Ribeira Bote: de zona libertada ao turismo de comunidade, sem esquecer o Pintcha Andor

10/09/2015 07:50 - Modificado em 10/09/2015 08:02
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sonvelaMês de Setembro é considerado o “mês de Ribeira Bote”, isto para relembrar o ano de 1974, um ano antes da independência do país, em que os moradores da zona enfrentaram militares portugueses que quiseram invadir a zona, porque estes autodenominavam de “Zona Libertada”.

O ponto alto das comemorações do  acontece no dia 23 de Setembro, com a realização da terceira edição do festival Musical Morna Jazz.

Daí para cá ter uma ideia das transformações operadas na zona o NN foi ouvir alguns moradores sobre como se encontra actualmente uma das zonas mais históricas de São Vicente, com uma população maioritariamente jovem e que enfrenta diversos problemas de ordem social, mas que vêem nele um misto de orgulho e adoração.

Situado na periferia , perto do centro da cidade do Mindelo, Ribeira Bote é uma comunidade cheia de história, sendo a primeira zona libertada de Cabo Verde e também o local onde começou a revolução do capitão Ambrósio. É também um local de artistas, tanto a nível musical como da arte, berço de grandes profissionais de futebol, ténis e ainda os famosos mandingas, que saem pelas ruas do Mindelo na altura do carnaval a anunciar a chegada da festa do rei momo, entre outros.

Conhecida também recentemente como a primeira zona a abraçar o projecto turismo comunitário com o objectivo de dar a conhecer a realidade da ilha.

Ou também como se orgulham do famoso “Hamburgof”, do Bar Sereia, que fica na entrada da Ilha da Madeira, ao lado do centro de desenvolvimento pisco social. De todos os cantos da ilha vem pessoas a procura do “Hamburgof”, que é uma mistura de hamburger, ovo, chouriço, batata, croquete, tomate, alface e com um molho a condizer.
Para conhecer um pouco da zona, o NN conversou com alguns jovens que avaliaram a evolução da zona sob as suas perspectivas. Mário avança que anteriormente as pessoas tinham, e alguns ainda têm, medo de andar na zona, porque segundo estes “as pessoas encaram-nos de uma forma assustadora”. Mário explica que isto é normal “porque é a primeira vez que vêm esta pessoa e ficam curiosos, mas é algo passageiro, e também não é só isso antes também bastava dizer que era-mos de Ribeira Bote, que as pessoas assustavam e hoje até temos turistas a passear pela zona, graças ao projecto de turismo comunitário da zona, foi possível mudar e muito a mentalidade das pessoas”.

Além do turismo a Ilha da Madeira, Ribeira Bote também abraçou outro projecto, o Sonvela Art, de Freddy Gomes, cujo objectivo é de dar uma cara nova a algumas ruas da zona, com pinturas, grafittis e também melhorar algumas residências, para que estes tenham uma habitação mais condigna.

“Pintcha Andor”

Um elemento do grupo da zona denominado de “Pintcha Andor”, diz que não são “gangue” como afirma a polícia  e refuta grande parte das acusações de que o grupo é um dos responsáveis por uma boa parte da desordem pública da zona, assegurando que dentro da zona “não perturbamos ninguém, apenas defendemos os nossos , caso alguém tentar abusar”  deles, mas fora da zona, porque aqui é o nosso refugio”, garante.

Apesar do desemprego e de outros problemas sociais, como a violência , a zona conseguiu avançar no tempo e é o orgulho dos moradores que têm assistido a sua evolução e acreditam que com fé, trabalho e força de vontade da população e das autoridades competentes conseguem muito mais.

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