Tarrafal de Monte Trigo: Produtores satisfeitos com a nova lei da valorização do grogue

21/05/2015 07:29 - Modificado em 21/05/2015 07:29

grogueOs produtores de aguardente no Tarrafal de Monte Trigo, Santo Antão dizem estar “plenamente satisfeitos” com a nova lei da produção do grogue, pois estavam a ser prejudicados com a comercialização do grogue ilegal.

O novo programa nacional de valorização do grogue de Cabo Verde foi apresentado aos produtores. A nova lei estabelece critérios a serem cumpridos pelos produtores na produção do produto que deverá ser confeccionado estritamente com a cana-de-açúcar. Algumas regras que estabelecem a valorização do grogue têm vindo a criar divergências de opiniões entre os produtores de Santo Antão e de Santiago.

Após o lançamento da nova lei de valorização do grogue, os produtores da ilha de Santo Antão no Tarrafal Monte Trigo dizem-se plenamente satisfeitos com as regras que devem reger a sua produção.

Os entrevistados pelo NN partilham da mesma opinião e acreditam que a nova lei “veio acrescentar maior valor ao produto”.

Graciano, um dos produtores de Tarrafal Monte Trigo, diz abraçar a lei com muita satisfação, pois era tudo o que os produtores esperavam. O mesmo acredita que a nova lei veio ajudar a combater o comércio ilegal do grogue.

Também João Gomes diz estar plenamente de acordo, pois as novas regras vieram valorizar a matéria-prima e considerar ilegal a adição do açúcar durante a produção do grogue.

O entrevistado considera “puro” o grogue produzido no Tarrafal Monte Trigo, “90 por cento do grogue é puro e queremos chegar a 100 por cento quando todos os produtores passarem a respeitar as regras e não adicionarem o açúcar”.

O produtor Júlio Évora considera que a qualidade e a produção do grogue ilegal tem vindo a prejudicar os produtores, por isso, apela à justiça. O mesmo entende que com a nova lei de valorização da aguardente, tudo será diferente.

Os produtores entrevistados pelo NN foram unânimes e garantiram estarem sensibilizados. Quanto à higiene dos espaços de produção e armazenamento da aguardente, também estão de acordo com a sua melhoria.

Os mesmos garantem ainda que o produto é armazenado em pipas de madeira e de cobre assim como manda a lei, mas ainda existem muitos produtores a armazenarem em barris de plástico, agora proibidos.

Para ir de acordo com as leis agora estabelecidas, Graciano pede apoio das autoridades na compra de materiais, como cimento para o reboco das paredes e a cimentação do chão, uma vez que o tempo é escasso para conseguirem recursos, por isso, entende que os produtores precisam de uma ajuda pelo menos no início.

Ao contrário, os produtores da ilha de Santiago ouvidos pela RCV dizem que “os requisitos da nova lei obrigam-nos a fechar as portas e a mandar centenas de trabalhadores para o desemprego.

Apesar de Pina, um dos produtores de aguardente nos Órgãos, ser a favor da criação de um regulamento e da fiscalização na produção do grogue, o mesmo discorda no que toca à proibição do açúcar.

“Normalmente fazemos um bom grogue e adicionamos uma pequena quantidade de açúcar”. O mesmo entende que o açúcar também é um alimento e acrescenta que a produção do mau grogue se deve à reutilização da “recalda”.

Os mesmos acrescentam ainda que as medidas foram tomadas sem ouvirem a opinião dos produtores, pois alguns requisitos que constam na nova lei poderão levar muitas pessoas ao desemprego.

  1. Grogue de açúcar jamais. O Grogue de cana cana é originário de S.Antão, isso todo mundo sabe perfeitamente é o Centro da Produção, e todos os produtores desta Ilha é a favor dessa lei tendo em conta que este produto desvalorizou e de que maneira, logo aparece pessoas aproveitando da fragilidade das nossas autoridades, e aproveitando do açúcar e aí temos o resultado neste momento, de pessoas com problemas de saúde e até levados à morte. Acho que esta lei é benvinda.

  2. Manuel S. Mendes

    Plenamente de acordo e o que os produtores devem exigir ao Governo é o estabelecimento prévio dos preços, tendo em conta os custos com a produção. Eu concordo com a medida, mas os produtores têm de ser suportados financeiramente nesse início da exigência, considerando que para se obter aguardente puro, a quantidade da cana é extremamente grande. Daí que o preço deve ser regulado em função dos custos e os consumidores devem ter em conta que uma garrafinha deixa de ser 100$00, mas sim 1000$00.

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