Opinião: É Triste… Triste… Ver… Mindelo assim

8/06/2015 08:09 - Modificado em 9/06/2015 08:26

É Triste.. Triste… Ver… Mindelo assim

Ex ma Sr.ª Ministra da Juventude
Dr.ª Janira Hopffer Almada

COMPORTAMENTOS DESVIANTES DE CRIANÇAS DE RUA E SUAS CONSEQUÊNCIAS NAS COMUNIDADES

Um pequeno intróito… deste Laisser Faire… Laisser Passer

A adolescência é caracterizada como uma fase de transição na qual ocorrem transformações de carácter físico, social e psíquico, associadas a períodos de vulnerabilidade e incertezas, pelo que um certo grau de comportamentos de experimentação seja normal. Simões (2007) enuncia diversos factores de risco associados a esta fase, nomeadamente problemas de comportamento precoce, elevada impulsividade, baixo nível de autocontrolo, baixo nível de competências sociais, fraca auto-estima, fraco sentimento de identidade pessoal, entre outros que podem levar aos tais comportamentos desviantes.

Um comportamento desviante pode ser definido como um comportamento que seja contrário aos padrões e normas aceites como correctos numa determinada sociedade. O fenómeno da delinquência juvenil é uma realidade cada vez mais preocupante na nossa sociedade. Na fase crucial da adolescência acontecem a maior parte dos comportamentos desviantes que podem originar percursos delinquentes.

O termo comportamento desviante remete-nos para uma perspectiva sociológica. É mais amplo, referindo-se a actos transgressivos ou a violações de normas ou expectativas sociais que são considerados inapropriados socialmente (Matos, 2002; Rutter, Giller, & Hagell, 1998; Sá, 2002; Vermeiren, 2003 cit. por Lemos, 2010). Segundo Negreiros (2003), a frequência de comportamentos desviantes parece aumentar consideravelmente entre os 12 e os 17 anos, verificando-se após um declínio bastante acentuado a partir do fim da adolescência.

Para perceber o que leva o jovem a ter determinados comportamentos é importante conhecer a sua estrutura familiar.

Qual a origem dos comportamentos que levam os adolescentes a revelarem comportamentos de:

•Indisciplina;
•Marginalidade;
•Toxicodependência;
•Violência;
•Delinquência;

Algumas das possíveis causas dos comportamentos desviantes, nos adolescentes podem estar na:

•Desagregação Familiar,
•Pobreza socioeconómica,
•Violência e privações múltiplas
•Negligência ou mesmo abandono

Por isso…

Há uns tempos a esta parte que, tenho trocado impressões com um grande amigo meu da Policia Nacional, sobre o regresso dos Albergues – Casas de Correcção (onde outrora saíram Grandes Homens desta terra). Onde estes jovens que, hoje, deambulam pelas ruas de Mindelo e, de outras cidades, possam ser recolhidos e levados a outros rumos e a outra educação.

Sabemos que em todas as sociedades temos grupos com comportamentos desviantes (as relações sociais como as percebemos, elas se transformam ao longo dos anos. Hábitos, Crenças do passado não fazem mais sentido na sociedade actual, valores de moral e ética se misturam com a necessidade de sobrevivência e justiça imediata. Sociedades onde o Ter perpassa o Ser… para R. K. Merton, grande parte do comportamento desviante ocorre quando os indivíduos adoptam meios “ilícitos” para atingir objectivos “lícitos”, devido à dissociação entre as aspirações socialmente prescritas e os meios disponíveis para realizar essas aspirações)… mas com trabalho social e com cooperação entre instituições deste foro – Públicas e Privadas – estes problemas que nos assolam poderiam ser resolvidos.

