As correntes de retorno: cemitérios nas nossas praias

5/08/2015 08:47 - Modificado em 5/08/2015 08:47

NorteBaia073As correntes de retorno existem em muitas praias de Cabo Verde, em particular, nas que ficam no Norte do arquipélago. Em São Vicente, podem-se encontrar essas correntes em praias como Norte Baía, Praia Grande, Calhau. As correntes de retorno variam em tamanho, largura, profundidade, forma, velocidade e potência. Elas são formadas, geralmente, da seguinte maneira: quando as ondas quebram, elas empurram a água acima do nível médio do mar.

Uma vez que a energia da água é despendida, a água que ultrapassou aquele nível médio é empurrada de volta pela força da gravidade. Contudo, quando ela é empurrada de volta, mais ondas podem continuar a empurrar mais água acima daquele nível médio, criando o efeito de uma barreira transitória (temporária). A água de retorno continua a ser empurrada pela gravidade e procura o caminho de menor resistência. Este pode ser um canal submerso na areia ou a areia ao lado de um quebra-mar ou píer, por exemplo. Como a água de retorno se concentra nesse canal, ela torna-se numa corrente movendo-se para dentro do mar. Dependendo do número de factores, esta corrente pode ser mais ou menos forte. Algumas correntes de retorno dissipam-se muito próximo à praia, enquanto que outras podem continuar por centenas de metros. É importante notar que as ondas não quebrarão sobre um canal submerso. Além disso, a força de uma corrente de retorno movendo-se para dentro do mar num canal tende a diminuir a potência das ondas que entram.

Como reconhecê-las?

Sinais e características das correntes de retorno

  1. Água castanha e descolorada, devido à agitação da areia do fundo, causada pelo retorno das águas;
  2. Água com tonalidade mais escura, devido à maior profundidade, sendo atractivas para banhistas desavisados;
  3. Água mais fria após a linha de arrebentação, significando o retorno de águas mais profundas;
  4. Ondas quebram com menor frequência ou nem chegam a quebrar, devido ao retorno das águas e à maior profundidade;
  5. Local onde ocorre a junção de duas ondas provindas de sentidos opostos;
  6. Local por onde o surfista experiente geralmente entra no mar;
  7. Nas marés baixas, formam ondas do tipo buraco, alimentadas pela água no seu retorno;
  8. Pequenas ondulações na superfície da água, causando um rebuliço, em virtude da água em movimento (pescoço da vala);
  9. Espuma e mancha de sedimentos na superfície, além da arrebentação, onde a vala perde a sua força (cabeça da vala);
  10. Ocupação de uma faixa maior de areia devido ao maior volume de água, provocando uma sinuosidade ao longo da praia (boca da vala);
  11. Escavações na areia, formando cúspides praias em frente às valas;
  12. Perpendiculares à praia, podendo apresentar-se na diagonal;
  13. Delimitam ou são delimitados por bancos de areia;
  14. Mais difíceis de serem identificadas em dias de vento forte e mares agitados;
  15. Mais evidentes em marés baixas;
  16. Perda da força de 5 a 50 metros após a linha de arrebentação;
  17. Composição em três partes: boca ou entrada, pescoço e cabeça;

Como escapar das valas e das ondas?

Se cair numa vala, não entre em pânico, nade diagonalmente no sentido da corrente até conseguir escapar. Um banhista cansado ou com habilidade limitada deve flutuar para dentro do mar, até à cabeça da vala, nadar paralelo à areia por 30 ou 40 metros e então prosseguir num trajecto perpendicular à praia, pelo baixio (banco de areia), onde as ondas facilitarão a saída do mar (fluxo de água no sentido da areia). Nadadores fortes devem traçar um ângulo de 45 graus a favor da corrente lateral e nadar em direcção à praia. Mesmo os melhores nadadores não devem nadar contra as correntes de retorno. Deve-se sempre observar as ondas, pois quando elas se rompem (quebram), formam espumas que não têm sustentação para permitir a flutuação. Se uma onda for “quebrar na sua cabeça” e não haver como escapar dela, encha os pulmões de ar, prenda a respiração, afunde, mantenha a calma e só tente subir após a forte turbulência ter passado.

  1. Uma tragédia anunciada. Definitivamente o cabo-verdiano não é um povo do mar como incomparável de gentes da Polinésia, Micronésia – povos do mar senso lato.
    Onde andava essas informações todas aqui? o AMP certamente pelo Jandir Leite podia aglutinar isso tudo URGENTE numa publicidade televisiva que seria de todas as formas mais eficiente para que não aconteça mais este verão. Lamentamos imenso o sucedido e sentidas condolências aos familiares.

  2. Manuel Joaquim

    Vale a pena ler os inúmeros cú mentarios inseridos nos jornais on-line. O condutor manobra o carro mas, o banhista não manobra “o mar”. O candidato a Condutor vai a Escola de Condução, aprende as regras e sinais de transito, aprende a conduzir para poder saber comportar nas estradas. O Conductor, tem a policia vigiando os seus deslizes, está sujeito a coimas, multas, apreensão da carta de condução, está na mira dos Tribunais e por isso até a cadeia esta sujeito. No entanto é o que se sabe: uma montanha de infrações, a sinistralidade é uma constante e acontece nas nossas ESTRADAS o que todos nós sabemos.
    Agora é a vez de imaginar o Banhista. Em que e quais as Escolas onde apreende as regras, as normas, a natação e o comportamento na agua? Se o Conductor tem direitos, deveres e garantias, gostaria que todo o CRIOULO indagasse, se o mesmo acontece com o Banhista? O Banhista é obrigado a frequentar somente as Praias VIGIADAS? Quais as normas que pendem sobre os Banhistas?
    O Conductor é obrigado a saber conduzir? O Banhista é obrigado a saber nadar? Qual a razão de tantos acidentes nas nossas estradas? Se não é possível meter o Conductor na ordem, muito mais difícil será meter o Banhista. Muitos comentários, são puras falasias e por isso conversa de mercador. Vamos encher nossas praias de regras e sinais, porque assim evitamos o quê? Mais uma vez, aproveito para endereçar minhas condolencias aos pais, familiares, amigos e a todo o povo crioulo.

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