Tortura e sequestro: vítima foi queimada com cigarros acesos

26/05/2015 07:58 - Modificado em 27/05/2015 09:19

cigarrosNesta segunda-feira, o Tribunal de São Vicente procedeu ao julgamento de uma mulher acusada de estar envolvida na prática de crime de sequestro e tortura da jovem Sueli Soaria Fortes Pinto, que foi sequestrada e torturada por um cidadão estrangeiro e por uma cabo-verdiana que a acusavam de roubo no antigo Restaurante Bolard.  

O 1º Juz Crime da Comarca de São Vicente deu ontem, segunda-feira, continuidade ao julgamento do crime de sequestro e tortura da ex-empregada do antigo Restaurante Bolard. O caso terá acontecido em 2010, no dia 8 de Maio de há cinco anos atrás.

O principal arguido do processo não se encontra no país porque conseguiu fugir às autoridades pois, segundo a vítima, este estava impedido de sair do país.

De acordo com os factos apresentados, a vítima foi sequestrada e torturada com o objectivo de confessar o desaparecimento de uma quantia de dinheiro do Restaurante, quantia que não foi especificada, mas a mesma garante que nada teve a ver com o desaparecimento e desde então espera que justiça seja feita e que os culpados paguem pelos crimes que cometeram.

Em declarações ao tribunal, um especialista da Polícia Judiciária disse que no dia do suposto crime o proprietário do estabelecimento entrou em contacto com ele afirmando que foi roubado. Ao descolar-se ao local acompanhado por um inspector da PJ, averiguaram o local e não tendo encontrado nenhum vestígio de arrombamento ou de invasão, falaram com as empregadas e não conseguiram apurar nada. Sendo assim, instruiu o proprietário a apresentar queixa já que alegava ter sido roubado.

E no dia seguinte tiveram conhecimento do caso de sequestro e tortura.

O pai da vítima que também é bombeiro, contou ao tribunal que no dia 10 de Maio recebeu uma chamada dos bombeiros que davam conta que tinham encontrado a sua filha numa situação bastante grave, pelo que se deslocou ao hospital Baptista de Sousa, onde encontrou a filha num estado definido pelo mesmo como “precário”, com marcas de queimadura de cigarros na pele, queimaduras no cabelo, cara inflamada e com os dentes cheios de sangue.

O pai diz ainda que a filha lhe contou que foi torturada também com choques eléctricos.

Ao tomar conhecimento do sucedido deslocou-se à PJ onde apresentou queixa da ocorrência, explicou-lhes que a Polícia Nacional havia recebido na noite anterior uma chamada de uma mulher que pedia socorro, mas que não conseguiram apurar nada. Esta informação, de acordo com o pai da vítima, foi-lhe facultada por um agente da Polícia Nacional. Segundo o relato do pai da vítima esta contou-lhe que conseguiu escapar porque quando abriram a porta pensaram que ela já não tinha mais forças para lutar e conseguir fugir do local, tendo sido assistida por algumas pessoas.

O julgamento terá continuidade no dia 05 de Junho devido à ausência de testemunhas que estão fora de São Vicente e também de Cabo Verde. Sendo assim, foi enviada uma Carta Precatória que é um instrumento utilizado pela Justiça quando existem indivíduos em comarcas diferentes. É um pedido que um juiz envia a outro de outra comarca.

Assim, um juiz (deprecante) envia uma carta precatória para o juiz de outra comarca (deprecado) para citar/intimar o réu ou intimar a testemunha a comparecer aos autos. É uma competência funcional horizontal, não havendo hierarquia entre deprecante e deprecado.

  1. Maria José

    E como fugiu o acusado? Ai as nossas autoridades…! Ai ai ai ai ai.
    Agora é pedir extradicao para ser julgado em Cabo Verde. Poem a rede diplomática a funcionar. Dao trabalho aos diplomatas.

  2. Cardosinho

    Não é acessos, mas sim acesos!

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