Cuidadores das campas sem autorização para trabalharem

15/06/2015 07:24 - Modificado em 15/06/2015 07:24

cemiterioO Cemitério Municipal de São Vicente é um dos locais onde as pessoas tentam ganhar o seu “pão de cada dia”. Fazendo cruzes, criando jardins nas campas e cuidando delas, escritas nas cruzes, são algumas formas a que muitos recorrem para irem driblando o desemprego. Falando com um grupo de jovens de Trás Cemitério, muitos deles, desde cedo encontraram no cemitério, um local de trabalho.

“São Vicente não tem trabalho e, por isso, temos de procurar fazer algo e não ficar parados”. Esta é a justificação para trabalharem no cemitério. Os níveis de desemprego na ilha preocupam estes jovens que não querem ficar parados mas irem atrás do próprio sustento. Recordam o tempo quando o cemitério era um lugar onde trabalhavam à vontade e conseguiam levar a vida, “apesar das dificuldades”.

Os dias de trabalho no cemitério, como explica o grupo, não têm sido fáceis. O problema levantado por este grupo, que prefere ficar no anonimato, é que têm sido proibidos de entrar no cemitério, a não ser que tenham um trabalho para fazer. E esta situação como dizem, está a trazer-lhes muitos problemas porque não conseguem trabalho a não ser que estejam a circular dentro do cemitério.

“Para conseguirmos trabalho, temos de estar lá dentro. O cemitério é grande, fazemos a nossa volta, apresentamos os nossos respeitos às pessoas que vão visitar as suas campas e se as campas não estiverem em boas condições, apresentamos o nosso trabalho”, assim justificam a necessidade da presença deles no cemitério para trabalho. “É só entrarmos no cemitério que os responsáveis do local nos pedem para sair”.

“Sou pai de filho e as pessoas têm o fim de mês certo, o responsável também tem o seu salário e vou lá para ver se consigo ganhar um pão”, diz um dos membros do grupo que conta com mais de 15 anos de trabalho ligado ao cemitério.

A situação de não poderem circular no cemitério incomoda este grupo. “O cemitério é um lugar de respeito e se estivermos a faltar ao respeito podem-nos colocar na rua, mas estamos apenas à procura do nosso trabalho”. Estas são as palavras de um jovem que busca o seu dia-a-dia.

“Deveriam deixar as pessoas trabalharem porque ninguém vai lá para delinquência nem nada. Somos um grupo e vamos ganhar o nosso pão mas colocam-nos sempre um stop”. O pedido é que as autoridades da CMSV possam conceder-lhes autorização para poderem fazer o seu trabalho. Justificam que todos são jovens e que na terra não têm trabalho e que querem apenas trabalhar de forma honesta.

A concluírem os seus argumentos, dizem que há muito trabalho no cemitério que podem fazer e que, no seu trabalho, o cemitério continua a ser um lugar de respeito .

  1. LIMA

    Essas pessoas deviam ser identificadas e mediante um Cartão de Identificação poderiam ser autorizadas a fazer este trabalho desde que tivessem respeito pelo familiares dos defuntos e não ficar atrás propondo obras. Poderiam ser estabelecidas por exemplo algumas regra de como estabelecer contacto os visitantes que para ai se deslocam.

  2. João Fortes

    Sei que eles não têm coragem para dizer o que se passa por causa de represálias.
    mas deviam ter um cartão passado pela Câmara municipal para poderem. Deviam averiguar o responsável do cemitério, pois ele anda cheio de dinheiro e andam a dizer muita coisa acerca dele.

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