É triste ver, Mindelo cidade outrora pacata, estar a viver um período de descontrolo social (A ANOMIA – palavra é de origem grega, ‘a’ + ‘nomos’, donde ‘a’ significa ausência, falta, privação, inexistência; e ‘nomos’ quer dizer norma; anomia significa, portanto, ausência de normas de conduta, indicando desvio de comportamento – Durkheim em Estudo sobre a Divisão do Trabalho Social) e, sem qualquer perspectiva de sofrer alteração deste quadro… o desvio social é provocado pela falta clara de uma educação latente… e de uma exclusão social provocada também ela tanto pelo abandono escolar como pelas famílias de sangue Monoparentais (ocorre quando apenas um dos pais de uma criança arca com as responsabilidades de criar o filho ou os filhos.Tal fenómeno ocorre, por exemplo, quando o pai não reconhece o filho e abandona a mãe, quando um dos pais morrem ou quando os pais dissolvem a família pela separação ou divórcio) sendo que na maior parte das vezes é a mãe quem fica com a tutela… mas nem sempre ela consegue garantir os 100% da educação-base necessária, levando a que muitos dos jovens venham parar à rua.

Mas também identificamos outro problema grave, as próprias famílias na busca do sustento (não é desemprego… catem traboi mesmo… uma coisa é emprego e outra é trabalhar) enviam as crianças à cata de tostões na rua. Obrigam-nas a vender o corpo, “bugigangas” para ganhar o dia-a-dia…. isso também contribui para o aceleramento da “inserção” nas ruas e noutros males (drogas, álcool, roubos e assassinatos)… Ver um jovem como este Tiago Almeida que estava no inicio da vida ser ceifado por outros jovens sem conduta e sem orientação.

É triste… triste…

Sendo nós Presidente de uma Associação de caris Social solicitamo,s sem demoras, a reabilitação do Albergue que fica na estrada da Baía das Gatas.. para colmatar esse problema social se torna grave a cada minuto que passa…

E o resultado é este… ataques e morte de gente que tem o direito à livre circulação como rege a nossa constituição… a violência urbana, os crimes contra a vida, contra a ordem pública, contra o património e contra a liberdade, estes têm se tornado cada dia mais comuns. as pessoas vivenciam a naturalização da violência nas cidades, crime contra a vida ou contra a liberdade não é mais algo que eventualmente se houve falar nos telejornais ou se assiste nos filmes, é algo que se presencia, que se sente…

É nesse sentido que apelamos com veemência às instituições publicas e privadas que se unam para resolver essa questão.. Urge reflectir. Urge dar solução… Urge agir em conformidade… Urge recriar a nossa sociedade. A sociedade de morabeza que sempre foi.

 

Deluca Leite Monteiro

  1. Ema Rodrigues

    A proliferação da marginalidade é inadmissivel no nosso pais e, se isso acontesse, é porque não debruçam sobre as prioridades para avançarem em actos de pura megalomania que, a breve trecho, vão conduzir Cabo Verde à bancarrota cultural e econômica na sua totalidade.

  2. Paris lizete

    a nosa terra esta como brazil

  3. Niva

    Juventud pirdid, onde ICCA que tava acolhe ix menin d rua!? Min. da Juventude meste tmá um providencia urgente, mod sociedad cada dia t passá t vrá + perigoso, e inseguro… tcheu gent do bem ta baí enkuant kix katem nehum objetivo na vida, as ke te valoriza vida d ninguém, só mente assassina te meste ser banid da sociedad, STOP VIOLÊNCIA, STOP IGNORÂNCIA!! morré um grande amigo meu Tiago, e até Hoje um ka t acredita kel ka tá nes mundo, ninguém te imagina dor ke sê família te passá…

