Honras de estado no enterro de Corsino Fortes o poeta eterno

24/07/2015 15:31 - Modificado em 24/07/2015 15:31

corsino fortesCorsino Fortes, o poeta de todos nós, o politico que não deixou  de ser poeta  morreu hoje no seu Mindelo querido. Doente  há muito tempo , quando soube que era chegada a hora de dar aos amigos a dor , a angústia de aceitar a “carga de quatro” , no dizer de Jotmante ,  pediu para morrer no seu Mindelo , no nosso Mindelo que Deus derramou a sua alegria , mas que pede , sempre, sempre , a Deus  “ pa abri porta de gloria pa recebe e esse bo filho” quando os seus bons filhos partem para a eternidade ; a esperança mais certa que temos

O poeta de “pão e fonema “morreu está  manhã ,as 10 horas, no Monte Sossego . O funeral de Corsino Fortes terá honras de Estado,. O governo decretou dois dias de luto nacional  .Um luto  para lembrar o homem de sorriso constante   , um tempo para lembrar  “Pão e Fonema “  para recordar o poeta  que   segundo estudo da professora Carmen Lucia Tindó Secco, a obra  rompeu paradigmas em relação às produções anteriores :“Com a obra de Corsino Fortes, os cânones literários do passado foram definitivamente ultrapassados. Muitos de seus poemas dialogaram intertextualmente com os de poetas das “gerações” anteriores, como Jorge Barbosa e Gabriel Mariano. Fez a releitura da poesia de Claridade, negando a proposta de evasionismo e afirmando a necessidade de fecundar a esperança de transformação dentro das ilhas. Releu também Ovídio Martins, contradizendo-o: “Já não somos os flagelados do Vento Leste”, pois o vento tornou-se metáfora anunciadora de mudanças sociais, um signo caboverdiano de desafio (…) A poesia de Corsino aprofundou a proposta do anticolonialismo fundada pelo grupo Sèló e questionou também os séculos de dominação portuguesa.” (SECCO, 1999, pp. 18-19)

Corsino Fortes morreu . Ficou a obra :

 rosto de teu filho brada pelo mar
Como panelas mortas como panelas vivas

                        mortas
vivas
nos fogões apagados

Pilões calados fogões apagados
No vulcão e na viola do teu coração

Boca do povo no fogo dos nossos fogões apagados

Chão do povo chão de pedra!
O sol ferve-te o sol no sangue
E ferve-me o sangue no peito
Como o fogo e a pedra no vulcão do Fogo

De sol a sol
abriste a boca

Secos os pulmões
neles cresce-me
a lenha do mato

De sol a sol
os meus ossos são verdes
os teus ossos são plantas
Como a fruta-pão o tambor e o chão

De sol a sol
      gritei por Rimbaud ou Maiakovsky
      deixem-me em paz

(FORTES, 2001, p. 37 e p.39)

Corsino António Fortes nasceu no Mindelo em 1933. Foi embaixador de Cabo Verde em Portugal, em 1975, mais tarde secretário de Estado da Comunicação Social e Ministro da Justiça.

 

 

 

 

 

  1. Djê Guebara

    Sòmente morrem aquelos que deixam marcas. Corsino Fortes deixou marcas unicas que ninguèm ficou indeferente, uma marca do seu talento, e do seu caràcter, e tambèm do seu exemplo. Corsino Fortes ganhou em vida o direito a iternidade. As pessoas podem desaparecer fìsicamente, mais a poesia e a lenda perduram e ultrapassam os tempos. Descança em paz. Amèm.

  2. vera ferreira

    homem singular…olhar infinito…elegancia inconfundivel…ternuroso…descança em paz.

  3. Ana Neves

    A sua poesia não era fácil de entender mas na sua voz, era uma melodia.
    Foi meu vizinho,na cidade da Praia, e companheiro de várias viagens para Portugal. Tinha um sorriso rasgado e era de uma simpatia imensa.
    Que descanse em Paz. A sua memória ficará perpetuada através dos seus livros.
    Uma portuguesa

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