Petição, resposta a Carlitos Fortes in A Semana

20/05/2015 08:15 - Modificado em 20/05/2015 08:15

20 Maio, 2015

PETIÇÃO, resposta a Carlitos Fortes in A Semana

O jornal A Semana optou por fazer um artigo intitulado KIKI LIMA ENVIA PETIÇÃO À MINISTRA SARA LOPES – Artista ataca escolha de Carlitos Fortes para Enapor”. Não publicou e omitiu, comentando apenas, a fundamentação do documento. Não discuto a linha editorial do jornal. Mas fiquei com a sensação de que, longe de esclarecer, o artigo deixou ideias erróneas que se torna imperioso esclarecer. Não o fiz antes por ter-me ausentado do país.

Porque tais declarações não correspondem à verdade, convêm esclarecer a opinião pública, à luz do meu direito de resposta e em abono de um jornalismo que se quer realmente imparcial e esclarecedor. Para isso, explico e anexo as provas documentais das declarações que aqui faço, assumindo completa responsabilidade, na esperança de que confrontando-se o que diz Carlitos Fortes com o que os documentos registam, melhor se possa opinar e ajuizar.

Pela leitura do artigo corro o risco de se continuar a pensar que devo dinheiro à Enacol e que o Tribunal tomou decisão nesse sentido, o que não é verdade, desde logo porque não era isso que estava em causa na ACP de 04FEV2015. Junto cópia da Petição – Doc. 01.

Diz-se que o assunto (referindo-se à minha pessoa) é uma “clara alusão ao contencioso que o opõe ao ex-DG da Enacol”.

É verdade que há um contencioso, inicialmente comercial, mas que se tornou também pessoal porque Carlitos Fortes e sua equipa na Enacol, mancharam o meu nome sem razão, para esconderem as suas próprias culpas, em virtude de, durante a minha exploração do Posto de Vendas John Miller, ter descoberto práticas fraudulentas e que me prejudicaram. Quando se atinge o bom nome de uma pessoa, sem razão, confrontos pessoais são praticamente inevitáveis e eu não fujo a eles, tendo em conta o quanto valorizo questões de honra, que hoje, infelizmente, são desvalorizadas. “Quem não sente não é filho de boa gente”, diz o ditado. Eu fui ofendido na minha honra e trato de a defender clara e inequivocamente. Ninguém me tira este direito.

Não fiz, porque não é de minha índole, nenhuma denúncia anónima. Enviei cópia ao próprio Carlitos Fortes para que se defendesse, caso achasse necessário. Ele não teve a mesma atitude quando, em resposta, “remeteu uma nota à Ministra Sara Lopes em defesa da sua honra”, segundo o jornal A Semana.

Mas não se trata de uma “guerrinha” entre Kiki Lima e Carlitos Fortes como se pretende fazer crer, desvalorizando-se o que a petição tem de importante. O facto de o assunto ter sido matéria de quatro acções judiciais mostra bem a sua gravidade. Estão em causa, além de difamação, que é crime punível com pena de prisão até dois anos, questões gravíssimas que foram encabeçadas por uma pessoa que o Governo, em sede de Conselho de Ministros, pretende nomear para um cargo da responsabilidade maior de uma empresa pública. Não se trata apenas de nomear um servidor público – todos sabemos a importância da ENAPOR na economia nacional.

Na medida em que não sou candidato ao cargo de PCA da ENAPOR, nem a nenhum outro cargo público, nem emprego, “o que move Kiki Lima contra Carlitos Fortes” não é, nem frustração pela decisão judicial (espero que provisória) de não pronunciá-lo no processo-crime em que é arguido por difamação e injúria à minha pessoa, nem desespero, porque a sua não pronúncia não tem qualquer consequência jurídica para mim, nem tão pouco medo de “entregar” ou pagar dinheiro de combustíveis que ele e a sua equipa não entregaram no Posto de Vendas John Miller e, fraudulentamente, me querem cobrar. Disso tenho sobejas provas que já publicitei num CD que foi alvo de uma queixa-crime de Carlitos Fortes e Enacol contra mim que foi mandado arquivar pelo Tribunal porque provei, em ACP – Audiência Contraditória Preliminar, que o que tinha dito ao jornal A Nação, não era difamação porque era verdade provada por documentos em legítima defesa do meu bom nome. Carlitos Fortes e Enacol não tiveram como contrariar as provas.

O que, assumidamente, me move contra Carlitos Fortes é que estou e estarei sempre profundamente empenhado em defender o que me custou 46 anos a construir, de carácter imaterial ou material. Reservo-me este direito ciente de que ninguém o fará por mim. Não estou disposto a deixar-me roubar e luto, justa, legítima e legalmente para limpar o meu nome manchado, recuperar os milhares de contos que me foram “retirados” na minha passagem pela ENACOL e reaver o valor do apartamento dado como garantia de caução à ENACOL e que tive de vender para saldar a Conta Corrente Caucionada no banco, entretanto inviabilizada pela Enacol.

Mas também, já que são de meu conhecimento formas de actuações danosas, é meu dever denunciar às entidades competentes e informar a opinião pública daquilo que conheço, contribuindo para que, na medida do possível, sejam corrigidas as incorrecções. É essa a minha perspectiva. Quem não tem, nem conhecimento, nem provas desses assuntos, não deve aventá-los, mas eu, tendo conhecimento e provas, não quero ser conivente, nem estou disposto a tolerar que pessoas tóxicas continuem a infiltrar-se em empresas e instituições nacionais contaminando, impunemente, a nossa sociedade com práticas incorrectas, manobras e atitudes a todos os títulos condenáveis e prejudiciais, querendo convencer-nos de que têm sempre razão porque têm um diploma ou são mestres em algo e fazendo-se passar por vítimas incompreendidas ou por pessoas de bem e as mais válidas e competentes da nossa sociedade.

Pode ler-se no artigo referido que “o pintor traz à colação uma alegada quebra de resultados da Enacol nos últimos tempos”. Não se trata apenas de uma alegação minha, ou seja, algo que digo mas não está confirmado. No site da Enacol, pode-se ler o relatório do Presidente do Conselho de Administração, no qual reconhece que em 2013 (sob a gestão de Carlitos Fortes e sua equipa) os resultados das contas da ENACOL apresentaram uma baixa de lucros de 47 por cento. Em consequência, não foram distribuídos dividendos aos accionistas, o representante do Estado de Cabo Verde e dos pequenos accionistas nacionais foi excluído do Conselho de Administração e o Governo anunciou a sua intenção de vender as acções do Estado. São factos provados e relatados também pela notícia publicada pelo semanário Expresso das Ilhas, de 3 de Maio de 2014. Portanto, são de domínio público, não alegações minhas no sentido jornalístico do termo.

