Mãe e pai ou histórias de abandono: Porquê que a Gisela tem pai e eu não?

4/05/2015 07:58 - Modificado em 4/05/2015 07:58

mae e filhaDia da Mãe em Mindelo é comemorado no primeiro Domingo de Maio. O dia é dedicado as mamãs, porém existem aquelas que acumulam a função de mãe e pai. Tarefa considerada difícil, mas que muitas consideram estar a altura das mães, visto que são o significado da força em pessoa com um pai presente ou não.

Any, mãe de duas meninas, conta que é mãe solteira e com muito orgulho e justifica que “ é um orgulho que doí nas mãos por trabalhar em dobro para ter que dar de comer as minhas filhas, isto porque o pai não se  lembra que gerou duas crianças.” Assim considera que o dia da Mãe é todos os dias, mas é com muita alegria que recebo o carinho das minhas pequeninas no 1º Domingo de Maio e a  frase que mais adora é “ és o meu tudo, meu pai, minha mãe, minha guerreira” essas são as palavras que ficam na mente de Any, mãe que cria sozinha suas filhas. Isto após a pior fase da mãe solteira que é explicar o que aconteceu ao pai. A entrevistada refere que “sabemos que as perguntas um dia vão chegar, por exemplo: Mãe quem é o meu pai? Para onde ele foi? Porquê que a Gisela tem pai e eu não?”, Porém Any revela que a verdade é sempre a melhor solução e garante que um dia a recompensa chega. Uma delas é que o dia Mãe também é dia do pai.

Rosa é mãe e pai e conta que o dia da Mãe é celebrado com toda alegria e carinho que o dia merece. Acrescenta que o pior já passou e que o filho de 11 anos, já percebeu que a mãe fez e faz tudo por ele. “Luto todos os dias para que o meu filho tenha um futuro melhor e que seja um bom homem” assegura Rosa. Esta, por sua vez, crítica os Tribunais de São Vicente que não dão agilidade aos casos de acção paternal, isto porque há dois  anos meteu uma acção de  pensão alimentícia e nada foi feito, até que o pai “ fujão já emigrou”.

“Amar o meu filho incondicionalmente e não deixar faltar nada” este é o objectivo de Sara. Uma mãe que foi abandonada pelo namorado, após este saber da sua gravidez. Todavia Sara garante que não arrependeu-se e hoje celebra com a bem mais precioso “ o meu filho, que aos dois anos já sabe que sou mamã e papá.” Antigamente havia muitos tabus acerca das mães solteiras, mas hoje em dia a sociedade já aceita e quem é mal visto é o pai que não assume o seu filho. Sara ainda agradece a ajuda do pai e avó que não deixam o filho sentir falta de uma presença paternal.

As entrevistadas não consideram-se mais mães que as outras, somos lutadoras como as mães que têm um pai a ajudar na criação dos seus filhos. Pois as mães são o significado da força e o momento de carregar um ser durante nove meses “ só nós mães sabemos o valor  : com pai ou sem pai somos seres únicos.” Por fim as mamãs/papás apelam para as mulheres que estejam na mesma situação que não desistam, porque a força vem de onde menos se espera e pais que rejeitam filhos são covardes, logo “não devemos acobardar como eles, mas ter coragem de criar o que é nosso e só nosso (filho).”

  1. Mulher

    Mães solteiras existem em todas as classes sociais mas em CV só se fala da classe menos favorecida.Não se deve meter todas no mesmo saco.De facto há mtas que são abandonadas, mas há as que optaram ser mãe solteira, ha tb as que “meteram-se” com homens comprometidos,casados, ainda há as que acham que “golpe” de barriga é uma forma de “caçar” homens etc,Será que todas as mães solteiras são heroínas,exemplos a seguir?Sera q mtas delas não foram irresponsáveis e egoístas e agora queixam-se?Pensem!!!

  2. Ondina Ramos

    “A mulher caboverdiana é poderosa” nao há duvida nenhuma”. Eu gosto de vê-las aqui nas ruas, nos pelourinhos de Soncente labutando de sol a sol, tentando vender as suas verduras, o seu peixe, etc, etc. Gosto tambem ao mesmo tempo e lado a lado ver esses homens jogando o seu futebol de mesa com uma dedicação e entusiasmo inegualavel. Gosto de vêr esses mesmos homens assentados jogando as suas cartas, o seu uril, saboreando aquele grogue à sombra do alpendre ao lado da Capitania, discutindo os resultados do futebol portugues, nao o caboverdiano pois culturalmente ficamos e estamos ainda colonizados. Gosto de vêr esses mesmos homens luzidios, vendendo saude, bem alimentados, fazendo a sua ginastica na Laginha, tomando o seu banho em Pedra de Doca mas ao mesmo tempo nao vejo nenhuma dessas mulheres “poderosas” relaxando aí nessas praias, admirando aquele pôr de sol simplesmente sublime. Elas continuam “poderosamente” lutando pela sua sobrevivência e pelo bem estar desses homens tranquilos.
    A mulher caboverdiana nao precisa do homem. Sim talvez uma faixa pequenina da burguesia caboverdiana.
    Elas sózinhas criam os seus filhos com todas as consequencias nefastas das famílias monoparentais.
    Podia ser mais extensa mas nao o faço pois tenho receio de deitar por terra todas essas teorias
    Intelectuais, elaboradas ou melhor dizendo copiadas nas salas das universidades, produtos da nossa aculturação que a mulher caboverdiana é “poderosa” e que ela nao precisa do homem/marido/companheiro fiel e dedicado na sua luta para a sobrevivência.
    Alias teorias validas noutras sociedades mais evoluídas, sociedades com uma outra economia e onde a igualdade do género nao é apenas relatórios feitos nos Gabinetes para sacar e saciar os gostos das organizações da ONG.
    “I have a dream” que um dia essas mulheres sacrificadas, humilhadas, maltratadas, um dia serão mulheres poderosas”

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