Filho de Khadafi quer ser julgado em Haia e não na Líbia

2/08/2012 02:35 - Modificado em 2/08/2012 02:35
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Saif al-Islam Khadafi quer ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional em Haia e não na Líbia, onde se encontra detido. Foi acusado por crimes contra a humanidade e defende que, se for executado na Líbia, isso será um assassínio.

 

“Não tenho medo de morrer, mas se for executado depois de um alegado julgamento isso deve ser considerado um assassínio”, defendeu o filho do coronel Muammar Khadafi, citado pelo seu advogado.

 

Saif al-Islam Khadafi, de 40 anos, está detido na cidade líbia de Zintan depois de ter sido capturado em Outubro do ano passado, e as autoridades líbias têm recusado entregá-lo para ser julgado em Haia, alegando que deve enfrentar a justiça no seu próprio país.

 

Filho do coronel Muammar Khadafi que liderou a Líbia durante mais de 40 anos até ao derrube do seu regime, no ano passado, Saif al-Islam chegou a ser considerado o braço direito do pai e o seu provável sucessor. O coronel foi capturado pelos rebeldes e morto em Agosto de 2011 e Saif al-Islam acabou por ser detido pouco depois e acusado pelas atrocidades cometidas pelo antigo regime líbio.

 

Este apelo de Saif al-Islam Khadafi para ser julgado em Haia sucede-se à detenção, em Junho, de um advogado de defesa e três outros funcionários do Tribunal Penal Internacional, em Zintan, após um encontro com Khadafi. Os membros do TPI estiveram detidos durante três semanas depois de alegadamente terem tentado obter um depoimento de Saif al-Islam e de lhe terem entregado um documento secreto e equipamentos de gravação, o que foi considerado pelas autoridades sírias um atentado à segurança nacional. A delegação do TPI era composta por Melinda Taylor, a advogada nomeada pelo TPI para defender Saif al-Islam, um intérprete libanês e outros dois funcionários do tribunal, um russo e um espanhol.

 

Nesse encontro, que durou cerca de 45 minutos, esteve presente um guarda que se acreditava ser iletrado e que acabou por impedir o depoimento, segundo documentos entregues ao tribunal citados pela Reuters. “Na verdade o guarda era Ahmed Amer, um conselheiro que fala diversas línguas e que foi deliberadamente colocado na sala para enganar a delegação” do TPI. “Ele entrou na sala e, na presença do intérprete do TPI, começou a gritar que aquele depoimento era muito perigoso, que violava a segurança nacional líbia.”

 

O TPI quer julgar Saif al-Islam por envolvimento nos assassínios e na repressão dos opositores que se rebelaram contra o regime de Khadafi.

 

 

 

 

jn.pt

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