Também é facto que, sob direcção geral de Carlitos Fortes, cada acção da Enacol na Bolsa de Valores de Cabo Verde, baixou de 4.300$00 para 2.800$00, em Dezembro de 2014, fazendo com que a Enacol valha hoje menos 35%, o que prejudicou os accionistas e o Estado de Cabo Verde que, vendendo as acções agora, prejudicará o erário público. Portanto, o assunto é de interesse público.

Com o subtítulo “DESESPERO DE KIKI LIMA, CONTRA-ATACA EX-DG DA ENACOL”, em letras garrafais e dedicando-se mais de cinquenta por cento do espaço do texto do artigo às declarações de Carlitos Fortes, o jornal, aparentando estar apenas a informar, acaba por sugerir, deixa no ar, a ideia de que Carlitos Fortes tem razão.

Segundo as declarações de Carlitos Fortes (ou que lhe são atribuídas pelo jornal), sou “devedor à Enacol da quantia de 11.895 contos” devido ao facto de me ter sido “…facturada uma grande quantidade de combustível que vendeu na bomba e que não entregou o dinheiro na tesouraria da petrolífera, como exigia o contrato de gestão assinado entre as partes.”

Desconheço que exista uma factura nesse montante. Como pode-se verificar pela última página, 14/14, do meu extrato de conta na empresa, Doc. 02, não existe nenhuma factura com essa importância. No mesmo documento, que é oficial, pode-se ver que, no dia 28ABR2011, data em que a Enacol assaltou o Posto de Vendas John Miller, na minha ausência, o saldo a favor da Enacol era de 2.315.722$00, resultante de uma factura por liquidar e cerca de metade de outra que eu tinha começado a pagar mas, devido ao assalto, a Enacol interrompeu o pagamento. Apesar de ilegais, por terem um prazo de vencimento imposto fora dos termos do contrato, o último pagamento foi feito em 27ABR2011, último dia de minha gestão.

Carlitos Fortes não sabe bem o que diz. Suponho que ao falar de “uma grande quantidade de combustível que vendeu na bomba e que não entregou o dinheiro na tesouraria…” está a referir-se à Factura datada de 31MAI2011, no valor de 10.030.169$00, da qual discordo e penso que não devo, pelas seguintes razões.

Dado que a Enacol usou métodos impróprios, indignos, injustificados e ilegais para assumir o posto, desrespeitando completamente o contrato e a minha dignidade, não reconheço nenhum expediente feito em meu nome na sequência do meu afastamento premeditado e forçado, a partir de 28 de Abril de 2011. Assim, não reconheço o valor final do extracto 11.930.164$00 como dívida.

Carlitos Fortes e seu “staff” querem convencer a opinião pública de que a ENACOL rompeu o contrato em 28 de Abril de 2011 porque Kiki Lima, enquanto agente, “…utilizou todo o combustível e embolsou o respectivo valor… 11.930.164$00. É o que se pode ler no articulado 40. da Acção de Providência Cautelar de Outubro de 2011.

NÃO!

O Posto de Vendas John Miller entrou em ruptura de stock porque a EQUIPA COMERCIAL DA ENACOL, NÃO ENTREGOU, NO POSTO JOHN MILLER 72.696 LITROS DE GASOLINA E GASÓLEO, que o agente vendeu nas condições contratadas, entre Julho de 2009 e Abril de 2011. Esta é que é a verdade.

O quadro abaixo, que elaborei a partir 22 Relatórios de Venda que em tempo próprio apresentei à ENACOL e 83 Facturas da ENACOL, espelha bem a realidade. Ver Doc. 03 e 04, relatórios, listagem de facturas, recibos e datas de pagamentos, – Doc. 04.

Recebi da ENACOL mais de 73.100 Litros de combustíveis para vender. É lógico que à medida que se retira combustíveis dos tanques os níveis baixam. Independentemente de eu pagar os valores correspondentes às vendas, a condição combinada e “sine qua non”  para os tanques voltarem aos níveis iniciais era a ENACOL voltar a pôr no Posto as quantidades saídas. Depois disso é que vem a facturação e pagamento. Nessa altura se eu não pagasse facturas conformes, entraria em incumprimento. Nem vender, nem deixar de pagar factura são causas de ruptura. Causa de ruptura é falta de reposição.

Fica esclarecido pelos relatórios e a listagem anexa que sempre comuniquei à ENACOL as vendas que realizava, conforme manda a Cláusula 14ª, n) do contrato e paguei as facturas, quase sempre antes das datas de vencimento. Portanto, além de ter meios próprio e eficazes de verificação das vendas tais como leitura dos contadores e registo informático, a ENACOL não pode evocar desconhecimento das quantidades vendidas para não fazer os reabastecimentos nas mesmas quantidades, assim como não poderia argumentar falta de pagamento de facturas para não fazer reabastecimentos, dando origem à ruptura de stock.

 Como se pode ver no quadro acima, nunca a Enacol repôs o nível inicial de combustíveis – 73.100 L. Os valores de reposição são sempre diferentes dos valores de venda comunicados. Assim, a Enacol incumpriu sistematicamente o contrato de consignação assinado – Cláusula 15ª, a) “Assegurar o regular e pontual abastecimento do Estabelecimento, salvo caso de força maior.”.

Não cumprindo, os níveis de combustíveis foram baixando até à ruptura. Isto não tem nada a ver com pagamentos de facturas.

O acordado era a reposição dos mesmos valores vendidos. Se a Enacol repusesse as mesmas quantidades não haveria diferenças e, após cada reposição, o posto voltaria a ficar com a quantidade inicial.

A ENACOL repôs menos 72.696 litros do que vendi (843.937 Litros menos 771.241 L). Logo, estes combustíveis que faltaram, ou ficaram nos reservatórios da Enacol (só uma auditoria poderia verificar), ou tiveram destino que desconheço, facto que o Dr. Carlitos não quis averiguar, ou pretendeu esconder quando lhe propus auditoria externa para esclarecer o assunto. “Quem não deve não teme”. Temeu uma auditoria. Disse ao jornal A Nação que eu …”não deveria estar a pedir auditoria, mas sim pagar o que deve e ponto final.”. Prepotência, autoritarismo, fuga e falta de transparência na gestão. Atitude própria de quem não está à vontade. Como se costuma dizer, “tem rabo preso”.

