Iva Cabral: “Amílcar Cabral não precisa de estátua, será recordado pelo que fez pelo país”

12/06/2015 07:52 - Modificado em 12/06/2015 07:52

Iva CabralNuma publicação na rede social facebook, a filha mais velha de Amílcar Cabral mostra a sua indignação em como está a ser tratada a estátua em memória do pai que fica situada na Várzea. No post, a Reitora da Universidade Lusófona de Cabo Verde pede mesmo que esta seja retirada.

Depois de ter ouvido o Ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, dizer que o mercado do Platô será transferido, provisoriamente, para o local em frente da estátua, Iva Cabral, historiadora e investigadora, diz que o Memorial “Amílcar Cabral”, para ser património nacional tem que ser um lugar de memória e um símbolo que representa um momento crucial na história do país.

Declaração de Iva Cabral no Facebook:

“Ontem à noite estive a escutar, distraída, uma entrevista do nosso Ministro da Cultura, Dr. Mário Lúcio sobre a organização dos festejos dos 40 anos da nossa Independência. A certo momento, a jornalista fez-lhe uma pergunta sobre a convivência, no mesmo espaço, do Memorial “Amílcar Cabral” com um Mercado de frutas, legumes e peixe. Eu já tinha ouvido falar sobre a eventualidade desse “arranjo” urbanístico, mas tinha decidido não entrar de novo na luta pela dignificação da estátua do meu pai, achando que já o tinha feito várias vezes e tinha a esperança que vozes se levantassem para demonstrar o absurdo dessa combinação.

Mas, a resposta que ouvi fez-me mudar de ideia, tinha de intervir não só como filha mas, sobretudo, como historiadora e cidadã deste país. Quando um político e homem de cultura diz que o problema da coabitação de um “Memorial” com um Mercado (quero deixar claro que estou completamente de acordo que um mercado “pode ser belo” e que não quero prejudicar a actividade económica de ninguém) é estritamente técnico, já que o dever do Instituto do Património Cultural é apenas preservar o monumento/património nacional, eu não posso concordar, não posso ficar calada!

Uma estátua esculpida por volta de 2000, não é património nacional, é pedra (ou bronze) trabalhada! Ela torna-se património nacional se representa um espaço de memória. Segundo o historiador francês, Pierre Nora, os espaços de memória, são fundamentais a qualquer sociedade porque não existe memória espontânea. Mas, um espaço “só é lugar de memória se a imaginação o investe de uma aura simbólica […] só entra na categoria se for objecto de um ritual”.

Por isso, o Memorial “Amílcar Cabral” para ser património nacional tem de ser um lugar de memória, no qual a estátua é muito mais que uma escultura, já que é transformada por rituais num símbolo que nos relembra um momento da nossa História Colectiva, é um espaço que nos faz rememorar os ideais, as renúncias, as lutas de homens e mulheres que aceitaram sacrifícios para verem a bandeira da independência nacional subir a 5 de Julho de 1975, na Várzea.

Sem esse simbolismo, sem essa “utilidade”, a estátua de Cabral não é nada, é bronze! Não tem valor nem para o património nacional, nem para a preservação da memória. Cabral não precisa de estátua, ele está morto, foi assassinado, será recordado pelo que fez, pelo que escreveu, pelo que lutou, pelo exemplo. Quem precisa de lugares de memória é a Nação, é a juventude, é o futuro.

Por isso, acho que seria mais digno, mais corajoso, que os decisores tivessem a coragem de retirar essa estátua que nada representa e só traz transtornos e embaraços a quem deveria ter o dever de defender a memória histórica deste povo. Seria mais digno para a figura de Cabral! A existência de um Memorial é uma escolha política! Se os políticos cabo-verdianos não acham útil a existência de um lugar de memória, não defendem a sua dignificação, acham normal a coexistência no mesmo espaço de um Memorial (memória) e de um Mercado (comércio) deveriam tomar a única decisão que, a meu ver, é coerente: libertar a estátua, transformá-la de novo em nada, derreter o bronze!

Eu, apesar de ser a filha mais velha de Cabral não tenho esse poder, mas tenho o direito à indignação!”

  1. Neves

    Qualquer pessoa de bom senso, sabe que o memorial AC não combina com o mercado de peixe e verduras no mesmo sítio. Porém, eu acho que não vale a pena colocar o boi a frente da carroça, não vamos fazer tempestade num copo de agua!! Em Cabo Verde há muito assunto prioritário e mais sério para nos preocuparmos!! A CMP deixou bem claro que aquele mercado é provisório (3 meses). E depois o local do memorial ainda não muito bem edificado, porque aquela zona é uma autentica achada abandonada.

