Levanta-se o véu sobre a violência: o crime contra vida tornou-se banal

10/06/2015 08:17 - Modificado em 10/06/2015 09:05

agressãoA morte de Tiago Almeida levantou o véu sobre o tema da violência que alguns não querem ver, porém, questiona-se para quando serão tomadas medidas contra a violência que assola Cabo Verde. Constata-se um aumento de meninos de rua no Mindelo. Muitos deles estão nas portas dos supermercados, dos cafés, a pedirem comida e quando não são atendidos dão “rabada de oi” e não ficam satisfeitos, porque acreditam que todos têm um tostão para lhes matar a fome, assim como os mesmos dizem.

“O violento crime deste fim-de-semana do Mindelo só veio trazer mais à tona o barril de pólvora em que se tornou a nossa cidade. Não há milagres e só quem anda nas ruas de olhos tapados é que não espera que o pior aconteça, com a quantidade absurda de pedintes nas portas das lojas e cafés, a indústria da paródia que coloca marcas de cerveja a patrocinar festas nos Liceus perante o silêncio das autoridades, os crimes de abusos sexuais contra menores que aumentam”, afirma João Branco num post. E o homicídio de Tiago Almeida fez com que algumas questões fossem colocadas às entidades responsáveis por alguns internautas:

“’Meninos de rua’ estavam praticamente desaparecidos das ruas do Mindelo, voltaram para as ruas e em massa. Porquê? Como? Onde está o ICCA? Onde estão as instituições competentes? Onde está a justiça? Onde está a lei para proteger estas crianças adolescentes e a família?”, questiona Rodrigues na sua página do facebook. Outros avançam ainda:

“Quem é responsável pelo abandono das crianças na rua? Quem é responsável pelos pais bêbados, desempregados, quem é responsável por uma política sem plano social, sem emprego para as pessoas? É fácil culpar os pais, culpá-los pela educação que não dão aos filhos. Qual educação se eles próprios não tiveram a oportunidade de frequentarem escolas e vivem frustrados por não terem como ganhar a vida dignamente”, pergunta Figueira.

São algumas questões que muitos pedem resposta e intervenção do Governo, directamente à Ministra da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos, Janira Hopffer Almada e há quem escreva num artigo de opinião dirigido à Ministra. Monteiro escreve que “as pessoas vivenciam a naturalização da violência nas cidades. Crime contra a vida ou contra a liberdade já não é mais algo que eventualmente se houve falar nos telejornais ou se assiste nos filmes, é algo que se presencia, que se sente… É nesse sentido que apelamos com veemência às instituições públicas e privadas que se unam para resolverem essa questão… Urge reflectir. Urge dar solução… Urge agir em conformidade… Urge recriar a nossa sociedade. A sociedade de morabeza que sempre foi.”

  1. Precisamos todos, sair à rua e dizer basta sobre a Violência. S.Vicente precisa do seu repouso de antigamente quando as pessoas andavam nas ruas livremente a qualquer hora do dia.

  2. Ema Rodrigues

    Senhora. Ministra da Juventude:

    Espero que aproveite desta ocasião – a nunca mais aparecer – para deixar marca positiva da sua passagem pela pasta da Juventude.
    Muito obrigado

    Ema Rodriges

  3. Andrea Fortes

    [Mais parece um disco riscado mas dada a sua actualidade não perco a tentação de enviar este comentário]

    “Crianças sao flores da revolução”. Maldita a hora que esta frase foi formulada. E os homens, nao esquecer tambem as mulheres, estonteadas com os slogans ilusórios da revolução perderam todo o controlo sobre o seu desejo sexual.
    Milhões foram investidos em campanhas de consciencialização sobre uma reprodução responsável, milhões foram investidos em artigos anti conceptivos, dinheiro perdido, tempo perdido.
    A libido incontornável e indomavel falou mais alta, a cabeça deixou de funcionar, a noção de responsabilidade desapareceu e o resultado está à vista de todos.
    Uma paternidade irresponsável, crianças trazendo ao colo crianças, miséria alargada e o pior ainda essa explosão duma população jovem e sem nenhuma perspectiva vai funcionar como uma bomba atómica debaixo desta sociedade.
    Crianças que na verdade deveriam ser umas flores e como tais tratadas, pois nao pediram para vir para este mundo, foram finalmente as maiores vitimas da revolução.

  4. Firmino Lima

    Estranho que nenhum membro do governo se pronuncia sobre este trágico acontecimento

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