Essas diferenças, provavelmente, se devem à existência de um esquema antigo de abastecimento fraudulento que já existia antes de eu entrar para o Posto.

Uma das razões porque o Director Geral, Carlitos Fortes, instaurou a modalidade de venda à consignação quando entrei para a exploração do Posto de Vendas, é que na modalidade até então em vigor – venda ao agente – a ENACOL tinha dificuldades nas cobranças porque alguns agentes não pagavam as facturas.

O combinado no novo esquema – consignação – era a reposição das quantidades vendidas pelo agente. O combustível depositado inicialmente e após reposição pertencia à ENACOL.

Mas, esta nova modalidade não foi obedecida pela equipa abastecedora.

O camião-cisterna, deixava as instalações da ENACOL, sem se saber quanto combustível iria ser colocado no Posto e sem combinar hora de reposição com o agente. A cláusula 12ª, 1. do contrato impõe um acordo nesse sentido.

Esta prática cria a possibilidade de se fazer transbordos clandestinos antes de chegar ao Posto. Foi confirmada quase dois anos depois de eu ter saído do posto pela notícia do A Nação de 21/27 de Fevereiro de 2013, dando conta de despedimento de trabalhadores da ENACOL por terem sido apanhados a bombear combustível perto do campo de golfo. A culpa deste procedimento, que não é normal num processo de venda, não pode ser imputada apenas ao condutor do camião – mas não há notícia de nenhum chefe ou director que tenha sido responsabilizado.

Antes de abastecer, no Posto era feita uma sondagem aos tanques. Ao contrário do que se pretende fazer crer, a sondagem, feita com uma vara metálica flexível e que, por ser introduzida manualmente, pode ter inclinação ou pressão a mais dando lugar a uma leitura incorrecta do nível de combustível no tanque – não revela as quantidades vendidas pelo agente entre dois abastecimentos. Mostra apenas se há espaço no tanque para introduzir mais combustível.

Então, o combustível restante no camião era bombeado para os tanques sem compromisso de se pôr nenhuma quantidade específica e a quantidade bombeada era impressa na impressora do camião, ficando o original na posse da ENACOL e o duplicado com o agente. No caso do Posto John Miller, só eram impressos talões de gasóleo. Os abastecimentos de gasolina foram quase sempre registados à mão porque durante vinte e um meses a impressora esteve “avariada”.

Com estes talões é que era elaborada, no escritório, a GMP – Guia de Movimentação de Produto, que como tal – guia de movimentação – devia ter sido o primeiro documento a ser feito. Estrategicamente, este documento nunca indicava o nome do agente de destino.

A seguir eram feitas Guia de Remessa e a Factura. Isso significa que, a partir de qualquer GMP – sem nome do destinatário – pode-se fazer Guia de Remessa a qualquer cliente/agente. A GR é o primeiro documento contabilístico e só é conhecida pelo agente quando recebe a factura. Um agente descuidado que, confiando nos serviços da ENACOL, não confere talões de transbordo com o resto do processo, pode pagar abastecimentos não realizados.

É isso que aconteceu com as três facturas falsas que a ENACOL me apresentou com data de 26 e 27 de Agosto e 08OUT2009, início da minha exploração. As três facturas, no valor de 1.613.396$00, referiam-se a 18.400 Litros de combustíveis que não tinham sido colocados no Posto porque não havia talões de transbordo que os confirmasse. O responsável pelos abastecimentos, Ângelo Gonçalves (Ranque), achou que eu devia pagar e reclamar depois. Um funcionário do serviço sentenciou que nunca ninguém tinha reclamado – só eu é que o fazia. Quer dizer que isso teria já sido feito, mas sem reclamação. É claro que fiquei marcado. Tornei-me “persona non grata”.

Estas falhas foram consideradas “erro” e, para corrigir foram feitas Notas de Crédito que, contabilisticamente, anularam as facturas. Ver Doc 05, Facturas falsas e Notas de Crédito. Dei o assunto por resolvido.

Porém, no mês seguinte, 12 de Novembro de 2009, foram inseridos a crédito num recibo, os valores das facturas anuladas – Doc 06. Assim, creditou-se-me valores de facturas que já tinham sido anuladas. Deduzidos esses valores aos que realmente eu tinha a pagar, paguei, conforme instruções da Tesoureira, 721.096$00 quando contava pagar 2.458.253$00 das últimas facturas que realmente devia.

Dias depois, o responsável pelos abastecimentos, Ranque, telefonou-me com maus modos “ordenando” que fosse pagar “1.800 contos que devia à ENACOL”. Mas “não sabia” qual a origem da “dívida”. É muito estranho um chefe de serviços comerciais estar a cobrar a alguém sem saber o que está a cobrar. Se eu devesse algum produto seria esta a forma de cobrança? Naturalmente eu ia pagando facturas na totalidade mas o valor nunca desaparecia como saldo negativo na minha conta corrente – conferir com Doc 07 – paginas 3, 4 e 5/14, do extracto de conta corrente.

Foram precisas duas reuniões com o contabilista para, finalmente, confessar que eu tinha sido creditado duas vezes. Como é possível acontecer isso num programa de vendas e de gestão informática? Carlitos Fortes respondeu-me que o “erro” tinha acontecido porque era “feito à mão”.

Terminadas as obras de remodelação da Loja/Cafetaria, em Outubro2009, a ENACOL deveria ter-me entregue o equipamento necessário ao seu funcionamento. Não o fez porque Ranque retardou o processo, penso que por represália, não só por causa das facturas falsas descobertas, como por achar que eu estava a ser “privilegiado” com o contrato que me isentava de pagamento de renda, electricidade e água. Chegou a dizer em público que tinha de me “tomar o Posto”.

Como ao pagar menos do que deveria, fiquei com uma folga financeira com que não contava, comprei os equipamentos necessários para depois apresentar facturas à ENACOL para reembolso. De boa-fé, porque estava no contrato. Assim, embora quisesse, não pude devolver o dinheiro que me tinha sido creditado a mais. Para resolver pacífica, adequada e seriamente o problema, propus ao Director Comercial que a ENACOL passasse esses equipamentos para seu património com o respectivo crédito do valor na minha conta corrente. Carlitos Fortes nunca despachou a minha proposta, fazendo com que se gerasse um conflito desagradável e nada propício a negócios, entre mim e todo o sector comercial. Só em Maio de 2011 é que aceitou a minha proposta, quando entretanto, estalou a controversa falta de combustíveis e consequente rompimento ilegal do contrato. Ver email – Doc.08. A decisão não se concretizou e eu retirei os meus equipamentos quando saí da Cafetaria, em Dezembro2011.

