e une os cabo-verdianos, entendendo que cada um deve ensinar de acordo com a variante que é competente”.

O Delegado do MED, Anildo Monteiro, questionado sobre esta orientação para a experiência do bilinguismo em São Vicente pelo menos com duas turmas nas escolas já mencionadas, responde que “teremos de falar com os pais primeiro e informar-lhes e, só após essa medida, é que poderemos dar esclarecimentos”. Mas um encarregado de educação pede que não seja uma decisão unilateral do MED e sem consultar os pais, como foi feito com a alteração do horário na escola António Aurélio Gonçalves.

Outros esclarecimentos ficarão a aguardar resposta a um e-mail enviado ao Ministério da Educação e Desporto.

  1. Agora é que são elas, os nossos meninos vão ficar mais atrazados no Português, a nossa lingua oficial. Eu não aprovo esta medida.

  2. Jose Carlos

    Badiu cre colonozina nos de tud forma agora ess cre pa no fa ses lingua…NUNCA! Pais e encarregados de educaçao, no uni no sai pa rua…ess ca pode obriga nos fala ses lingua.

  3. Francisco andrade

    Estou contigo Sr José Carlos. O problema é que o mindelense manda “bocas” e na hora de sair a rua..fica sentado em casa ou nos bares…. Agradeço ao NN por informar ao público sobre esta questão de bilinguismo

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