Empreendedorismo: “Imaginação, o início de tudo”

2/06/2015 06:24 - Modificado em 2/06/2015 06:24

SNAntónia Santos, nascida em Fajã de Baixo, ilha de São Nicolau, tem 34 anos de idade. Conhecida por Tanha, sempre foi criativa usando a imaginação na criação dos seus objectos. Trabalhava como balconista num mini-mercado mas, nas horas vagas, usava sempre a sua imaginação. Questionada sobre a existência de empreendedores na família, ela respondeu que as suas origens nunca estiveram ligadas ao empreendedorismo, sendo que o pai era ligado à agricultura e a sua mãe aos trabalhos domésticos. Todo o empreendimento começou depois de sentir a necessidade de ter o seu próprio negócio, pelo que optou por fazer do seu hobby o seu ganha-pão.

Antónia trabalha 5 horas por dia, sem dias de férias. O seu trabalho exige muita calma porque tudo é feito à mão, sem ajuda da máquina o que torna tudo um pouco delicado. Revelou ainda que “a arte faz parte da minha vida, por isso, faço com muito carinho. É sempre bom quando você faz uma peça de arte e as pessoas gostam e valorizam. Isso é um motivo de incentivo e de satisfação e de vontade de seguir em frente”.

Começar um negócio como uma opção de vida, sempre foi o sonho de Antónia Santos, mas faltavam possibilidades, “serapilheira, sola sapato microp, cola, papel eva, garrafa pet, tecido, cola quente, linha, fibra de bananeira, são materiais que utilizo para fazer as minhas peças, como bolsas, sapatos, pulseiras entre outros, e os materiais são difíceis de encontrar”.

A confiança é a principal forma de resolução de possíveis problemas, como por exemplo, o excedente de produção que muitas vezes é vendido a baixo custo ,acredita Antónia Santos. Utiliza as novas tecnologias e diz que beneficia directa e positivamente no desenvolvimento do negócio e que também ajudam nas boas relações com os clientes.

Antónia Santos tem clientes em São Nicolau e em algumas das outras ilhas. O seu trabalho é reconhecido mas nem sempre ela é conhecida e é, neste sentido, que gostaria de viajar para as outras ilhas e mostrar o seu trabalho, mas isso não tem sido possível, pois não tem apoio.

Motiva outras pessoas com exemplos práticos e directos, mostrando-lhes que devem correr atrás dos seus sonhos, sempre com fé e confiança. O sucesso e a vontade de progredir são factores que fazem com que aprenda todos os dias, veja o erro como uma possibilidade de aprendizagem.

Antónia Santos deixou uma frase para as pessoas que pretendem iniciar um negócio, “na conjuntura actual tem-se que se pensar muito bem antes de se dar um passo tão importante. Em primeiro lugar, ser humilde, mostrar que se tem a capacidade para seguir em frente e lembrar que os clientes têm sempre razão”.

  1. Ondina Fortes

    Quanto ao teu conselho no que refere humildade tenho as minhas dúvidas pois de humilde temos muito pouco. Somos todos bons, somos sempre os melhores, somos inexplicavelmente orgulhosos e não suportamos críticas que não sejam apenas de elogios. E quanto mais se a crítica fôr feita por um estrangeiro. Neste caso o mundo é pequeno para a nossa raiva e indignação. Isto abrange todas as classes sociais bem assim também como os nossos membros do Governo. Dir-se-ia uma questão de mentalidade e cultura. Está claro que tal comportamento e atitude é fatal para o desenvolvimento e o empreendedorismo.
    Outra coisa não seria de esperar numa terra em que quase todos são “doutores e engenheiros” apesar da maioria ser doutor da mula russa. Só estamos dispostos a aprender quando saímos para fora das Ilhas isto é quando emigramos.
    No que respeita a que “o cliente tem sempre razão” infelizmente ainda vale a máxima ” si bô crê bô cré si bô câ crê tchal lá”. E quem sabe: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
    Antônia muito sucesso com as as tuas actividades artísticas e que sirvas de referência para muitos dos nossos patrícios.

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