É evidente que quem devia pagar o valor creditado a mais devia ser quem o creditou por incompetência ou propositadamente. Mas, para anular o valor de 1.802.045$00 negativo na minha conta corrente foram-me creditados 1.896.150$00 que a ENACOL me devia da segunda parte de reembolso das obras realizadas na Loja/Cafetaria. Deste modo, paguei os 1.802.045$00 que “devia” sem dever nenhum produto à ENACOL e não reembolsei parte do dinheiro gasto nas obras. Um total de 3.698.195$00 que, naturalmente fez muita diferença nas minhas contas.

Para meu espanto, a 11 de Janeiro de 2010, duas das facturas falsas, sem abastecimento, foram introduzidas no recibo 100030 – Doc 09 – e paguei 1.017.695$00 que já estavam incluídos nos 1.802.045$00 entretanto abatidos. De Carlitos Fortes não obtive qualquer resposta.

Uma pergunta se impõe: quem beneficia com esses bónus retirados da minha conta?

Há ou havia uma conta bancária, onde se fazia movimentação de dinheiros, sem passar pela Tesouraria – uma provável caixa dois ou “saco azul” que Carlitos Fortes negou existir. Mas foi dessa conta que me foram pagos 1.193.687$00, que não constam do meu extracto de conta e, consequentemente, não faz parte da contabilidade oficial. Como eu tinha dito, no âmbito do processo de Providência Cautelar, que “oficialmente” a ENACOL me devia esse dinheiro, para “rebentar comigo em Tribunal”, como disse Ângelo Gonçalves (Ranque), foi o próprio Carlitos Fortes que saiu do Tribunal e foi buscar os documentos de prova de que tinha sido paga a importância em causa para apresentar à juíza. Os documentos que anexo, despesas provisórias, cheque e extracto de conta bancária – Doc 10 – foram-me facultados pelo Tribunal. Confirma-se assim que Carlitos Fortes tem conhecimento de uma conta bancária que, na altura tinha um saldo de cerca de 30 mil contos cujos movimentos não passavam pela Tesouraria.

Uma vez que era obrigação da Enacol “Assegurar o regular e pontual abastecimento do Estabelecimento, salvo casos de força maior” (Cláusula 15ª do contrato), e que as falhas ocorreram por culpa da Enacol como provam os documentos e o quadro acima, foi a ENACOL que criou problemas e ficou lesada por culpa própria. À luz do Artigo 570º (Culpa do lesado), do Código Civil, cabe ao Tribunal determinar se deve ou não haver obrigação de eu pagar o combustível vendido e não pago. Há um processo jurídico em curso sobre isso. Também, atendendo ao que diz o Artigo 571º do mesmo Código “Ao facto culposo do lesado é equiparado o facto culposo dos seus representantes legais e das pessoas de quem ele se tenha utilizado”. Logo, quem, legalmente, deve pagar o combustível em falta é o Dr. Carlitos Fortes e/ou a sua equipa de abastecimentos. Compreende-se a sua aflição.

Não tendo a Enacol reposto as quantidades vendidas, vendi ininterruptamente até 27 de Abril de 2011, porque havia 73.100 litros entregues inicialmente para serem vendidos em caso de falhas ou atrasos nos reabastecimentos. Era minha obrigação contratual – “O Cessionário obriga-se a vender ao público, no Estabelecimento, combustíveis e outros produtos entregues pela ENACOL ou outra entidade indicada por esta.” (Cláusula 7ª do contrato). Nada de anormal até porque não faz sentido ter combustível nos depósitos e não vender. Se fizesse isso a ENACOL acusar-me-ia de estar a infringir o contrato e a prejudicar a empresa.

Assim, é óbvio que o dinheiro do combustível vendido e não facturado, cujo valor real nunca foi apurado, ficou do meu lado inconscientemente. Não se trata dos tais 11.895 contos que Carlitos Fortes atirou para o jornal A Semana, nem de nenhum outro valor conhecido. Inconscientemente porque: 1. Estava convencido que os reabastecimentos estavam a ser correctamente feitos. Portanto, uma vez liquidadas as facturas de combustíveis, todo o dinheiro existente na minha conta bancária me pertencia. 2. Porque, mesmo que soubesse, não é meu papel pedir à empresa que facturasse o que não me entregou. 3. Porque o processo normal era o produto das vendas ser depositado diariamente na minha conta à ordem (como me pertencendo) de onde seriam transferidos valores para uma CCC – Conta Corrente Caucionada num banco, conta esta destinada exclusivamente a pagar à ENACOL quando e se a ENACOL enviasse facturas para pagamento, no âmbito do acordo de CCC que, apesar de Carlitos Fortes nunca ter assinado por negligência, foi executado porque dei ao Banco as garantias exigidas, nomeadamente hipoteca de um apartamento para cobrir a caução de 3.000.000$00, conforme o contrato – Cláusula 25ª (garantia).

Depois de ter verificado o porquê da ruptura de combustíveis, como o combustível não me pertencia, tendo vendido mas não possuindo o dinheiro que foi entrando normalmente na gestão do Posto, mesmo sabendo que legalmente podia não pagar, declarei-me possuidor de boa-fé dos valores vendidos. “A posse diz-se de boa fé, quando o possuidor ignorava, ao adquiri-la que lesava o direito de outrem” – Artigo 1257º do Código Civil. Fiz propostas de modalidades de pagamento como pode-se confirmar pela minha carta de 22 de Setembro de 2011 à Dra. Vanda Évora, – Doc. 11 – na qualidade de Presidente da Assembleia de Accionistas, a quem solicitei intermediação no conflito porque Carlitos Fortes, incompreensivelmente, não queria negociar, na condição de a ENACOL declarar que não tinha havido “desvio” da minha parte, mas sim “erro” da ENACOL. Carlitos Fortes, não aceitou, porque isso implicaria ele ter de reconhecer erro, o que nunca faz, preferindo ir a Tribunal em vez de chegar a um acordo.

Estranhamente, a Senhora Presidente da Assembleia de Accionistas, que era de opinião de que o assunto era facilmente resolúvel falando-se com Carlitos Fortes (se tivesse bom senso), tornou-se advogada em causa própria.

Diferentemente do que diz o Mestre Carlitos Fortes, o contrato não exige que eu entregasse dinheiro, mas sim que pagasse facturas, nos termos da sua Cláusula 10ª – 1. “O Cessionário deve pagar o preço das mercadorias entregues, nos termos deste contrato, dentro dos prazos concedidos pela Enacol…” 2. “Esses prazos contam-se a partir da data da emissão da respectiva factura.”.

