São Vicente: Apenas dois dos 54 trabalhadores da RTC aderiam a manifestação

18/09/2015 07:33 - Modificado em 18/09/2015 07:33

DCIM100MEDIA

Os trabalhadores da RTC – São Vicente reuniram-se no dia 16 para reflectirem sobre assuntos tratados durante a assembleia-geral de trabalhadores da RTC, na Cidade da Praia, apoiada pela Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) e pelo Sindicato de Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITHUR). Dos pontos constavam a adesão à manifestação realizada no dia 17, o apoio à luta desencadeada pelos trabalhadores para a resolução dos problemas laborais espelhados no caderno reivindicativo apresentado ao conselho de administração da RTC, resultante da assembleia-geral, a análise da forma como o processo foi conduzido sem o devido envolvimento dos trabalhadores da ilha de São Vicente.

Na reunião estiveram presentes apenas 13 trabalhadores, mais um da Inforpress, dos 54 que trabalham na RTC no Mindelo. Após debate e discussão, foram colocadas à votação três propostas a saber:

a) Participar na manifestação em São Vicente
b) Apoiar a iniciativa dos colegas da Cidade da Praia, mas censurando a forma como os trabalhadores de São Vicente foram colocados à margem e exigir a integração de três elementos na comissão de trabalhadores
c) Não tomar nenhuma decisão porque os trabalhadores da RTC Mindelo foram colocados à margem do processo

Dez dos catorze presentes votaram na proposta B, dois na proposta A e dois na C. Durante o debate, surgiu a argumentação que “não fazia sentido apoiar uma manifestação e não participar nela”. Embora a maioria dos presentes na reunião não tenha decido pela manifestação, os dois trabalhadores que votaram a favor da realização e participação na manifestação, optaram por se manifestarem à entrada do edifício da RCV no Mindelo

O jornalista José Leite foi um dos dois trabalhadores da RTC que aderiu à manifestação e esteve à frente das instalações da RCV durante a tarde do dia 17. Explica o que o levou a manifestar. “Estou informado e acompanhei o processo e sou livre de escolher o que quero fazer e estou aqui, somos dois, mas é uma causa justa. A AJOC fez uma série de reivindicações que foram apresentadas à DGT, em 2012, e ao Conselho de Administração em 2014 e 2015, e o Conselho de Administração RTC ainda não se posicionou”.

Leite compreende a importância da criação da Comissão de Trabalhadores porque, principalmente, «a AJOC não representa todos os trabalhadores da empresa, mas apenas jornalistas e equiparados e estes não são nem metade dos trabalhadores da empresa. Acredito que outros trabalhadores, para além dos jornalistas e equiparados, desejem ver os seus direitos observados antes da fusão entre a RTC e a Inforpress, que originará a criação de uma nova empresa, a RTCI.»

Das reivindicações que o levaram a manifestar em frente da empresa, José Leite, em sintonia com a comissão de trabalhadores, com a AJOC e com o SITTHUR, defende que as progressões, as promoções e a integração na carreira dos jornalistas que há muito aguardam, devem ser feitas antes da fusão. Isto porque no seu entender, “vai ser criada uma nova empresa e depois a resolução deste problema que se arrasta há quase seis anos, pode ser mais complicada”.

José Leite estranha o silêncio por parte do Conselho de Administração da empresa em todo este processo, “quanto mais não fosse porque o próprio PCA, em declarações à RCV, faz de conta que não sabe de nada. E isso é preocupante porque já teve tempo mais do que suficiente para ter dado uma resposta, pelo menos à AJOC, com quem esteve reunido no dia 23 de Fevereiro de 2015. Ou seja, há sete meses. Existe uma acta desse encontro entre a AJOC e o PCA da RTC. Por isso, fica difícil ao PCA da RTC, desmentir o que quer que seja. Talvez por isso tenha preferido ficar em silêncio, até à manhã da manifestação e tenha falado só nesse dia para tentar desmobilizar os trabalhadores…”

  1. antónio dos santos

    Dá para reflectir! Dos 54, 2 disseram sim. Os outros lá tiveram as suas razões para não estarem presentes. Essa é uma classe que tem um papel e uma função importantes no nosso sistema e encarregada de manter acesa o debate das questões mais candentes da nossa sociedade e da nossa comunidade em particular, que exibe, com esse comportamento, ao mundo caboverdiano até onde a Democracia e a informação podem contar com eles. Será isso o reflexo da degradação de valores que perdemos todos os dias e todos os anos?

  2. Fernando Fortes

    Deixa esses dois Totós aí de pé sozinhos.

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