  2. criola

    Haja paciência, para ouvir e ver o que está a acontecer com mimória dos nossos combatentes, vamos ter mais respeito…
    Quanto ao mercado provisório, nunca nem devia ser posto naquele local, nem em pensamento minha gente, o dinheiro que empregaram aí poderia ser empregue no mercadpo em construção (acabamento) no mercado de sucupira na zona da Várzea, isto provisóriamente, até q o mercado da Praia estivesse pronto

  3. BURKAN PIRES

    Ó IVA CABRAL PORQUÊ QUE A SENHORA NÃO CALA A BOCA QUEM FEZ ESTATUA DE CABRAL FOI MPD E O PAIGC/CV SÓ LEMBRA DE CABRAL NO DIA 20 DE JANEIRO.

  4. Elisio Semedo

    Se fosse cultivado o espírito patriótico jamais estaríamos nesta situação embaraçosa para os políticos e os decisores máximos. Não havendo essa parte espiritual, não havendo essa referência e marco simbólico, de nada serve o objecto que é um ser inanimado. Bem disse a Dra Cabral. Porque é que la em casa não se usa e nem se utiliza de qualquer maneira um prato, uma colher, um relógio, uma toalha oferecido por uma pessoa importante (avó, madinha, tio, primo, director. presidente, esposa, esposa, ,

  5. Indignado

    Es mesmo muito idiota sr Burkan Pires, não se trata de quem fez, trate-se de algo muito mais profundo mas claro que esta tua mente obtusa não conseguiria com certeza assimila-la. e não se manda uma Dama calar a boca. estupido

  6. BADOXA

    Que deitam abaixo aquela estátua ou mandá-la para as bandas do mato da Guiné Bissau e deixem de tretas.Cabral era e mercado serve melhor presente momento que um memorial mal localizado feito de fantoche!

  7. Elisio Semedo

    Caro Burkan, como podes perceber o meu nome é público e o meu endereço não é segredo para as pessoas que me conhecem. Lhe peço um único favor: saber respeitar os outros. De certeza à frente da Dra I Cabral não dirias assim nesses termos. Temos liberdade e desde que haja respeito. Faço este pedido em nome de todos aqueles que merecem respeito e respeitam os outros. Você pode discordar em tudo mas respeito é universal. Pedi muito?

  8. Semedo (antiestàtuas

    D. Iva Cabral:
    Não deixe que os carrascos do seu pai venham agora endeusà-lo. Como disse e bem, basta a sua obra.

  9. António Samba Cabral

    Doutora IVA CABRAl, infelizmente o nosso país está carregado de mercenários armados em políticos de bem. Eu que sempre acarinhei o actual ministro da? O quê? Ah, sim, da cultura…. Até cheguei a defendê-lo nos jornais, mas… Não vale a pena. Então o homem só olha para o dinheiro e é para a nossa desgraça colectiva ministro de cultura. Cultura que Amílcar Cabral elegeu como pilar da luta para a emancipação do povo. Cabo Verde é um país de gente perversa, vaidosa e traiçoeira. Paciência, digo e.

  10. Joca Mendes

    Gente é vergonha termos pessoas e políticos pensando desta forma. Amílcar Cabral está morte não consegue responder a ninguém e nem era preciso. Porque cidadãos deste pias lhe deve este merecimento, Jamais o povo aceitaria que alguém fizesse algo que colocaria a estátua e memorial de um dos melhores heróis nacionais em causa, porque seria ma enorme falta de respeito para este digníssimo povo. Para mim tanto faz, Carlos Veiga, Pedro Pires, Aristides Pereira, José Maria Neves, Jorge Carlos Fonsec

  11. Maria da Paz

    Concordo C a Iva Cabral.Mas gostaria de relembra-la que este sítio esta a ser mal tratado há muito tempo.A I. Cabral não se lembra que qd o Filú asfaltou a av.cidade Lisboa o estaleiro foi instalado à volta do memorial? os trabalhadores da obra faziam as suas necessidades fisiológicas e refeições nas escadas do memorial deixando ossos,resto de comida, e todo o tipo de lixo. E quem criticou o desrespeito pl memorial em julho/2005 foi o Ministro António Jorge Delgado, mas a Iva não se prenuncio!!

  12. Maria da Paz

    Temos que deixar de criticar só qd nos convém, pq senão perdemos a credibilidade.Em 2005 nas comemorações dos 25 anos da independência o memorial estava completamente abandonado pela CMP do Filú, havia até ratazanas passeando no memorial devido ás porcarias deixadas pelos trabalhadores da obra da Av.C.Lisboa mas o IIPC e nenhum dos conhecidos historiadores, apoiaram o então M.C. António J.Delgado nas suas críticas à CMP.Na altura ficaram todos caladinhos, mas mais vale tarde…..

  13. Nhelas

    Esta senhora é natural de qual país?

  14. Para Maria da Paz

    A Maria da paz enganou se nos nº não foi em 2005 o António Jorge Delgado foi Ministro ate 2001, isto que esta a dizer aconteceu em 2000 sim. Mas é verdade que o memorial foi sempre mal tratado desde 2001. Mas ate hoje nem o IIPC,nem historiadores, nem combatentes reclamaram de nada.

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