Assim sendo, sem factura não há dívida, nem, consequentemente, pagamento. É elementar. Portanto, legalmente, não devo à ENACOL. Isso foi explicado ao Juiz na ACP que compreendeu perfeitamente segundo expressão do próprio e, ao contrário do que diz Carlitos Fortes, não determinou (nem deveria fazê-lo em sede dessa ACP) que eu solvesse nenhuma “dívida” para com a ENACOL.

 

A FATURA QUE A ENACOL ME APRESENTOU É UMA FRAUDE, – Doc. 12.

  1. Baseia-se numa Guia de Remessa falsa – Doc. 13. A guia foi feita no dia 31MAI2011, às 16h06, 44 dias depois de eu ter deixado de explorar o Posto por imposição da ENACOL. Esta guia não é comprovada por nenhum talão de transbordo, nem GMP – Guia de Movimentação de Produtos com mesma data como seria normal. Indica que a movimentação dos produtos foi feita pela GMP 90.182, que, ardilosamente, não é acompanhada de data, mas que é de 28JUL2009, Doc. 14.

Contrariando a lógica habitual, estes documentos mostram que o combustível que a ENACOL facturou terá saído das suas instalações no dia 28JUL2009 e só chegou ao PVJM 22 meses depois, tendo percorrido apenas 250/300 metros (das instalações da ENACOL ao Posto John Miller). Caricato.

Depois de me apresentar dois valores diferentes para os mesmos 73.100 Litros, 9.518.042$00 – Doc. 14 e 10.031.180$00 – email do Director Comercial – Doc. 15, pedi factura ao Director Geral, Carlitos Fortes. Apesar de ele ter mandado “proceder a imediata facturação” – Doc. 16, demorou-se vinte dias para fazer a factura que tinha-se como urgente. É que, em 28JUL2009 não tinha sido feito uma Guia de Remessa referente à GMP 90.182 – incompetência, negligência ou de propósito? É que assim os 73.100 L ficaram fora de controlo contabilístico.

Como o programa informático não admite datas passadas, em 31MAI2011, elaborou-se uma Guia de Remessa falsa, sem suporte real (talões de transbordo) para se poder facturar. A factura, consequentemente, será também falsa. Como não têm suporte real de qualquer combustível saído do “stock”, estes documentos podem ser, dentro esquema descrito, declarados “erro” e anulados sem consequência. É o que vimos nas facturas falsas que me foram feitas.

  1. Esta factura tem dois documentos de entrega distintos: a GMP 90.182, de 28JUL2009 que reconheço como prova de entrega, dado que, embora sem o meu nome, foi o combustível que realmente me entregaram nos dias 3 e 4JUL2009, e a Guia de Remessa de 31MAI2011, cujo conteúdo não reconheço porque não me foi entregue. Comparando a GMP, de 28JUL2009, com a Guia de Remessa pode-se constatar que os conteúdos são diferentes.

Aceitando os dois documentos estaria a admitir que a Enacol entregou-me duas vezes 73.100 litros, 146.200 litros. Pagando os 73.100 L constantes da factura, a ENACOL poderia accionar o outro documento a qualquer altura, voltando a exigir-me pagamento.

  1. A Condição de pagamento – 7 dias – não está conforme o contrato. Infringe a Cláusula 10ª (prazos) – “O Cessionário deve pagar o preço das mercadorias entregues, nos termos deste contrato, dentro dos prazos concedidos pela ENACOL, que, em qualquer altura, pode modificá-los, mediante comunicação escrita remetida ao Cessionário, com antecedência de 30 (trinta) dias.”. Não foi feita qualquer comunicação nesse sentido. Portanto, formalmente, a factura não é exequível, não é devida, porque não está conforme o contrato.
  2. A factura foi-me entregue com prazo já aspirado. Data de 31MAI2011, a data limite de pagamento (ilegal) é 07JUN2011 e foi-me entregue a 10JUN2011.
  3. Cobra mais 2.600 litros do que deveria. A Enacol entregou-me mais de 73.100 litros nos dias 3 e 4JUL2009. No dia 28ABR2011, quando assaltou o posto, restavam nos tanques 2.600 litros que deviam ser deduzidos porque ficaram na posse da Enacol. Confirma isso o inventário – Doc. 17, feito nesse dia pelo novo gestor do Posto e sobre o qual foi feita uma Nota de Crédito para “rectificar o erro”. Assim, a ter de facturar, deveriam ter sido 70.500 Litros.
  4. Finalmente, o valor da factura, 10.030.169$00 não corresponde ao valor pelo qual os combustíveis foram realmente vendidos. Está inflacionado abusivamente.

O valor da factura é 58,22% mais alto que o preço de Julho de 2009. É de ter em conta que, segundo o próprio Carlitos Fortes disse na sua carta 41/DG/11, “…estamos a cobrar o produto fornecido aquando da entrega do Posto e que na altura não foi facturado porque era a consignação.” Se é esse combustível que quer cobrar, não pode facturá-lo a preços de Abril de 2011. Deveria cobrá-los a preços da data de fornecimento ou nos vários preços pelos quais foram sendo vendidos. Há registos fidedignos.

  1. Para que eu devesse 10.030.169$00, 11.895 ou 12.000 contos como foi dito, resultante da venda de 73.100 L, ao preço da data da factura, teria de ter vendido essa quantidade no período de 09 de Abril, data da entrada em vigor dos últimos preços fixados pela ARE a 27 de Abril, último dia da minha gestão. O Relatório de Vendas de Abril de 2011, mostra que, nesse período, foram vendidos com esses preços 19.608 Litros, no valor de 2.650.687$00. Ver quadro, Doc. 18 – uma diferença de 7.379.482$00.

Concluindo, digo que os 10.030.169$00 facturados, nem os outros valores aventados, nunca existiram, nem poderiam existir. É a esta tentativa de roubo que o Director Comercial, Osvaldo Silva, chamou de “valorização de produtos”.

A acusação de desvio de 12 mil contos feita pelo Mestre Carlitos Fortes é de má-fé porque desprovida de lógica e de facto.

Fraude é crime para ser punido. Não é para ser pago, nem protegido.

Outras ocorrências graves.

Quanto a mim, a falta de combustíveis no Posto foi premeditada para justificar o meu afastamento.

Devido aos conflitos a que me referi, pedi rescisão do contrato em Novembro de 2010. Mas, antes que se concretizasse, pedi ao DG para continuar porque não tinha, como atrás vimos, recuperado o meu investimento nas obras e estava muito contrariado com a situação. Carlitos Fortes aceitou mas Ângelo Gonçalves não gostou.

