Protesto: Antigamente a cavala era “kmida de pobreza” hoje é para “fazer grandeza”

27/07/2015 07:07 - Modificado em 27/07/2015 08:01

20150725_204651[1]Em jeito de protesto, um grupo de jovens manifestou com cartazes na Avenida Marginal onde decorria o Festival da Kavala Fresk. Nos cartazes havia mensagens contra o preço da  cavala, contra o acordo de pesca com a União Europeia e contra a matança desenfreada dos tubarões.

No meio da multidão que participava no Festival da Kavala Fresk, encontrámos um grupo de jovens com cartazes nas mãos protestando contra o aumento do preço da cavala que antigamente era considerada um alimento para os pobres devido ao preço que era acessível aos bolsos de qualquer pessoa e que, neste momento, os pobres não conseguem adquirir devido ao seu elevado custo.

Nuno Fonseca, que falou em nome do grupo, adianta que o protesto tem como objectivo chamar a atenção da população sobre o que está a acontecer em Cabo Verde. Indignado, Nuno considera que durante um ano quase que não há cavala, muito menos para a população da periferia. O mesmo não entende o sentido do Festival da Kavala na Avenida Marginal, quando o preço do produto não está ao alcance dos mais pobres.

O representante do grupo sublinha ainda que a cavala é reservada apenas para o evento onde apenas a organização beneficia e o povo é quem fica prejudicado. O preço da cavala vendida durante o Festival é também contestado pelos manifestantes que desfilaram de uma ponta à outra da Avenida Marginal exibindo cartazes.

20150725_204845[1]O jovem manifestante contesta dizendo que “antigamente a cavala era considerada ‘kmida de pobreza’, hoje o povo não consegue comprar a cavala”.

Comprar uma cavala por cento e cinquenta escudos, quando a maioria sobrevive com menos de cem escudos por dia. Para Nuno, o evento passa despercebido pela população, pois preferem festejar sem nunca reflectirem sobre o que estão a fazer.

O grupo designado “Poder para o Povo” acredita que a ilha de São Vicente “não ganha nada com o Festival. O dinheiro circula apenas entre um grupo de pessoas, enquanto que quem vem da periferia gasta cento e cinquenta escudos para adquirir metade de uma cavala e no dia seguinte não consegue levar a panela ao lume”.

Um outro motivo do protesto é o acordo de pesca entre Cabo Verde e a União Europeia. O representante do grupo relembra a pesca desenfreada nos mares de Cabo Verde considerando não haver controlo e fiscalização das águas.

Fonseca é um jovem indignado e aproveitou para desabafar mais uma vez. “Hoje deparamo-nos com uma ‘incrível’ matança de tubarões, o que permite a chegada do peixe às costas, facilitando os pescadores da pesca artesanal. No entanto, com a matança da espécie, os barcos de pesca europeus, melhor preparados, sacam a maioria dos peixes nas águas mais profundas deixando as nossas águas pobres em termos de espécies marinhas dificultando, assim, o trabalho dos pescadores da pesca artesanal”.

  1. Carlos

    Depois de ler essa reportagem, 1ta conconrdá k bô…. Mim é mais 1 k é contra esses acordos de pesca!

  2. Francisco andrade

    Deus ouviu as minhas preces. até que enfim alguém lança um movimento para consciencializar o povo. Pois o Festival da kavala enriquece uns enquanto que o povo passa mal e passa fome.
    Convido os leitores a lerem o Jornal “picknim” gratis na página 16 do mes de Julho em que a Biosfera I e a Sea Sherphed alerta para que não venha a ser possível a pesca artesanal como aconteceu no Senegal. A culpa é dos políticos que querem enriquecer com este acordo de Pesca com a Uniao europeia.

  3. Maria Silva

    FICO FELIZ EM VER QUE TEMOS JOVENS QUE PENSAM NOS PROBLEMAS DA ILHA DE S.VICENTE E QUE NÃO ESTÃO SÓ PARA “PASSÁ SAB”!!!!!! A QUESTÃO DO PREÇO DA CAVALA É DE FACTO ALGO ASSUSTADOR, HÁ POUCO MAIS DE 3 ANOS COMPRAVA-SE CAVALA ATÉ POR 5$00 E 10$00 NA ALTURA QUANDO HAVIA MUITA AGORA QUASE NÃO SE VÊ CAVALA DURANTE O ANO E QUANDO APARECE CHEGA ATÉ A CUSTAR 200$00???? UM EXAGERO!!!! DE FACTO ESSE FESTIVAL É SÓ PARA ALGUNS LUCRAREM!!! A VERDADE É QUE O KFF INFLACIONOU DEMASIADO O PREÇO DA CAVALA E DEU CABO DA SUA PRODUÇÃO NO MERCADO QUE TORNOU SAZONAL.

  4. mindelense

    cada um tenta sub-sair como pode. este rapaz de rasta, que aparece contra tudo e todos, constava na lista do pts nas ultimas autárquicas. desde então e como não tem que fazer, pensa que os outros também não.

  5. Nhelas

    Poblema ca ta na cavala, nem na festival. Festival ta anima vida económica d Mindel. Cima Carnaval, Fim D Óne, etc. Problema ta na falta d investimemt na Sãocent pa combatê dzempreg, na má política d pesca na nos terra, pur izempl, na falta d finansiament pa operadores de pesca y na falta d controle du kê k ta pasá na nos mar. Más impurtant du k mantê press barót eh isda pove ter se trabói y elevá se puder d compra.Más impurtant du k mantê cavala barot, pa «pobreza kme se kavala» eh diminuí pobreza pa pov podê kmê não só se cavala, ma se garopa, se atum, etc, kel k dal na gost.

  6. SIBELLE

    ESTE JOVEM PARECE LEVAR CABO VERDE E O INCONFORMISMO, CEGUEIRA E BURRICE DO POVO AS COSTAS. VAMOS RETROCEDER AOS TEMPOS FICTICIOS DE ANDREZINHO E, TAL COMO ESTE JOVEM CABO-VERDIANO, BATER NA PEDRA ATÉ QUE QUEBRE. COMO É POSSIVEL QUE ALGUEM Q ESTEJA A DEFENDER OS INTERESSES DO POVO AINDA É CRITICADO…

  7. Concordo 100%, essa organização de Kavala Fresk quer mostrar show off e nada mais. Onde se viu tirar da boca do povo o peixe mais barato da nossa cozinha que todo mundo pode comprar, e vem essa organização mostrar grandeza engavetando esse produto ao mesmo tempo torná-la mais caro a preço de quem não pode comprar e comer. E quem fica a perder são os mais necessitados em troca da ganância de alguns.

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