Países Africanos ignorados na discussão do novo Acordo Ortográfico

2/06/2015 06:37 - Modificado em 2/06/2015 06:37

CPLP_acordoA discussão sobre o novo Acordo Ortográfico nos países lusófonos foi bipolarizada, considerando que o debate foi dominado por Portugal e Brasil, ignorando os outros países falantes da língua portuguesa, defendeu o linguista moçambicano Feliciano Chimbutane.

Segundo noticia a Lusa, “o grande problema sobre o Acordo Ortográfico reside no facto que, inicialmente, dizia respeito a Portugal e Brasil apenas e as outras nações foram simplesmente levadas na trela. Não houve atenção de integrar as preocupações das outras nações”, disse o professor de linguística da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, a maior de Moçambique.

Para o investigador moçambicano, as intenções do novo Acordo Ortográfico “são boas”, na medida em que é importante que se reúnam as várias formas existentes, procurando uma uniformização da escrita na língua portuguesa.

“A escrita é resultado de uma convenção, as pessoas sentam-se e decidem como deve ser a escrita”, afirmou Feliciano Chimbutane.

Por sua vez, a especialista em línguas Fátima Ribeiro considera que a questão do novo Acordo Ortográfico não possui nenhuma relevância para Moçambique, na medida em que o país ainda tem muitos problemas que deveriam constituir prioridades, escreve a mesma fonte.

“Nós não temos capacidade financeira para aplicar tudo aquilo que a adesão ao Acordo Ortográfico implica, por exemplo, a questão da revisão dos livros escolares, a formação dos professores e dos próprios jornalistas”, afirmou Fátima Ribeiro.

Para a especialista, o Acordo Ortográfico não atingiu o seu principal objectivo que era o de uniformizar a escrita entre Portugal, Brasil e os outros países falantes da língua portuguesa.

Fátima Ribeiro entende ainda que o novo Acordo Ortográfico não contempla todos os aspectos que deveria, ilustrando, a título de exemplo, a questão das influências que o português está a ter das línguas bantu.

Fátima Ribeiro disse também que o ensino bilingue, que está a ser introduzido no ensino primário em Moçambique, vai diminuir o contacto que as crianças têm com a língua portuguesa, principalmente nas zonas rurais.

“A língua portuguesa, com o ensino bilingue, vai entrar apenas como uma disciplina. Sendo a escola um importante meio de difusão da língua, tenho uma certa reserva sobre o que será da língua portuguesa”, adiantou a especialista.

  1. Bon Dia,

    Sima specialistas na assunto fla, acordo ortográfcico sta trazi só problema, non só pa Portugal ku Brasil más pa otus nasons ki ta fala Português como sugundu lingua.

    Axu ki Cabo Verde i kelotus paises di África debi ê xinti orgulhu di ses lingua kes ta fala pamodi pa alguns kuzas kin ten stadu ta odja tem mutu otus prioriadis pa kes pais li di ki fika ku basofaria na tenta ben fala un lingua ki nen própi kenha kê Português sabi fala.

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