  4. Kiki Lima

    Meu caro Deluca, jovem dinâmico, interessado e interessante. Penso que ninguém pode discordar das tuas, nossas, constatações e preocupações. Mas, os albergues e casas de correcção não são solução. Ou melhor, são soluções de curto prazo para camuflar, reduzir, minimizar. Reduzir ou minimizar significa que ficam restos que continuam a operar. Mas não resolveu, nem resolverá cabalmente. É paliativo, é aspirina. Esta receita é antiquíssima. A fonte do problema continua a fornecer problemas escondidos e, anos depois o problema surge com anticorpos resistentes, com maior gravidade, mais difíceis de resolver, exige mais meios financeiros e é fácil deixar de fazer quando não há dinheiro. Isto não é novidade. É preocupante constatar que os políticos, o Governo não tem como objectivo eliminar o desemprego, mas sim reduzi-lo, minimizá-lo. Encaram o desemprego como um problema irresolúvel. Por isso nunca pensam numa solução a sério. No fundo não lhes interessa resolver. Se os políticos resolverem os problemas ficam sem o que fazer sem se justificarem, sem funções nem empregos no funcionalismo. Precisam dos necessitados para existirem. O pior é quando os necessitados se rebelam. Barriga vazia não deixa pensar bem. Não dá tempo para pensar. Não pensando, faz-se a primeira asneira que vem à cabeça. Somos tão modernos, tão contemporâneos, de nível médio. Alguns dirão que o problema é mundial. Qual o nosso interesse em imitar um péssimo problema internacional? Porque sendo diferentes ficamos fora da comunidade mundial? Na verdade pertencemos à comunidade internacional e nem por isso estamos melhores. O que nos impede de fazer diferente? É um problema tão grande que economistas (temos muitos actualmente) não conseguem resolver porque são políticos. O problema, para mim reduz-se à relação entre oito e oitenta que comanda a nossa sociedade. Fazendo umas contas caseiras diria que a média entre oito e oitenta é quarenta e quatro. Quarenta e quatro mil escudos por mês a cada um dá para desenrascar. Demagogia? Valha a caricatura. Mas a verdade é que, querendo realmente solução temos de atacar a raiz do problema: acabar com o desemprego. É possível. Dar a todos o mínimo (para não dizer o máximo) que lhes permita resolver as suas necessidades, em vez de ser o Estado a resolver-lhes os problemas. Proporcionar melhor educação escolar (não só mais diplomados) formando gente mais pensante, menos gente que espera que Deus tem a solução para tudo, melhores família. As famílias só fazem o seu papel se tiverem recursos suficientes para resolverem os seus problemas. Isto é elementar, básico. Ninguém vai à casa dos outros para lhes resolver os problemas, muito menos quando todos temos os mesmos problemas. Falta de solidariedade? Com desemprego, seja pouco ou muito elevado, não vamos lá. Por mais que reclamemos. Ficamos todos sujeitos às nefastas consequências com que todos os dias deparamos. Aspirina não cura cancro. Cancro, por enquanto, não tem solução. O melhor remédio é prevenção. Vida saudável.

  5. Carlos Silva - Ralao

    Acrescentando mais países a lista da Paris Lizete, EUA, Portugal, França, Moçambique, Africa do Sul, etc…, esta lista seria interminável de países, ou seja, esse fenómeno é mundial, mas como o nosso país é pequeno a influência é maior porque a maioria das pessoas se conhecem e estão interligadas. Onde estão os militares na rua, junto com a polícia para garantir a nossa segurança? Até a criação destas casas de correção exigimos este patrulhamento o mais urgente possível!!!!!!

  6. raul kazuza

    Lizete, vivo no brasil ha 10 anos e de tanto andar sozinho na rua pela madrugada nunca fui assaltado nem esfaqueado. Cuidado para n reproduzir o que ouviu falar sem reflexao e sem ter vivido uma realidade (pre-conceito). Brasil esta melhor que SVicente, nao acredite em td o q ouve ou ve na TV. Ha um motivo pelo qual so passa coisa ruim na Tv. Desligue a televisao e va ler um livro, para que possa ter condicoes de mobilizar o povo para exigir ao governo uma outra forma de governar. Abraco!

  7. raul kazuza

    Matematica simples.. se Cabo Verde é pobre, tem 1000 habitantes e só tem 1,000 escudos. Se 10 governantes ganham 150 escudos resta 850 escudos para dividir por 990 habitantes. Com qto fica cada um? Nao conseguiu responder? Pois é, existe uma razao pela qual n te exigiram ser bom em matematica na escola. Tambem nao te ensinaram sobre consciencia de classe, nem politica. Nao te ensinaram a estudar. Assim podemos continuar “ta manda boca” sem mudá nada. Enquanto isso, carros importados Há dinheiro!

  8. Julio Goto

    Janira deve stod e ta erri paque dente ca faltal pa mostra. Ses extrategia e fasta Soncent economicamente de Rep de Santiago e aproximal na delinquencia .
    …Rapasis nobos bem Lisboa busca vida …
    Atcha vida atcha sabura …
    Na sabura es da cu FACA.
    Es bem faze disgrasa xuja nomi dum Povu
    Povu di Santiago e tchomado P. sinal di medu.
    Norberto Tavares (recordar e viver)

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