Depois de se ter espalhado a ideia de que eu não pagava facturas, exigiu-me que passasse a pagar as facturas imediatamente após os reabastecimentos porque, como vendia a pronto e sendo os reabastecimentos para repor combustíveis vendidos, na altura dos abastecimentos eu já teria dinheiro para pagar.

Não aceitei porque já estava com dificuldades financeiras, derivadas não apenas às importâncias retiradas da minha conta, como porque, devido à subida de preços dos combustíveis, as facturas já atingiam o dobro do valor da minha caução impedindo o banco de cobrir as facturas. Além disso, a ENACOL devia-me dinheiro de fornecimentos a clientes Power CHIP havia mais de um ano (Agosto2009 a Novembro2010). Não havia justificação para tal exigência se as facturas tinham prazo de 30 dias para serem liquidadas e como se vê na listagem anexa, nunca deixei de pagar as facturas e, quase sempre, paguei antes do prazo.

Sem nunca me dizer nada, nem verbal, nem por escrito, a factura seguinte, Dezembro2010, trazia prazo de vencimento de 7 dias. Esta redução de prazo foi feita, sem dúvida, para me sufocar. É evidente que não conseguiria pagar as facturas em 7 dias. Efectivamente, não tendo liquidado facturas no novo prazo, a Direcção Comercial considerou que estava em incumprimento no pagamento de facturas e a decisão, segundo ele, vinda de cima, foi de que o posto não seria reabastecido enquanto as facturas não fossem liquidadas. Que interesse teria a ENACOL nisso, se poderia romper o contrato, mesmo sem incumprimento meu. Bastava que me avisasse com a antecedência contratada. Mas havia pressa e interesse na minha saída.

Expus a situação da CCC, mas nunca recebi resposta. O Director Comercial disse-me que o DG estava a par da situação e que responderia logo que tivesse resposta que nunca apareceu. Entretanto, não podendo pagar na CCC, fui pagando directamente na Tesouraria e à medida que conseguia liquidar facturas, faziam-se reabastecimentos, mas sempre no mesmo esquema de reposição inexacta, como se pode constatar no quadro acima.

Em Abril2011, continuando a vender como era meu dever, quando os níveis de combustíveis atingiram pontos críticos e algumas bombas esgotaram, enviei quatro emails, a 8, 20 e 21Abril, apelando à reposição e resolução de pendentes mais tarde. Ninguém respondeu. Em 23 de Abril, comuniquei à Direcção Comercial que, não tendo combustíveis para vender, iria fixar um aviso aos clientes. Continuei sem resposta. Entretanto tive de me ausentar de São Vicente. Na minha ausência, dia 27, Ângelo Gonçalves comunicou-me via telefone que a ENACOL tinha decidido tomar o Posto.

 É claro que a decisão não terá sido dele, mas por proposta, possivelmente dele que foi quem sempre defendera essa solução. Carlitos Fortes disse que tentou falar comigo mas “não conseguiu”.

Na prática, quem rompeu o contrato, foi Ângelo Gonçalves, (Ranque), em 29 de Abrll, por email, Doc. 22. Não tinha competência nem estava credenciado para praticar tal acto e não observou os preceitos do contrato nesta matéria – Cláusula 22ª (incumprimento) 1. “O incumprimento culposo deste contrato por uma das partes dá à outra o direito de, exigir o cumprimento, suspender a execução do contrato ou rescindi-lo e, em qualquer caso, reclamar a indemnização dos danos sofridos, …” 2. A faculdade de rescisão, com base no incumprimento de alguma obrigação, só pode ser exercida se a parte faltosa, depois de interpelada por escrito, não a cumprir no prazo de 8 (oito) dias, ou noutro maior que for fixado na interpelação;”.

 

No dia 28ABR2011, segundo os talões de transbordo, foram colocados no PVJM 120.800 Litros, Doc. 19. A capacidade total do Posto é de 90.000 Litros. No papel colocou-se no Posto mais combustível do que realmente comporta.

Desses 120.800 L foram feitas duas GMPs em meu nome, Doc. 20 e 21, com 43.100  L cada, 86.200 Litros, “Produto colocado no Posto J. Miller A/C do Sr. Kiki Lima, por ordem da Comercial”. Mas, na realidade foram entregues à Enacolgest que passou a gerir o Posto a partir dessa data.

Os talões estão todos assinados pelo condutor do camião e pelos bombeiros que receberam os combustíveis. Há uma diferença de 34.600 Litros com paradeiro desconhecido (120.800 L menos 86.200 L = 34.600 L) dado que não caberiam no Posto e não são iguais às quantidades das GMPs feitas em meu nome.

Usou-se o pessoal contratado por mim, o meu VINTI4 e mandou-se recolher o produto das vendas às 23h00 para guardar nos escritórios da ENACOL para eu não ficar com o dinheiro. Fui tratado como um bandido, ladrão. Nunca sofri tamanha humilhação.

Carlitos Fortes procurou-me no dia 30ABR dizendo que eu tinha vendido todo o combustível e, não o tendo pago, devia ter o dinheiro em casa, num banco ou investido nalgum lugar. Ratificou o rompimento e todas as medidas adoptadas dias depois, 01MAI2011, sem nada verificar, nem formular-me culpa, nem dar-me a possibilidade de responder – Doc. 23. Estava concretizado o plano de me afastar da ENACOL.

Mas esse combustível – 86.200 Litros – não me foi facturado. Segundo Carlitos Fortes, Carta 41/DG/11, 22AGO2011, “…estamos a cobrar o produto fornecido aquando da entrega do Posto e que na altura não foi facturado porque era a consignação. Logicamente, não está em causa o pagamento do produto colocado no Posto a partir de 28 de Abril.”

Também não terá sido facturado à Enacolgest porque não havia, nem talões de transbordo, nem GMPs e, naturalmente, nem Guia de Remessa em nome dessa empresa da ENACOL.

A quem terão sido facturados esses 86.200 L? Se foram. Como foram justificados contabilisticamente? Quem responde por isto?

Da minha parte exijo a anulação dos documentos em meu nome, porque a ENACOL pode, com eles, facturar-me 86.200 L, para além dos 73.100 que, indevidamente, quer cobrar-me.

