“a resposta do governo em relação aos desalojados é insuficiente e incompatíveis”

29/05/2015 07:27 - Modificado em 29/05/2015 07:27
| Comentários fechados em “a resposta do governo em relação aos desalojados é insuficiente e incompatíveis”

euricomonteiro2O deputado do MpD pelo Fogo, Eurico Monteiro disse hoje, no Parlamento, que a resposta do Governo foi “claramente insuficiente e incompatível” tendo em conta as “situações dramáticas” por que passam as pessoas desalojadas devido à erupção vulcânica. E justifica afirmando que “apesar da garantia do primeiro-ministro de que a falta de recursos não seria argumento utilizado pelo Governo, passados seis meses do início da erupção vulcânica, a desorganização reinante é inaceitável.

Há enormes dificuldades de abastecimento de água, famílias com 10 membros a viver numa só tenda… famílias despejadas de casas alugadas por falta de pagamento de renda e outras que abandonaram as casas por vergonha e pressão dos proprietários que não recebiam as rendas prometidas pelo Estado”.

O deputado afirmou que “grande parte das famílias já voltou à Chã das Caldeiras, vivendo em barracas, funcos e parte das casas anteriores, sem qualquer apoio financeiro e à mercê das cestas básicas”. Em relação à habitação, diz que as ‘Casas Para Todos’, antes prometidas por José Maria Neves, continuam fechadas passado mais de um ano da sua conclusão e a reabilitação das casas de 1995 que deveria começar em Janeiro, nem sequer arrancou. O deputou afirmou que “na verdade, tudo tem de ser comprado pela protecção civil para depois ser distribuído pela Cruz Vermelha. Numa quinzena, cada família recebe cerca de 1 a 1,5 quilogramas de frango e de peixe. As famílias não têm água em casa e não dispõem sequer de dinheiro para comprarem uma lata de água… a compra de medicamento é uma autêntica dor de cabeça, tendo de mendigar às vezes durante dias, pelo que muitos acabam por desistir”. Para terminar com essa situação defendeu que se deve dar dinheiro às pessoas para fazerem a sua gestão, fazendo as suas opções em função das suas necessidades e gostos.

“Porque se deve, no meio desse drama, acentuar o nível de dependência das famílias, criando uma relação primária de sobrevivência, matando toda a autonomia delas? Dar autonomia de decisão às famílias em certas matérias como a aquisição de certos bens e dispensa de outros, deve ser parte da reconstrução do seu modo de vida”, realçou.

O Ministro dos Assuntos Parlamentares e Defesa Nacional não concordou com a ideia de “entregar dinheiro às pessoas, pois considera que isso “foge à prática internacional e mundial”. E passou a explicar que, “normalmente o que acontece no mundo, em situações de catástrofes, é que nunca se distribui o dinheiro às pessoas. Às pessoas deslocadas, de um modo geral, são-lhes dados meios para a sua subsistência ao mesmo tempo que é feito o trabalho para a criação de condições para que elas possam ter acesso ao rendimento”. E recordou que há um projecto em curso para a reconstrução que inclui edificações novas para assentamentos e recuperação de casas anteriormente construídas, a construção da nova adega de vinho, cuja primeira pedra já está lançada e a realização de outras actividades geradoras de rendimento.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.