Seis mortos na Prainha: O jeitinho cabo-verdiano de colocar trancas na porta depois da casa assaltada

4/08/2015 08:48 - Modificado em 4/08/2015 08:48

funeral sao nicolauCabo Verde está em choque com a morte de seis jovens na Prainha, na ilha de São Nicolau. Com as seis mortes, eleva-se para 28 as mortes ocorridas no mar durante este ano. O momento é de dor, mas também de reflexão, de revolta, da procura das causas e dos culpados. Entre as lágrimas e a dor, surge outra vez a questão da segurança nas praias de um país cujo principal activo é o turismo balnear. Isto porque muitos defendem “que há muito por fazer a nível da segurança”.

O que não falta é o tradicional jeitinho cabo-verdiano de colocar trancas na porta depois da casa ter sido assaltada e, depois de algum tempo, retirar as trancas de modo que a casa volte a ser assaltada. No caso da Prainha que é considerada uma praia “traiçoeira e perigosa”, mas por estar próxima da cidade é muito frequentada no Verão, apesar de não ter vigilância de nadadores-salvadores, o capitão dos Portos do Barlavento, António Duarte Monteiro, disse à Lusa que a praia é sinalizada como perigosa e interdita para banhos, mas as pessoas insistem em frequentá-la.

Assim, pensava-se que com essa sinalização tinha-se feito tudo para garantir que as “pessoas fossem impedidas de usar uma praia que as autoridades competentes consideram perigosa”. Mas não. Depois da tragédia são essas mesmas autoridades a anunciarem que “vão reforçar a sinalização nesta e noutras praias perigosas, com dizeres ‘mais contundentes e mais assertivos’ para dissuadir as pessoas para o banho”. Ou seja, reconhecem que não fizeram tudo e que o que tinham feito, foi pouco para evitar a tragédia de Domingo. Mas o Delegado da Agência Marítima, AM, vai mais longe ao reconhecer que essa praia, devido à sua perigosidade “é uma praia considerada traiçoeira e perigosa, mas por estar próxima da cidade é muito frequentada no Verão, apesar de não ter vigilância de nadadores-salvadores” e que vai propor que a praia seja interditada. “Eu vou relatar o que aconteceu e sugerir que essa praia seja vedada às pessoas”- disse à Inforpres. E voltamos ao jeitinho cabo-verdiano de colocar trancas na porta depois da casa assaltada, na certeza que por estas bandas, no país da morabeza a culpa, normalmente, morre solteira.

Mas a dor desatina doendo sem entender porque é que 28 pessoas morreram este ano no mar em Cabo Verde e, entre estas, nove nas praias de um pais que tem a subsistência ligada ao turismo balnear.

Os seis jovens, quatro rapazes e duas raparigas, com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos, foram banhar-se na tarde de domingo e foram levados pela corrente. Na segunda-feira, mais um corpo foi recuperado e as autoridades não acreditam que o último corpo que falta seja recuperado com vida.

Segundo informações do Delegado de Saúde, Élvio Pereira, outros quatro jovens escaparam ilesos, tendo dois dado entrada no hospital com algum mal-estar “mas já estão bem”.

  1. Talvez

    Mais uma vez vem a conversa preferida pelos jornalistas,”e a culpa morre solteira”. É com muito pesar que escrevo isso mas isso é foi e sempre será apenas mais uma fatalidade. A população de SN, mais propriamente daquela zona, sempre banhou nessa praia visto que é a praia mais próxima. Se havia avisos, se todos sabem que a praia é traiçoeira, porque que crianças frequentaram a praia. Respondendo a isso saberemos quem tem parte da responsabilidade, além do mar. Meus pêsames.

  2. Manuel Joaquim

    “o que não falta é o tradicional jeitinho cabo-verdiano de colocar trancas na porta…” Eu diria : o que falta é melhor instrução da maioria dos nossos redactores e tambem a falta de cultura do crioulo de nunca respeitar nada ou ninguem. O crioulo so ira mudar a sua cultura/mentalidade, no dia que surgir alguém/capataz vindo de PLUTÃO, com capacidade de lhe fazer uma lavagem cerebral. Muita gente nesta terra ignora o somatório dos perímetros de todas as nossas ilhas e ilheus e mesmo que cada crioulo fosse um NADADOR/SALVADOR, Cabo Verde não teria gente suficiente para proteger cada quilometro da sua linha de costa. Na Brava, alguém resolve fazer um pic nic num dos ilheus, um pescador da Praia resolve ir pescar a Boavista, no Mindelo, um funcionário resolve ir pescar a noitinha la para as bandas no Norte da Baia, um mergulhador da Preguiça S.Nicolau resolve ir “caçar” no Ilheu Raso, o Sal, um mariscador, resolve ir amanhar percebes na zona de Fiura, etc. a culpa é de alguma autoridade porque estes lugares não estão assinalados como LOCAIS PERIGOSOS. Em S. Vicente, quem sair de carro ou de barco, nesta altura ira encontrar pessoas acampadas, nadando e pescando em lugares mais recônditos: Djeu, Lazareto, Ponta Morro Branco, Ponta de Nho Jom, Fateixa, Farol de São Pedro, Flamengo, Ponta de Flamengo até Viana no Calhau, Panilinha, Norte Baia, Tras de Palco, Salamansa, Jom d´Ebra, Lim d´Guintche, Ponta de Jom Riber, Tras de Cabnave, etc. Em todas as Ilhas é a mesmíssima coisa. Algum expirtim que resolva!

  3. Manuel Joaquim

    BASTA! STOP CULTURA DE DESRESPONSABILIZAÇÃO! Desse manera, nós Terra ta tramode! Esta tragedia, desperta toda a alma crioula para a dor dos familiares e também para a dor que também nos dói a todos. Seis vidas ceifadas/perdidas de forma inglória. Seis flores, impedidas de se desabrocharem. Quem carregará toda esta dor? Grande nodoa para a nossa Prainha e também para todas as nossas praias. Seria possível fazer algo para evitar esta tragedia? De quem é a culpa? Algum idiota que responda! Os profetas da desgraça, agora têm lugar cativo para destilarem o veneno da ignorância que os sufoca. Eu não tenho soluções e tu?. Quem tem/terá? Como? O tempo não conseguirá aliviar toda a dor dos familiares que é de todos nós: pais, irmaos, avos, tios, amigos e inimigos de houverem.

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