Papa contra a pena de morte e todo o tipo de fundamentalismos

25/09/2015 09:24 - Modificado em 25/09/2015 09:24
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papaFrancisco pediu ao Congresso para rejeitar a “atitude de hostilidade” para com a imigração. Insistiu em temas que desagradam aos conservadores, mas tranquilizou-os sobre questões como a família e o aborto.

Perante uma audiência em que a maioria defende o contrário, o Papa Francisco reafirmou esta quinta-feira, no Congresso dos Estados Unidos, a sua oposição à pena da morte. Muitos dos assuntos de que falou são incómodos para a maioria republicana, mas o líder católico não deixou de invocar aspectos da doutrina caros aos conservadores.

Num discurso histórico – desde logo porque foi a primeira vez que um Papa se dirigiu às duas câmaras do Congresso num muito aguardado momento do segundo dia da sua visita aos Estados Unidos – Francisco abordou temas delicados no contexto político norte-americano e apelou à vigilância contra “todo o tipo de fundamentalismo”, religioso ou outro, e à garantia de que a luta contra os extremismos não deve ser feita em detrimento das liberdades individuais.

Francisco lembrou a “regra de ouro” de “fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós” e partiu daí para, em poucas palavras, reafirmar a sua oposição à pena de morte.

Aquela regra, disse, “recorda-nos a nossa responsabilidade de proteger e de defender a vida humana em cada etapa do seu desenvolvimento”. “Esta convicção conduziu-me, desde o início do meu ministério, a defender, a diferentes níveis, a causa da abolição total da pena de morte”, sublinhou.

A referência à protecção da vida humana em “cada etapa do seu desenvolvimento” traduz a também conhecida oposição da Igreja Católica ao aborto e à eutanásia e foi ao encontro das posições dos legisladores conservadores, a quem Francisco parece não ter querido hostilizar directamente.

Ainda que não tenha feito afirmações como as que fez noutras ocasiões, de oposição ao capitalismo selvagem, não deixou, num Congresso que o recebeu com prolongados aplausos, de falar de assuntos que desagradam à maioria republicana – da necessidade de lutar contra as alterações climáticas, que já referira na véspera, na Casa Branca, à imigração.

Voltou a defender a necessidade de “inverter os efeitos mais graves da deterioração ambiental causada pela actividade humana” e – lembrando que a América é uma terra de imigrantes –  pediu para que seja rejeitada a “atitude de hostilidade” para com as pessoas que se deslocam para tentarem melhorar as suas vidas e as das suas famílias. “Precisamos evitar a tentação, comum hoje em dia, de descartar qualquer coisa que se revele problemática.”

O Papa lembrou também que os direitos dos nativos americanos, “aqueles que cá estavam muito antes de nós”, “nem sempre foram respeitados” e apelou a que não sejam repetidos “pecados e erros” do passado.

A actual crise dos refugiados foi descrita como um desafio de uma dimensão sem precedentes desde a II Guerra Mundial. Francisco pediu que sejam tratados de modo “sempre humano, justo e fraternal”.

Sem que os tivesse nomeado explicitamente, o líder da Igreja Católica expressou satisfação pelos avanços no diálogo dos Estados Unidos com Cuba e o Irão. “Queria reconhecer os esforços realizados ao longo dos últimos meses para ajudar a ultrapassar as diferenças históricas ligadas a deploráveis episódios do passado […] Quando países que estiveram em desacordo retomam o caminho do diálogo, um diálogo que poderia ter sido interrompido pelas razões mais legítimas, novas oportunidades se oferecem a todos”.

No alerta que deixou contra o fundamentalismo religioso, o Papa não esqueceu a  sua igreja. “Sabemos que nenhuma religião está isenta de formas de ilusão individual ou de extremismo ideológico”, disse.

O líder católico entende que é preciso “prestar especial atenção a todo o tipo de fundamentalismo, seja religioso ou de qualquer outro tipo”, e “é necessário um equilíbrio delicado para combater a violência perpetrada em nome de uma religião, de um ideologia ou de um sistema económico, salvaguardando ao mesmo tempo as liberdades individuais”.

“Há uma outra tentação contra a qual devemos estar de sobreaviso: o reducionismo simplista que vê apenas o bem ou o mal; ou, se quiserem, os justos e os pecadores”, disse.

A família mereceu igualmente a atenção do convidado do Congresso. “Não posso esconder a minha preocupação pela família, que está ameaçada, talvez como nunca antes, do seu interior como do exterior. As relações fundamentais, como o casamento e a família, estão em vias de ser postas em causa. Só posso lembrar a sua importância e, acima de tudo, a riqueza e a beleza da vida familiar.

O Papa, que  partiu mais tarde para Nova Iorque, onde se deslocará à sede das Nações Unidas, terminou o seu discurso com um típico, e bem do agrado dos norte-americanos, God bless America!

Público.pt

 

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