Primeiro-ministro de Itália teme desintegração da Europa

5/08/2012 12:22 - Modificado em 5/08/2012 12:22
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O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, diz que o futuro da Europa parece sombrio. Numa entrevista à revista alemã Der Spiegel, o homem de 69 anos que substituiu Silvio Berlusconi, em Novembro do ano passado, como líder do Executivo italiano, afirma que “as tensões acumuladas nos últimos anos na zona euro acarretam riscos de uma dissolução psicológica da Europa” e dos fundamentos da União Europeia.

 

Se o euro se torna um factor de afastamento entre os Estados “então os alicerces do projecto europeu estão destruídos”, argumenta Monti, que aconselha também os seus congéneres europeus a manterem a sua independência face aos parlamentos nacionais.

Sobre as recentes decisões do Banco Central Europeu (BCE) – vai preparar, durante as próximas semanas, um novo modelo de compras de obrigações, potencialmente mais eficaz do que o anterior, mas que apenas será accionado se os países em dificuldades recorrerem aos fundos de resgate europeus e aceitarem cumprir um programa de ajustamento – Mario Monti congratulou-se com a intervenção do seu compatriota Mario Draghi, presidente do BCE, lembrando que também ele tem defendido que o mercado da dívida soberana está fortemente fragilizado na zona euro. “São problemas que temos de resolver rapidamente”, frisa o primeiro-ministro de Itália.

Draghi disse que qualquer nova compra de obrigações pelo BCE terá de ser precedida por um pedido de ajuda a um dos fundos de estabilidade financeira. Mas, mesmo nesta versão condicional, a ideia de o BCE financiar directamente os Estados da zona euro não agrada a todos os membros do banco — particularmente à Alemanha.

“Essas preocupações são infundadas”, argumenta Monti. “É exactamente essa desconfiança que nos impediu de encontrar uma solução clara para esta crise. Temos de a superar e voltar a confiar uns nos outros.”

 

Mais autonomia interna

Na Alemanha, os planos de Draghi foram mal recebidos por alguns sectores. Alexander Dobrindt, secretário-geral da CSU (principal parceiro da coligação governamental liderada pela CDU da chanceler Angela Merkel), acusou mesmo Draghi, em declarações ao jornal germânico Tagesspiegel de usar o BCE para satisfazer os interesses italianos.

Monti não ignora as lutas internas dos países do euro – Merkel foi muitas vezes acusada de não ajudar melhor os países mais pressionados, com receio de se tornar impopular e hipotecar o seu valor eleitoral – mas recomenda aos seus congéneres que mantenham o distanciamento que a salvação da Europa exige. “Se os governos se deixarem vincular e condicionar pelos Parlamentos, sem guardar espaço de negociação, então será mais provável a Europa desmoronar-se do que haver maior integração”.

O actual executivo italiano não foi eleito. Monti dirige um executivo de tecnocratas, apoiado por uma larga maioria do Parlamento. Tem-se afastado das posições alemãs em relação à crise do euro e bate-se por um papel mais interventivo do BCE no mercado bancário e da dívida.

O chefe do Governo italiano considera “muito preocupante” o aumento das tendências nacionalistas na Europa, que “levantaram uma frente de confronto entre Norte e Sul”.

Monti sugere que, mais do que financiamento, o Sul da Europa precisa de solidariedade: “Se a Alemanha e outros países estão interessados em que a actual política em Itália tenha futuro, [devem dar] apoio moral, não financeiro”, disse, segundo traduções da entrevista feitas pelas agências EFE e Bloomberg e avançadas neste domingo de manhã pela Lusa.

 

 

 

 

 

 

publico.pt

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