Ex-trabalhadores da Fábrica Favorita: “a justiça em Cabo Verde não funciona para os coitados”

27/05/2015 08:17 - Modificado em 27/05/2015 08:17

fabrica favoritaTrabalhadores da antiga Fábrica Favorita encerrada desde 2008 dizem passar por sérias dificuldades, pois têm sobrevivido graças à ajuda de familiares.

A situação dos 26 trabalhadores da antiga Fábrica Favorita continua sem nenhuma decisão por parte do Tribunal e dos proprietários que  os deveriam indemnizar  pelo tempo de serviço prestado à Fábrica extinta há seis anos.

Os ex-trabalhadores foram despedidos em Dezembro de 2008. Desde essa data, estão abandonados à própria sorte.

Dos 26 trabalhadores, apenas alguns conseguiram encontrar emprego. A maioria continua desempregada e desesperada passando por várias dificuldades financeiras, pois muitas despesas antes por eles suportadas recaíram sobre os familiares. Com o avançar da idade, torna-se cada vez mais difícil a integração no mercado do trabalho.

A situação mexeu profundamente com a dignidade de muitos dos trabalhadores. “É triste para um funcionário que trabalhou durante muito tempo e depois deixa de poder contribuir com o mais básico para os seus filhos”.

trabalhadores favoritaOs trabalhadores dizem ter perdido as esperanças, pois há seis anos que aguardam por uma indemnização por parte dos proprietários que resolveram encerrar a Fábrica. Os mesmos acreditam que “a justiça em Cabo Verde não funciona para os coitados”.

Os ex-funcionários  dizem-se cansados de correr atrás da justiça para reivindicarem os direitos que lhes foram roubados. Os mesmos dizem estar cansados de esperar pelo pagamento da indemnização, mas que apesar de tanto tempo, continuam dispostos a lutar pelo que lhes é devido.

“Sete anos à espera de uma indemnização é sinal que a justiça em Cabo Verde não funciona para as classes desfavorecidas”, dizem os trabalhadores que dedicaram vários anos das suas vidas para a Fábrica Favorita em São Vicente.

Fernando Pio que falou em nome dos colegas diz que a situação tem sido difícil, pois são os familiares a ajudar a suportar os custos. Depois de vários anos de trabalho, os trabalhadores foram obrigados a viver na dependência dos seus parentes.

Estes  acreditam que os proprietários da fábrica não pretendem pagar a indemnização devida e têm aproveitado do tempo para se esconderem dando o exemplo do que fizeram quando resolveram dar férias colectivas aos trabalhadores quando sabiam que o objectivo não era isso mas sim o despedimento colectivo.

A extinta fábrica de panificação que marcou  a Ilha  de São Vicente pelo fabrico das  suas bolachas de trigo, hoje encontra-se abandonada servindo de lixeira e de abrigo para delinquentes.

  1. Eduardo Oliveira

    Nunca vi tamanha escândalo baseado numa péssima gerência de gansters.
    Inacreditàvel que isso tenha suceddido à Fabrica Favorita, a maior empresa de panificação de S.Vicente, quiça de Cabo Verde.
    Falência de uma loja de tecidos ainda và là mas uma padaria nuuunca !!!

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