Empregada doméstica acusada de tentativa de homicídio contra ex-patroa

24/04/2015 07:27 - Modificado em 24/04/2015 07:27

FACAO Tribunal de São Vicente procedeu ao julgamento de Giorgina Ramos que responde pelo crime de tentativa de homicídio, sendo a vítima a sua ex-patroa.

De acordo com as declarações da arguida e dos factos apresentados em Tribunal no decorrer do julgamento, o caso aconteceu no dia 08 de Novembro de 2012. Em declarações ao Tribunal, Giorgina Ramos afirma que nunca foi sua intenção matar a ex-patroa, visto nunca ter tido nenhum tipo de problema com ela enquanto trabalhava como doméstica em sua casa.

Giorgina Ramos admitiu em Tribunal ter agredido a vítima e, segundo ela, tudo aconteceu depois de ter saído do trabalho por motivos alheios à sua vontade, recusando-se, no entanto, de explicar as causas da sua saída. Ainda em declarações, garante que a vítima estava a acusá-la de lhe ter roubado objectos de sua propriedade, nomeadamente, uma almofada para as costas.

O ocorrido aconteceu dois meses depois da sua saída da casa da vítima e explica que no dia da agressão, vinha da casa de uma amiga que ficava na mesma zona, mas afastada da casa da sua patroa, e viu que a casa onde trabalhava estava com luzes acesas, pelo que resolveu ir falar com a ex-patroa para esclarecer a situação de que estava a ser acusada.

Dentro da casa e depois de ter discutido com a ex-patroa, agrediu-a com um faca nas costas, faca que, segundo a mesma, foi encontrada no caminho da casa da vítima e não foi trazida da sua casa com intenção de provocar danos. O certo é que a agrediu com três facadas mas, no entanto, ao ter noção dos seus actos, entrou em pânico e arrependeu-se, tendo sido ela mesma a chamar a polícia que a deteve no local do crime.

A ex-patroa de Giorgina Ramos, chamada a depor, referiu que até agora não sabe dizer a razão pela qual foi agredida daquela forma, contrariando as afirmações da Ramos que garante ter agredido a vítima na cozinha, enquanto que a ofendida garante ter sido agredida na sala, depois da arguida lhe ter dito que a almofada de que estava à procura foi deixada atrás do sofá e foi nesse momento que sentiu três choques nas costas, mas não tinha noção de estar a ser esfaqueada. Ainda ouviu esta a dizer “esse eh pe nunca mais bó perguntam pa nada”, e só teve noção das facadas depois de se ter virado, acabando por ser outra vez esfaqueada no braço, chegando a lutar com a agressora para proteger a sua vida.

Cármen da Graça, ex-patroa de Giorgina Ramos disse que depois de ter sido agredida correu para fora do apartamento e prendeu a agressora do lado de dentro e foi acudida por vizinhos que arrombaram a porta principal e encontraram-na ensanguentada.

Chegando ao local, a polícia encontrou-a a sangrar e a própria agressora foi quem abriu a porta do apartamento e identificou-se como sendo a responsável pela agressão.

Segundo Cármen da Graça, ela nunca acusou a ex-empregada de roubo, apenas lhe perguntou sobre o paradeiro da almofada.

O Ministério Público afirma que diante dos factos apresentados, pelo facto da arguida ter consigo uma faca e ter esfaqueado a vítima pelas costas, a intensidade dos golpes prova que esta tentou tirar a vida da patroa e que o facto foi premeditado e não um acaso, visto haver testemunhas que garantem que esta andava a rondar a casa há vários dias, agrava ainda mais a situação. Sendo assim, pede que justiça seja feita aplicando a pena efectiva de punição, argumentos e deliberação corroborados pela advogada da vítima.

  1. Carlos Fortes

    Parece ate uma casualidade mas a minha esposa que trabalhou antigamente como empregada domestica contou-me um caso semelhante onde ela foi acusada de ter roubado algo, creio uma toalha em casa da patroa.
    A minha mulher convidou a referida patroa para ir revistar o seu “cubículo”, para ver se na verdade ela estava em posse da toalha que desaparecera.
    A minha mulher ainda lhe disse que era pobre mas que foi educada com valores morais que lhe proibiam de tocar em coisa alheia pelo que a patroa retorquiu: – todas as empregadas domesticas (“criadas”) é um termo mais adequado, roubam.
    Felizmente que a patroa depois de procurar melhor e também intimidada pela reacção da minha esposa ferida na sua dignidade e auto-estima encontrou a referida toalha que ela a patroa tinha indevidamente colocada noutro lugar.
    Conhecendo o génio e o orgulho da minha esposa, o anjo da guarda da sua patroa estava presente e ela teve muita sorte pois decerto teria a mesma sorte que a patroa vitima das facadas. E devo confessar que eu também se for acusado falsamente e em especial de roubo sou uma fera e em estado de atacar fisicamente o meu acusador. Nesta situacao toda a cosmética que encobre os valores morais que aprendi desaparecem por completo.
    Ja é tempo dos patrões, felizmente temos ainda muitas excepções, passarem a ter uma outra atitude e comportamento perante as suas empregadas domesticas, um eufemismo para “criadas” fomentando assim uma relação de confiança e respeito mutuo. Infelizmente em Cabo Verde ainda “a escravatura não acabou”.

  2. chocada

    o MP ten q pedir ABSOLVER esta sra q fez por matar um pessoa e arrependiose ,da mesma forma q o sr RICO q derramou combustivel para prender fogo e QUEMAR VIVAS A MUITAS MULHERES na escola de danza ,pero— logo arrepeendiose : estes factos ten precedente na lei e JURISPRUDENCIA .na CV a JUSTIÇA e PARA TUDOS EM igualdade de intençoes ,faz e me arrependo . E’ VERGONHA ter direito a justiça pela camada social

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