Vendedeiras não são contra os bons hábitos alimentares, mas pedem alternativas

24/09/2015 08:12 - Modificado em 24/09/2015 08:12
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vendedeirasAs vendedeiras que se encontram à porta das escolas a vender produtos alimentícios como doces, gelados, rebuçados e várias outras guloseimas, vão ser obrigadas a afastarem-se das redondezas das escolas, o seu maior ponto de venda. O Governo entendeu que para incutir bons hábitos alimentares, sobretudo nas crianças, é necessário proibir a venda de produtos junto das escolas. As mulheres chefes de famílias dizem não estarem contra os bons hábitos alimentares, mas é necessário criar condições para que as mesmas não sejam prejudicadas, pois é através da venda que conseguem o sustento das suas famílias.

Após duas semanas do início das aulas, as mulheres vendedeiras regressaram às portas das escolas e dos liceus para venderem os seus produtos. As escolas são o ponto de venda dessas mulheres e homens que, por falta de opção, resolveram comercializar produtos alimentícios como drops, chupetas, donetes, bolos, pastéis e outras guloseimas, considerados pouco saudáveis devido ao seu fraco valor nutritivo.

A nossa redacção fez uma passagem por várias escolas do Ensino Básico e Secundário e o cenário é o mesmo. Mulheres, homens e até crianças estão às portas das escolas com os seus “balaios”, tigelas, malas térmicas, à procura do sustento para as suas famílias.

As pessoas que se encontram à porta das escolas e dos liceus nas suas actividades habituais dizem não estar contra os bons hábitos alimentares, por outro lado, não podem deixar de vender os seus produtos que são uma forma que encontraram para ganharem o sustento dos filhos. Assim sendo, apelam por soluções alternativas.

Lúcia Pereira e Margarida encontram-se diariamente à porta do Liceu Ludgero Lima. A labuta começa bem cedo e é assim que tem de ser. Há cinco anos que Lúcia, mãe de três filhos órfãos, se dirige à escola para procurar o seu ganha-pão. É da venda que sai o dinheiro para as propinas, materiais escolares e também para as refeições.

Para a entrevistada, a medida de proibição da venda nas portas das escolas não condiz com a realidade das vendedeiras pois trata-se de um meio de sustento de forma digna. Com 53 três anos, Lúcia diz ser difícil encontrar um emprego, por isso, apela por condições alternativas como uma formação para as vendedeiras no sentido de estarem melhor capacitadas para a confecção de um produto de maior qualidade.

Conhecer e saber confeccionar produtos alimentares que contribuem para melhorar a saúde alimentar é o que as vendedeiras propõem às autoridades.

Na escola primária Humberto Duarte Fonseca, encontramo-nos com a Cidália, uma jovem que por falta de emprego resolveu confeccionar pastéis para a venda. A jovem de 26 anos acredita que é necessário adoptar hábitos alimentares saudáveis, mas também considera que a situação não se resolve com o afastamento das vendedeiras, pois até mesmo nas cantinas das escolas os alunos não estão isentos de serem contaminados através dos alimentos.

Ainda na Escola Secundária Jorge Barbosa, as vendedeiras dizem que vender nas portas das escolas não se trata de uma opção, mas sim de uma oportunidade de poder dar de comer aos filhos.

O regime jurídico de alimentação e saúde escolar proíbe a venda de alimentos não nutritivos nas proximidades das escolas num raio de 200 metros. O mesmo foi aprovado em Conselho de Ministros em Janeiro do corrente ano. Para as pessoas que vendem nas escolas, a medida deve ser revista, pois é preciso pensar no sustento das famílias que dependem dessa actividade para sobreviverem.

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