Diz ter mentido por temer agressão por parte da Polícia

22/06/2015 07:48 - Modificado em 22/06/2015 07:48
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presoJovem de 21 anos acusado da prática de crime de roubo diz ter sido muitas vezes espancado pela Polícia, daí a razão de ter mentido para os agentes da Polícia que o acusavam de ter roubado um fio de ouro do pescoço de uma mulher. O arguido terá dito que vendeu o objecto a um cidadão do Gana.

De acordo com a ofendida, o assaltante bateu à porta da sua residência e, na impossibilidade de a abrir, pediu para que o arguido se apresentasse à janela. De repente, o assaltante agarrou o fio que trazia ao pescoço e fugiu do local.

Apesar de nunca antes ter visto o assaltante, conseguiu reconhecê-lo através de uma fotografia na PN. A ofendida diz não ter qualquer dúvida que seja ele, pois no dia do assalto ficaram-lhe impressos “os olhos arregalados e trazia o rosto com algumas manchas pretas, pois regressava de ‘mandinga’”. O assaltante foi reconhecido por uma segunda pessoa.

O assalto aconteceu na residência da ofendida, na Avenida Invicta, zona de Impena, São Vicente. O jovem veio a ser detido no dia seguinte com a acusa da prática de crime de roubo e, actualmente, encontra-se em prisão preventiva pela prática de crime de violência baseada no género.

O arguido nega assumir os factos, pois diz nunca ter roubado a ninguém, apesar de ser conhecido pela Polícia devido a guerras na zona de Fonte Filipe. Questionado sobre a razão do crime imputado, o arguido responde: “não fui eu. Alguém fez a cabeça da ofendida para me incriminar”.

Defendeu que nunca teve nenhum relacionamento com a ofendida e que não tem nada a ver com o roubo.

O arguido disse ao Juiz que foi espancado pela Polícia  para confessar o crime. No dia da detenção foi agredido pelos agentes da Polícia e como “porrada dói”, teve de mentir dizendo que teria vendido o fio de ouro a um cidadão do Gana no mercado da Ribeirinha para poder ser libertado.

A testemunha chamada para depor negou ter qualquer envolvimento na compra do objecto roubado.

Para o Ministério Público não há dúvidas que o arguido praticou o crime. A conjugação dos factos é clara. Existe coincidência nas declarações da ofendida e do arguido que admitiu ter regressado de “mandinga” onde a vítima o terá reconhecido.

Para o magistrado, a negação dos factos é a estratégia frequente dos arguidos. Não encontrou qualquer razão para a ofendida imputar os factos ao arguido. “ Os assaltantes nunca confessam, salvo situações de raras excepções”.

A sentença será proferida no dia 02 de Julho pelas 08h30m.

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