Não estando o rompimento de acordo com o estipulado no contrato, tenho direito a ser indemnizado por TODOS OS DANOS que me foram causados a partir de 28ABR2011 que, por serem já avultados, constitui preocupação da ENACOL. A sua advogada e Presidente da Assembleia de Accionistas, na ACP de 04FEV2015 questionou-me se fazia ideia se os lucros da empresa poderiam pagar a indemnização que peço. Isso não é problema meu.

A constante alteração das declarações de Carlitos Fortes ao longo dos quatro anos que decorreram desde o início do conflito indicia que acabará por reconhecer a verdade. Talvez demasiado tarde. Vejamos.

Em Abril de 2011 disse-me (em reunião a dois) que eu tinha vendido todo o combustível do Posto sem pagar e devia ter o dinheiro em casa, num banco ou investido nalgum lugar.

Dias depois, um accionista da Enacol me comunicou que Carlitos Fortes lhe tinha dito que eu tinha desviado 12 mil contos. Isso apesar do nosso contrato ter uma Cláusula 26ª (Confidencialidade) que diz “1. Qualquer das partes obriga-se a manter sob sigilo as condições deste contrato, bem como quaisquer informações que, na execução dele, obtenha acerca da outra, salvo se esta der o seu consentimento à divulgação das mesmas ou se tais informações forem ou se tornarem do domínio público.” 2. Esta obrigação subsiste mesmo depois da cessação, por qualquer causa, do presente contrato.”.

Em 02JUN2011, apesar de já lhe ter dado todos os esclarecimentos, ver minha carta de 28JUL2011 – Doc. 24, porque achava que eu tinha dinheiro em casa, Carlitos Fortes pediu-me reunião no seu gabinete para me perguntar se ia “entregar o dinheiro ou não”.

Note-se que Carlitos Fortes, no jornal A Nação, diz que “Kiki Lima apenas deveria vender e entregar à Enacol o valor da venda, deduzida a comissão como agente.”….“Algum tempo depois esgotou o depósito e não entregou o dinheiro para o aplicar sei lá onde”. O que o Contrato elaborado e assinado por ele nos diz é: “O Cessionário deve pagar o preço das mercadorias entregues, nos termos deste contrato, dentro dos prazos concedidos pela ENACOL… (30 dias)“…esses prazos contam-se a partir da data da emissão da respectiva factura.” Paguei 83 facturas das 87 que me apresentaram (três eram falsas). Porque agora deveria simplesmente entregar a Carlitos Fortes dinheiro no seu gabinete? Não é função do Director Geral, em nenhuma circunstância, cobrar dívidas pessoalmente.

Perante minha recusa, chamou a Secretária para trazer a factura que afinal estava feita e ameaçou pôr o caso em Tribunal. Tendo decidido ir a Tribunal, oito dias depois mandou entregar-me de novo a factura com protocolo. Tudo isto consta do processo judicial e ele não conseguiu contrariar nada.

A minha comissão não era deduzida por mim antes de “entregar à Enacol o valor da venda” como diz este conceituado economista. Era apurada contabilisticamente em contabilidade organizada, resultante da diferença entre os preços de revenda constantes na factura e os preços de venda a público, constantes dos mapas de venda declarados às Finanças. Portanto, para eu receber as comissões a que tinha direito, tinha de ser facturado pela ENACOL e declarar as vendas. Vê-se que, além de inexatas, incorretas e incompetentes, tais declarações estão imbuídas de má-fé.

Pedi a intervenção da ARE – Agência de Regulação Económica, respondeu-me que tinha aberto um processo que nunca avançou, Doc 25.

É claro que, perante tudo isto, as nossas relações pioraram.

Descontrolado, Carlitos Fortes resolveu retirar-me a exploração da Loja/Cafetaria que tinha autorizado, por iniciativa própria quando apoderou-se do Posto – “ Quanto à loja/cafetaria querendo o Kiki Lima poderá continuar a assegurar a sua exploração”. Email de 01MAI2011.

Sem observar prazos e condições do contrato, em 22AGO11, carta 41/DG/11, “ordenou” a sua entrega em 9 (nove) dias com argumento de que eu estava a explorar o Posto sem pagar, condição também concedida por ele no contrato e nunca alterada. Exigi-lhe a observância do contrato – “O presente contrato vigorará pelo prazo de 5 anos, devendo, todavia, ser revisto seis meses após a assinatura prorrogando-se automaticamente por períodos de um ano, salvo se alguma das partes comunicar à outra que se opõe à prorrogação, mediante carta registada com aviso de recepção, expedida com 90 dias antes do termo do período em curso”. O contrato foi iniciado em Julho, estávamos em Agosto, logo o contrato prorrogara-se automaticamente por mais um ano. Então, deixava-me continuar a exploração por mais um ano, ou indemnizava-me.

Nem uma coisa, nem outra em cumprimento do contrato. Mandou cortar electricidade e água no Posto.

Dia 30AGO11, carta 42/DG/11, informou-me da sua “…intenção de mandar cortar electricidade e água e promover demais acções com vista a restabelecer a normalidade na exploração do Posto John Miller”, Doc 26.

Dia 01SET11, mandou três funcionários para proceder aos cortes no estabelecimento – às 09h00, exactamente na hora de maior movimento na cafetaria – um acção humilhante porque a Cafetaria estava cheia de clientes e criminosa porquanto sabe-se que cortes de electricidade e água não realizadas pela ELECTRA são crimes (ver credencial a trabalhadores – Doc. 27.

Como não permiti tal acto de “justiça pelas suas próprias mãos”, deve ter sido aconselhado a requerer uma Acção de Providência Cautelar o que fez em Outubro2011, acusando-me de utilizar a Cafetaria sem nada pagar e por constituir um factor de insegurança ao Posto, entre outras barbáries.

Perante a ameaça de “promover demais acções”, porque a segurança do Posto era feita por uma empresa de que é sócio e cujo Director Geral era um seu irmão, decidi entregar a Cafetaria, sem qualquer decisão do Tribunal, porque deixei de ter condições seguras para desenvolver negócio.

Na Acção de Providência Cautelar, no ponto “40, diz-se: Entretanto, utilizou todo o combustível e embolsou o respectivo valor.” “42. … o que configura, em última instância, um enriquecimento sem causa do Requerido e correlativo empobrecimento da Requerente.”

Nas suas declarações na instrução do processo-crime que lhe movi, interrogado pelo Ministério Público, ainda dizia que “…não devolvendo à Enacol o valor respectivo, fez “um desvio de produto”, do qual não justificou;” mas não demonstrou nem apresentou provas de como desviei os produtos.

