Investidores fogem da bolsa de Atenas no dia da reabertura

4/08/2015 14:47 - Modificado em 4/08/2015 14:47
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grecia bolsaDepois de cinco semanas impedidos de mexerem nas suas acções enquanto o país vivia a um passo da saída da zona euro, os investidores da bolsa de Atenas aproveitaram agora a reabertura do mercado para venderem em massa os seus títulos, ainda assustados pelos controlos de capital que estão em vigor e pela quebra acentuada da actividade económica a que se assistiu entretanto no país.

O reinício das transacções no mercado de acções grego produziu os resultados que eram esperados: o principal índice caiu a pique, nas primeiras horas com uma queda de 23%, a maior alguma vez vista em Atenas e, no final do dia, com uma desvalorização de 16,2%, colocando o índice no seu valor mais baixo desde Setembro de 2012. As acções dos bancos foram as que mais sofreram, todas com descidas iguais ou muito próximas de 30%, o limite máximo de quebra que é permitido durante uma sessão.

No final de Junho, quando foram impostos limites aos levantamentos dos depósitos, a bolsa de Atenas foi encerrada. Os accionistas das empresas cotadas em Atenas ficaram impedidos de transaccionar no mercado as suas acções e tiveram de assistir, sem possibilidade de acção, ao desenrolar das negociações entre o Governo grego e os seus parceiros europeus.

Um acordo que permitiu ao Estado grego aceder a nova liquidez foi entretanto alcançado, mas vários motivos permanecem para que, agora que a transacção das acções voltou a ser possível, os investidores mostrem vontade de fugir do mercado grego.

“A situação no mercado accionista grego ainda vai ter de ficar bastante pior antes de poder começar a melhorar”, antecipa um analista de uma gestora de fundos sedeada em Londres, citado pela Bloomberg.

As razões da queda bolsista
Há três grandes razões para que a bolsa grega esteja em queda. Em primeiro lugar, há a situação extremamente frágil dos bancos. Durante semanas assistiu-se a uma saída dos depósitos, que faz com que, neste momento, a maior parte das transacções seja feita em numerário, sem passar pela banca. Para garantirem rácios de solvabilidade adequados, as instituições financeiras terão de ser novamente sujeitas a uma recapitalização pública ou, em alternativa, exigirem perdas aos seus accionistas, credores e, em último caso, depositantes.

Está prevista a realização nas próximas semanas de testes de stress aos bancos gregos por parte do Banco Central Europeu (BCE). O nível de capitalização necessário estará, de acordo com as contas actualmente feitas, entre os dez mil e os 25 mil milhões de euros, o que, a confirmar-se, significa uma muito acentuada perda de valor para os actuais accionistas.

Não surpreende, por isso, que instituições como o Banco Nacional ou o Banco de Pireus tenham sofrido esta segunda-feira uma queda de 30% no valor das suas acções. No caso do Banco Nacional, as perdas acumuladas nos últimos meses são tão profundas que o seu valor no mercado de Atenas já é mais baixo do que a capitalização de uma entidade sua subsidiária que está cotada na Turquia.

Depois, mantém-se a imposição de controlos de capital, que também afecta especialmente a banca, mas que torna também a vida mais difícil aos investidores residentes que pudessem ter interesse em comprar acções, uma vez que apenas podem retirar dos depósitos bancários 60 euros por dia. “Os bancos estão especialmente vulneráveis por causa dos controlos de capital. Resta saber se não irão arrastar o resto do mercado com eles”, disse um analista ao Financial Times.

Vários analistas têm criticado a decisão de reabrir os mercados já esta segunda-feira, principalmente no que diz respeito aos bancos, cujo futuro está ainda muito longe de ficar estabilizado.

Um segundo motivo para preocupação na bolsa vem da situação económica grega. Os últimos indicadores publicados mostram que as empresas cortaram para um mínimo os níveis de actividade e investimento. O índice PMI grego (que mede as expectativas de actividade das empresas industriais) afundou-se em Julho de 46,9 pontos para 30,2 pontos, o nível mais baixo de sempre. Um nível 50 é aquele que aponta para uma estabilização da actividade, um valor mais baixo significa contracção.

“As empresas enfrentaram uma queda recorde nas novas encomendas e não conseguiram adquirir os materiais, particularmente do estrangeiro, de que precisam, à medida que as restrições de capital afectavam uma actividade económica normal”, explicou um responsável da Markit, a empresa que calcula o indicador.

Por fim, a ensombrar as expectativas nos mercados está o facto de a permanência da Grécia no euro não ser ainda um dado adquirido. Um acordo final para um novo programa de financiamento a três anos à Grécia depende das negociações que actualmente decorrem entre a troika e o governo de Atenas. Questões como a aplicação de mais medidas de austeridade ou a reestruturação da dívida prometem criar novas fricções entre as partes, no meio de um cenário de ainda grande incerteza política dentro do próprio Executivo grego.

A situação vivida esta segunda-feira na bolsa grega, para além de não ser surpreendente, não teve um impacto relevante para as restantes bolsas europeias, que registaram variações positivas durante esta sessão.

publico.pt

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