Enviado de Teerão foi a Damasco dizer que não deixará Assad cair

8/08/2012 01:20 - Modificado em 8/08/2012 01:20
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Numa campanha diplomática para tentar libertar os 48 iranianos sequestrados no fim-de-semana na Síria por um grupo de rebeldes, o chefe do Supremo Conselho Nacional de Segurança iraniano, Saeed Jalili, esteve nesta terça-feira em Damasco. Encontrou-se com Bashar al-Assad e garantiu que a República Islâmica tudo fará para conseguir a libertação do grupo de “peregrinos inocentes”.

 

A ida de Jalili a Damasco também serviu para o Irão dizer que não deixará cair o regime de Assad. O que está a acontecer na Síria, disse Jalili citado pela televisão estatal, não é um assunto interno mas “um conflito entre o eixo da resistência e os seus inimigos na região e no mundo”. O Irão, assegurou, “não permitirá que o eixo da resistência, de que a Síria é uma parte essencial, seja de alguma forma quebrado”.

 

Numa carta enviada para a embaixada suíça em Teerão, o Irão culpa os EUA pelo rapto dos peregrinos, dado o “apoio flagrante” dos norte-americanos aos “grupos terroristas na Síria”.

 

O encontro com Assad foi também um pretexto para o Presidente sírio fazer prova de vida, depois de opositores se terem feito passar por um diplomata russo e posto a circular rumores de que estaria morto. Foi a primeira vez que apareceu em mais de duas semanas. Reafirmou a “determinação dos sírios e do Governo em limpar o país de terroristas”.

 

Teerão está empenhado em libertar os 48 nacionais que diz serem peregrinos. O grupo que os raptou garante que são Guardas da Revolução, corpo de elite iraniano, e que foram enviados para ajudar Assad a esmagar a revolta. Mas enquanto os raptores garantem pertencer ao Exército Livre, formado por desertores revoltados contra Assad, a oposição diz que são apenas um grupo extremista. Os raptores anunciaram que três iranianos morreram num ataque do exército de Assad e que todos seriam mortos se os bombardeamentos continuassem. E não deram mais notícias. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano foi também à Turquia e ao Qatar, que têm apoiado a revolução.

 

Vários analistas árabes e ocidentais acreditam que o fim de Assad se aproxima, e que a Síria se começa a parecer com a Líbia pouco antes da queda de Khadafi. Após a deserção do primeiro-ministro Riad Hijab, o regime de Damasco começará a desmoronar-se, dizem.

 

Mas não é só o regime que enfraquece. Em Alepo, onde se trava o que se tem chamado a “batalha decisiva” deste conflito, os rebeldes, cercados pelo exército de Assad, começam a dar sinais de fraqueza. Nesta terça-feira, sob bombardeamentos, disseram estar a ficar sem balas para disparar. “Não temos munições suficientes para mandar para a linha da frente”, disse à Reuters Abu Jamil, um combatente. Segundo o comandante rebelde Sheikh Tawfiq, “a cada dia os ataques do exército se tornam mais vingativos”. O exército, disse à AFP fonte da segurança, está agora pronto para a batalha “decisiva”.

 

 

 

 

publico.pt

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