Acidente do navio Vicente: já se conhecem as causas, mas onde estão os culpados?

11/08/2015 08:43 - Modificado em 11/08/2015 08:43

TuninhaDepois de seis meses de trabalho foi entregue ao Presidente da Assembleia Nacional, Basílio Mosso Ramos, nesta segunda-feira, o relatório final sobre as causas do acidente do navio Vicente que afundou em Janeiro no Porto de Cavaleiros, Fogo, e as conclusões são: sobrecarga do navio, mau tempo, deficiência na gestão do tráfego dentro do porto e erro do capitão.

Em declarações à RCV, a Presidente da Comissão sobre o Sistema Marítimo disse que o relatório está dividido em partes. “Os factos estão aí, mas não quer dizer que tiveram unanimidade. A verdade é que nos factos, nas conclusões e nas recomendações, optámos por aprovar porque entre aprovar o relatório e não apresentar o trabalho tal como tínhamos no mandato, decidimos pela aprovação”. “Aprovámos com unanimidade e as conclusões são: temos várias causas detectadas, estão ali retratadas, temos a questão do sobrecarregamento do navio, do mau tempo, deficiência na gestão do tráfego dentro do porto e também a questão do erro do capitão”.

No entanto, três pontos ficaram de fora. Foram propostas que, conforme Eunice Silva, não foram aprovadas pela bancada do PAICV que detém a maioria.

A questão da busca e do salvamento: todos os cabo-verdianos sabem que os meios de busca e salvamento que o país dispõe são meios públicos que estão sob o comando da Guarda Costeira e que não estiveram envolvidos no processo e, entretanto, verificámos que existem dois barcos e estes são especificamente apropriados para buscas e salvamento e estavam na alçada da Agência Marítima; entretanto, deviam estar era sob o comando da Guarda Costeira.

De acordo com Eunice Silva, três propostas ficaram de fora porque o PAICV que detém a maioria, entendeu que a questão da busca e salvamento, do controlo e fiscalização nos portos de Cabo Verde e da situação das famílias, não constasse no relatório.

No entender de Eunice Silva, para o PAICV, o controlo e a fiscalização nos portos de Cabo Verde não era importante a nível das conclusões. Relativamente à situação das famílias, o PAICV entendeu que se deva passar toda a responsabilidade das famílias para o armador. Para o MPD, o armador não vai cumprir e não há condições para que cumpra e o MPD também concluiu que houve falhas no sistema; todo o sistema “freou”. Achou-se que o Governo poderia tomar a rédea deste processo.

Em relação aos pontos que ficaram de fora, o deputado do PAICV, Euclides de Pina reagiu alegando que a questão da busca e do salvamento, do controlo e da fiscalização dos portos de Cabo Verde e a situação das famílias, não são relevantes já que o relatório espelha o que aconteceu.

Euclides de Pina disse que para o PAICV, “a causa principal do acidente deriva da manobra perigosa do comandante do navio e o MPD acredita que a causa é do sobrecarregamento do navio”. E esclarece afirmando que a sobrecarga pode ser uma causa circunstancial porque o navio saiu do porto da Praia até ao Fogo e garante que se houvesse sobrecarga, o navio afundaria no porto da Praia. Sendo assim, para o deputado do PAICV, a causa fundamental foi a manobra perigosa do comandante e a situação do clima: “havia ondas com quatro e cinco metros”.

A questão da responsabilidade diverge entre as duas bancadas. O MPD afirma que cabe a quem de direito tirar as responsabilidades e o PAICV afirma que o responsável seria o comandante mas, como morreu, a responsabilidade recai sobre o armador do navio, esclarece Euclides de Pina.

  1. vicente

    os culpados estão todos vivos, os cubanos o Comandante e o Imediato, o responsável pelas cargas na Praia o Sr. Montrond, o Armador, a IMP, a P.Maritimo, a P.Fiscal e o próprio Governo

  2. fredson

    A quem beneficia o crime, a quem beneficiava a sobrecarga? Ao comandante ou ao armador? Ao armador. Então o responsável é o armador.

  3. Julio Goto

    …Jogada de interesse e nada mais. Simplesmente os politicos de Cabo Verde nao reconhecem os seus erros .
    Pelo que vejo tanto o PAICV assim como o MPD aproveitam do mal e MAL e do BEM para jogar Tenis . (a bola rola dum lado para o outro).

  4. O solidário

    Cadeia para com todos wlwa e sem excepção. E q sejam tb chamados à pedra os governantes q de forma in/directa estiveram envolvidos neste processo. Ninguém está acima da Justição num Estado de Direito. Ninguém! Ouviram bem? Justiça!!!!!!!!

  5. manuel silva

    depois de tanta confuzao eis a minha concluzao mesmo que o navio tivese subcaregado a culpa seria do emidoato que tambem recai no capitao quanto os meios de salvaçao do navio nao foncionarao se for feita uma inspeçao minuciosa constatamos botes salva vidas que nao vao ao mar com facilidades balsas presas com cintas improprias auzencias de boias circulares suficientes para nao falar de coletes salvavidas os planos de imergencia nao existem para tripulantes muito menos para pasageiros epresiso qe a imp.tenha mao dura na inspeçao. fazer inspeçao expontanea ezigir relaçao de carga e pasageiros antes que o navio deixar o porto cociencializar os tripulantes que e as suas proprias vidas que esta em jogo comprimento de um amigo com sedula maritimo

  6. Maurino C.B. Delgado

    Do diagnóstico das famílias vítimas do naufrágio consta: “São famílias que vivem em situação de grande fragilidade económica e que dependiam diretamente do ordenado das vítimas para subsistirem. Com a perda do familiar ficaram expostas a situações de pobreza extrema”. Pergunta-se – como ficam as famílias em todo esse processo se o armador não está em condições de assumir as responsabilidades do acidente? Vão ficar abandonadas à miséria?

  7. Maurino C.B. Delgado

    Do diagnóstico das famílias vítimas do naufrágio consta: “São famílias que vivem em situação de grande fragilidade económica e que dependiam diretamente do ordenado das vítimas para subsistirem. Com a perda do familiar ficaram expostas a situações de pobreza extrema”. Pergunta-se – como ficam as famílias em todo esse processo se o armador não está em condições de assumir as responsabilidades do acidente? Vão ficar abandonadas à miséria?

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