Grécia prepara-se para deportar cerca de 1600 imigrantes

8/08/2012 01:31 - Modificado em 8/08/2012 01:31
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A imigração já era uma questão sensível, e a crise veio inflamá-la. A Grécia prepara-se para deportar cerca de 1600 imigrantes ilegais, depois de cerca de 6000 pessoas terem sido interrogadas durante o fim-de-semana.

 

Nos últimos dias as autoridades gregas aumentaram o número de guardas na fronteira com a Turquia para travar a entrada de imigrantes no país. O ministro da Ordem Pública, Nikos Dendias, defendeu a operação policial que foi realizada durante o fim-de-semana e disse que a situação económica da Grécia não permite “uma invasão de imigrantes”. A imigração, disse, é “uma bomba nos pilares da sociedade e do Estado”.

 

No domingo já foram deportados 88 paquistaneses que estariam na Grécia em situação ilegal, sublinhou a BBC. Só no sábado tinham sido interrogadas 4900 pessoas suspeitas de se encontrarem em situação ilegal, e no dia seguinte outras 1130, segundo a polícia. Ao todo, a operação visou cerca de 6000 pessoas, das quais 1595 seriam imigrantes ilegais.

 

“A menos que criemos uma estrutura adequada para lidar com a imigração, iremos desintegrar-nos”, defendeu Dendias para justificar a operação em que estiveram envolvidos cerca de 2000 polícias em Atenas e outros 2500 na região fronteiriça de Evros, no Nordeste do país, um ponto de passagem habitual para imigrantes que chegam da Turquia.

 

Nikos Dendias considerou mesmo que a questão da imigração “é talvez mais importante do que o problema financeiro”. O líder dos socialistas do PASOK, Evangalos Venizalos, que integra a coligação governamental, assumiu uma posição mais moderada ao defender que a lei deveria ser aplicada em Atenas mas que a questão não deveria ser transferida para outras cidades do Norte do país, adiantou a AFP.

 

Grande parte dos imigrantes em situação ilegal interrogados foram transferidos para centros de retenção em Thrace, também na fronteira entre a Grécia e a Turquia. O objectivo é agora “reconduzi-los para o seu país de origem”, adiantou o porta-voz da polícia, Christos Manouras.

 

Durante a campanha eleitoral, o actual primeiro-ministro, Antonis Samaras, prometeu intensificar o combate à imigração ilegal. Em Atenas o aumento do desemprego fez aumentar a tensão entre os cidadãos gregos e os imigrantes, uma tensão que tem sido explorada no plano político. Ainda na semana passada o partido de extrema-direita Aurora Dourada distribuiu comida aos mais carenciados junto ao Parlamento grego, mas apenas se estes provassem ser gregos e fornecessem dados pessoais, incluindo o grupo sanguíneo, noticiou o diário grego Khatimerini.

 

 

 

 

jn.pt

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