Sequestro e tortura: Julgamento começa cinco anos depois com o agressor fora do país

22/05/2015 07:35 - Modificado em 22/05/2015 07:35
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marteloEm 2010, a jovem Sueli Soaria Fortes Pinto, foi sequestrada e torturada por um cidadão estrangeiro e por uma cabo-verdiana que a acusavam de roubo no antigo Restaurante Bolard. O julgamento iniciou no dia 8 de Maio após 5 anos. Mas só que a justiça poderá ter um sabor amargo, visto que um dos arguidos, um cidadão estrangeiro, já saiu do país.

Na altura, a vítima foi trabalhar no Restaurante Bolard para cobrir as férias de uma empregada. Desapareceu uma quantia de dinheiro que a vítima não quis especificar. Mas foi público que foi torturada pelo dono do estabelecimento para “confessar o roubo”. Foi colocada dentro de um quatro e durante mais de três horas foi torturada. Na altura, disse que o patrão chegou a queimá-la com pontas de cigarro. Sueli sempre disse que estava inocente e fez a denúncia pública do caso.

Volvidos cinco anos, a vítima continua a viver o “pesadelo”. Ainda muito abalada não quis avançar detalhes de como foi espancada e torturada durante várias horas, momento que diz tentar esquecer e não consegue.

Por agora, apenas pretende que todo o mundo saiba que depois de tanto sofrimento e de luta para que justiça seja feita, finalmente poderá provar a sua inocência e ver os culpados condenados. Apesar do julgamento ter iniciado, reina um sentimento de indignação uma vez que lhe tinha sido garantido, através do seu advogado, que “o cidadão estrangeiro, o maior responsável pela tortura, estava impedido de se ausentar do país, pois os documentos estavam apreendidos mas, mesmo assim, conseguiu fugir do país”.

Inconformada com a situação questiona: “será que algum dia justiça irá ser feita?”. Tendo um dos acusados fugido do país, seja qual for a decisão do Tribunal, “a justiça nunca será feita, visto que o principal acusado, a pessoa que Suely diz que a queimou com cigarros, não cumprirá o castigo”. Isto porque o processo demorou cinco anos a chegar a julgamento.

A mesma conta que foram cinco anos de luta, subindo e descendo as escadas do Tribunal praticamente todos os dias, porque permanecia ainda um pouco de esperança que os culpados fossem castigados.

Depois de ser obrigada a conviver com a situação, medo, aflição, insegurança e temendo pela vida dos seus familiares, Sueli diz ainda não ter ultrapassado a fase, pois ainda vive com medo: “tenho muita cautela, não saio para me divertir, não saio à noite nem frequento determinados lugares que julgo perigosos”.

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