Campos de terra batida: “Não são os melhores campos de Cabo Verde, mas são nossos”

9/09/2015 08:28 - Modificado em 9/09/2015 08:28
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campo terraOs campos de terra batida não desapareceram com a chegada dos campos de relva sintética que, aos poucos, foram chegando aos bairros mais populosos de São Vicente. Pelo contrário, esses campos vieram, em muitos casos, retirar o espaço que os jogadores da zona tinham para jogar. Visto que foram murados e passaram a ter um guarda e deixaram de estar à disposição de “quem puder para jogar”. Assim, os “craques” sem acesso ao relvado descobriram novos campos de terra batida onde joga quem quer e quando quer.

Não são estruturados, não são relvados, mas isso não tem muita importância para esses “profissionais” dos bairros que vêm nos seus novos campos um Estádio da Luz ou Bernabeu onde passam o tempo, canalizam as próprias energias, convivem com os amigos: são felizes.

Estes campos não têm nome. São chamados de campos de terra. Uns estão bem situados, como é o caso dos campos da Zona de Vila Nova e Lombo Tanque outros, situados em ribeiras entre os “diques”, como na Ribeirinha, mas todos têm a sua história.

As equipas são formadas entre grupos, maltas, zonas e têm como objectivo mostrar quem são os melhores e os campos de terra são uma óptima forma de resolver esta rivalidade que é de uma forma ou outra saudável.

Em entrevista a alguns jovens das zonas sobre a forma como encaram estes espaços, muitos mostram-se orgulhosos daquilo que têm. “Não são os melhores campos de Cabo Verde, mas são nossos e estão aqui desde que somos crianças”.

Paulo Neves, morador na zona de Ribeira diz que desde criança que estão acostumados com o “campo” que fica em frente à sua casa e conta que em criança, como muitos já fizeram, colocavam duas pedras como baliza e jogavam e, actualmente, as balizas foram colocadas, porque com muito esforço, conseguiram que a Câmara as colocasse ali.

“Deste há muito tínhamos vindo a tentar sem sucesso que a CMSV apoiasse a associação da zona com o objectivo de colocar as balizas para que pudéssemos jogar da melhor forma possível” e acrescenta ainda que na época das chuvas ficam muito danificadas, mas com a ajuda da CM e dos jovens que costumam utilizar o campo, conseguem voltar a deixá-lo em bom estado.

Questionado sobre o futuro do “campo”, Freddy diz que gostaria de vê-lo transformado num bom campo de futebol, com relvado para que as crianças, jovens e adultos pudessem aproveitá-lo da melhor forma possível.

Por outro lado, outro jovem residente da zona defende que um campo de futebol não é o mais importante da zona, mas sim trabalhar numa estratégia de criação de empregos para os jovens que, sem trabalho, rumam para caminhos menos legais e trazendo problemas não só para si, mas para a zona que fica conhecida como problemática.

O facto é que com ou sem um campo estruturado, os campos recebem no Verão muitos jovens que, nos fins-de-semana, principalmente nas férias, organizam os torneios Inter-zonas e entre equipas da zona e costumam arrastar dezenas de pessoas para estes convívios sobre a terra batida.

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