Em face das provas, o M.P. notificou as partes para uma tentativa de conciliação. Carlitos Fortes recusou. Ele e ENACOL foram constituídos arguidos porque, o Ministério Público concluiu que “Da leitura atenta da queixa-crime apresentada pelo assistente se pode perceber, inequivocamente, de factos contra a pessoa colectiva da Enacol, ainda que ditas pela boca de seu representante, Sr. Carlitos…”.

Ao Jornal A Nação disse: “Kiki Lima recebeu os tanques cheios de combustível e entregou-os vazios e a faltar dinheiro, …”. “…estava a agir de má-fé e a desviar as vendas de combustível para fins outros que não o de entregar o valor da venda à empresa.”

Mas, na ACP – Audiência Contraditória Preliminar, a que se referiu no A Semana de 10 de Abril último, para tentar livrar-se de ser julgado, declarou que “… em nenhum momento utilizou palavras como sendo “o assistente desviou dinheiro e que recebera tanques cheios e os entregou vazios que as palavras que o jornal faz referência e que hauridas na acusação particular foram criadas talvez pelo próprio jornal e tomadas como por ele arguido proferidas….

Um absurdo quando as declarações estão escritas, o artigo traz a sua fotografia e há gravação das suas declarações. Contradisse-se e mentiu sob juramento. Mas bastou-lhe dizer isso para o Juiz acreditar. O jornalista não foi chamado a esclarecer nem as mais de quinhentas provas documentais foram tidas em conta. Nem mesmo a sua confirmação “na íntegra” das suas declarações ao jornal foram consideradas. O Ministério Público pugnou pela pronúncia, isto é, Carlitos Fortes devia ser julgado pelo crime de difamação e injúria, mas, estranhamente, não foi levado a julgamento. Recorri ao Supremo Tribunal da Justiça.

Agora, ao semanário A Semana, trata-se apenas de uma factura que devo mas não paguei que também, como demonstrei, é mentira. Todos percebem que, entre “desviar dinheiro ou produto”, e não pagar uma factura que para ser reconheci e paga tem de estar conforme, a distância é enorme.

Ao dizer que “a dívida foi reconhecida em Tribunal não lhe restando outra alternativa senão a de a solver, sob pena de a Enacol, em tempo oportuno, proceder à execução, caso tal se mostre necessário” , Carlitos Fortes está, mais uma vez, a tentar confundir a opinião pública e “puxar a brasa à sua sardinha”.

Na verdade, o despacho de não pronúncia desmente esta declaração. Estamos num processo-crime. Estava em causa apurar se havia indícios suficientes para levar Carlitos Fortes e ENACOL a julgamento pelo cometimento dos crimes de difamação e injúria. O Ministério Público entendeu que sim, mas o Juiz entendeu que as provas não eram suficientes para sustentar a acusação e decidiu:

  1. a) “Não pronunciar o arguido Carlitos Fortes da prática de crime de injúria p. e p. nos termos do art.º 166, nº. 3 do Código Penal de que vem acusado pelo assistente;

b)“Relativamente à indemnização civil requerida pelo assistente, remete-se as partes para acção cível.”

Como se pode verificar, não há nenhuma decisão no sentido de eu pagar à ENACOL seja o que for. Se tivesse havido decisão judicial no sentido de eu solver “dívida” não seria preciso a Enacol esperar para em“… tempo oportuno proceder à execução”. Ela seria, suponho, mandada executar pelo Tribunal. Mas, pelos vistos há hipótese de a Enacol não vir a achar necessário cobrar-me uma dívida que terá provado existir? Disparate tem limite, Mestre Carlitos.

A referência do despacho a indemnização é em relação à que solicitei ao Tribunal por danos morais e materiais – “indemnização civil requerida pelo assistente(Kiki Lima).

Desta forma, Carlitos Fortes continua a difamar-me para se defender.

Não há nenhuma razão para eu estar em desespero – Não concordei com a decisão de não pronúncia e recorri ao Supremo Tribunal de Justiça. É um direito que o nosso sistema jurídico, felizmente, prevê, para se fazer melhor justiça, porque errar é humano e os juízes também podem errar. Aguardemos pela decisão do STJ que acatarei.

Os actos de gestão danosa de Carlitos Fortes paulatinamente vão vindo à tona e, tal como eu, as pessoas vão verificando que afinal não é um “gestor conceituado” como se auto intitula. Um sinal claro é a sua “substituição na gestão da Enacol, em que nem sequer lhe deixaram fechar contas de 2014, a acreditar no que diz o jornal. Por mais que diga, ninguém se convence de que “decidiu sair antes do término do contrato porque lhe apareceu um outro desafio pela frente”. Como costuma acontecer em casos desta natureza, a sua saída pode ter sido “negociada” em desespero de causa porque não tinha alternativa perante as evidências de “desempenho insatisfatório”.

Há muito mais a dizer e mostrar. O “dossier” de provas que estão no processo-crime contém 527 folhas desmontando nove declarações que Carlitos Fortes fez ao jornal A Nação que estão à disposição. Todas as provas que junto a este texto constam do processo-crime.

Quanto à capacidade, habilitação ou legitimidade de cada um de nós poder ou não avaliar o desempenho do outro, é próprio de quem não tem argumentos e tenta desviar atenções do que é realmente importante. Dispenso comentários.

É este o perfil do“mais que provável” Presidente do Conselho de Administração da ENAPOR. Antigamente um cargo destes era de prestígio e ocupado por pessoas idóneas, sérias, competentes. Hoje, é o que se vai assistindo passivamente.

Mesmo sem consequências visíveis, porque o poder tem contornos indecifráveis e lá terá as suas razões para fazer uma nomeação destas, eu faço a minha parte – exerço e exercito a minha cidadania, oponho-me, contesto, protesto veementemente porque sei que, pelo menos neste caso, razão não me falta.

Euclides Eustáquio Lima

  1. MANANDO-COLUMBIM

    Infelizmente pa Kiki Lima, Carlitos Fortes tem razao! Kiki tive de dá golpada num posto da galp em portugal em s. pedro do estoril justinho igual. Dá milha pa Cabo Verde pa bem fazé igual!!!!

  2. porradia

    muitos não vão ler isto ,………….

  3. Kiki Lima

    O Sr(a) Manando-colombim ESTÁ REDONDAMENTE ENGANADO(A). Kiki Lima, artista plástico, jamais explorou posto da Galp, nem tinha intenções de explorar posto da ENACOL. Sugiro que verifique… devia tê-lo feito antes de comentar matéria tão sensível como o bom nome de uma pessoa. Se se der ao trabalho de verificar e corrigir será muito digno da sua parte.

Os comentários estão fechados.

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