António Silva o mais antigo nadador salva-vidas de São Vicente

25/08/2015 09:13 - Modificado em 25/08/2015 09:13
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hom ao nadador salvadorTem quarenta e sete anos de idade e vinte e dois como nadador salva-vidas. Diz ser o mais antigo profissional ainda em serviço na praia da Laginha.

O nadador-salvador deve ser alguém capaz de reconhecer todos os perigos no mar e é o teu único amigo numa situação de emergência.

António Silva nasceu em 1967 e desde criança que a sua vida gira em redor do mar. Silva afirma que escolheu ser nadador como profissão porque não estava muito voltado para a escola e tendo praticamente crescido na praia da Matiota, desde sempre trabalhava como salva-vidas e fazia-o de forma voluntária. “Era a nossa vocação”.

Profissionalmente começou em Maio de 1992, quando foi anunciada uma competição para a escolha de nadadores. “Alinhei na competição onde estavam à procura de 8 nadadores e fui um dos primeiros quatro seleccionados”, assegura de forma orgulhosa.

“Ser nadador-salvador é complicado, porque um homem tem de colocar a sua vida em risco para salvar outra pessoa, e não é fácil. É um compromisso muito sério”, explica António Silva, que acredita que para se ser profissional de qualidade neste ramo é preciso que “o nadador-salvador se entregue de corpo e alma, senão não consegue”.

Para a velha guarda da profissão ainda em exercício nas praias de São Vicente, a profissão de salva-vidas tem diversos aspectos positivos e um deles é a “sensação vitoriosa que sentimos quando resgatamos alguém do mar” porque, para além do perigo, “é uma vida que salvamos”.

Questionado como tem sido esta época balnear, Siva responde que o Verão tem sido complicado, porque são muitas pessoas, chegando às vezes a atingir-se mais de duas mil pessoas e não é fácil para 10 salva-vidas, mas garante que, felizmente, costumam ter alguns voluntários que gostam do mar. “Mas costumamos passar uns bons sufocos, porque 10 salva-vidas na praia da Laginha, dois de manhã e dois de tarde, não é fácil”.

O funcionamento dos salva-vidas na praia da Laginha está dividido por turnos, com dois de manhã e dois de tarde, enquanto que os outros colegas estão de folga.

Para fazer o trabalho, os profissionais estão munidos de prancha, barbatanas, óculos e tubos. “É tudo o que temos, mas só com a prancha e quando queremos socorrer uma pessoa esta já está cansada mas, felizmente, conseguimos chegar bem na hora e outras vezes não tanto”, suspira o veterano.

Para alguém com duas décadas de experiência, são muitas as histórias e avança que poderia até escrever um livro com as histórias da sua vida como salva-vidas. E lembra-se de alguns episódios que costumam acontecer: “muitas vezes encontro-me na rua pessoas que em criança resgatei do mar e que já têm mais de trinta anos e costumam perguntar-me se me lembro do acontecido, mas é difícil porque são muitas histórias”.

“Durante o salvamento a sensação é de bastante adrenalina e bastante perigo também”, enfatiza, porque o resgate pode ser numa zona onde podem aparecer alguns tipos de tubarões e podemos estar ali durante uns trinta minutos e é muito tempo dentro de água”.

“Depois de cada salvamento, a situação é vitoriosa. Muito boa. Os equipamentos são poucos e são uma barbatana, um tubo e óculos. Compro a minha prancha. Gostaríamos de ter um jet ski ou um zodíaco.

António Silva, afirma que nesses vinte e dois anos a situação é indescritível. “É duro e ainda estou cá, mas com a idade a bater à porta, só braçada e pernada já não são suficientes e é preciso algo mais veloz, assim, na hora do salvamento a resposta é mais rápida”.

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