Sequestro e tortura: “Não faz sentido uma pessoa sofrer uma noite de tortura e os responsáveis ficarem ilibados”

17/06/2015 07:28 - Modificado em 17/06/2015 07:28
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TribunalApós cinco anos à espera que justiça fosse feita, a vítima do sequestro e tortura diz sentir-se “triste e indignada” com a decisão do Tribunal. Não se conseguiu provar que a arguida cometeu os crimes de sequestro, tortura e homicídio agravado de forma tentada pelo que o Tribunal entendeu absolver a arguida.

A 2 de Fevereiro de 2010, Sueli Pinto foi vítima de sequestro e tortura dentro de um dos quartos do Restaurante Bolard. De acordo com a vítima, os crimes foram perpetuados por um cidadão estrangeiro e por uma cabo-verdiana que a acusavam de ter roubado uma quantia não determinada.

Segundo a vítima, a mesma foi torturada pelo proprietário do restaurante com a ajuda da cidadã cabo-verdiana no intuito de confessar o roubo. Sueli Pinto foi colocada dentro de um quarto e durante mais de três horas foi torturada. Na altura, disse que o patrão chegou a queimá-la com pontas de cigarro. Sueli sempre disse que estava inocente e fez a denúncia pública do caso.

Estando o principal arguido fora do país, apenas a cidadã cabo-verdiana respondeu pelos crimes de sequestro, tortura e homicídio agravado de forma tentada.

Quanto à conduta da arguida, ficaram “dúvidas razoáveis” pelo que o Tribunal aplicou o princípio do “indubio pró réu”, princípio jurídico da presunção da inocência. Isto, porque as provas se revelaram insuficientes.

O caso não teve o desfecho desejado pela vítima que antes da leitura da sentença dizia que apenas pretendia que todo o mundo soubesse que depois de tanto sofrimento e de luta para que justiça fosse feita, finalmente poderia provar a sua inocência e ver os culpados condenados.

Após cinco anos à espera de justiça, depois da sentença proferida, a vítima Sueli Pinto e o pai saíram indignados da sala de audiências, pois não concordaram com a decisão do Tribunal e dizem estar “tristes e revoltados”.

A vítima Sueli Pinto disse ao NN que se sente “completamente triste e revoltada”, pois convive com a situação há vários anos e, de repente, a decisão é a absolvição e parece que nada aconteceu.

João Pinto, pai da vítima, também tem o mesmo sentimento de revolta, pois não entende como é que uma pessoa que participou numa noite de “djunta mom” para torturar uma pessoa, receba a absolvição como prémio.

“Não faz sentido uma pessoa sofrer uma noite de tortura e os responsáveis ficarem ilibados”. O pai da vítima acredita que se tivesse disponibilidades financeiras para contratar um advogado, a situação poderia ter outro desfecho.

O desfecho do caso deixou a vítima e os familiares revoltados. Inconformados com a situação dizem “confiar na justiça divina, pois é inacreditável o que aconteceu”.

 

 

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