Cabo-verdianos saem às ruas contra o “Estatuto da Vergonha”

30/03/2015 08:06 - Modificado em 30/03/2015 08:32

manif-30Em São Vicente, o largo da Pracinha da Igreja será o palco da manifestação marcada para hoje às 16 horas, onde os cabo-verdianos demonstrarão o descontentamento com o novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos.

O Movimento Para Acção Cívica (MAC# 114) convocou uma manifestação contra o novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos nas cidades da Praia, Espargos e Mindelo. O MAC# 114 na sua página do facebook convida todos os cabo-verdianos a saírem às ruas porque considera “o aumento do salário e benefícios dos Titulares de Cargos Políticos um insulto ao povo que se desdobra para viver e é uma vergonha”. Também manifesta a própria indignação questionando como é que um deputado pode “valer mais” do que um médico, um professor ou um agente da polícia.

Os adeptos da manifestação consideram que a aprovação do novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos é uma vergonha e apelam à adesão de todos. Luís exorta: “venham sem medo jovens, desempregados e descontentes. Venham cidadãos desconsolados, venham universitários desconsolados, venha o povo descontente com a política do Governo e do compadrio descarado. Venham todos mostrar a vossa indignação. Os políticos são todos “mamadores” dos nossos impostos. Basta vê-los todos sorridentes de braços dados logo após a votação do ESTATUTO DA VERGONHA. Basta… Basta. Estou convosco!”.

As indignações são muitas e baseiam-se no facto do povo cabo-verdiano ser obrigado a apertar o cinto visto que o salário mínimo é miserável e os políticos vivem “à grande e à francesa” disse Luísa Gonçalves. Porém, Euridice Monteiro garante que “ninguém é contra os direitos, imunidades e regalias da classe política. Mas, no meio das dificuldades em que Cabo Verde continua mergulhado e perante o aumento sem precedentes da dívida pública (112% do PIB no OGE) impõe-se, neste momento, uma grande contenção nas despesas do ESTADO. Em defesa do interesse nacional, apelamos ao veto do Presidente da República. Caso contrário, exigimos os mesmos direitos para todas as classes profissionais e para aquelas categorias que nem sequer emprego têm, até porque a erosão do poder de compra a todos atingiu”.

VetoO Movimento Para Acção Cívica, para além do protesto contra o novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos, também apela ao veto do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. “Eu ainda acredito num PR sensato, num PR em prol do povo e não pró salário” escreve Liana Gonçalves num post. Todavia, algumas dúvidas são colocadas sobre o veto do Presidente da República nomeadamente “se o PR vetar o novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos, este volta ao Parlamento e se é aprovado novamente, o PR é obrigado a promulgar, certo?” questiona Lívia Semedo. Vladmir Ferreira confirma que sim e acrescenta que “em caso do veto presidencial a questão regressa ao Parlamento. Aqui será o valor simbólico em dois sentidos. A primeira mensagem importante seria a confirmação que o PR está do lado do povo e a segunda será o peso da mensagem sobre a consciência dos parlamentares e dos partidos que o suportam”, ou seja, alguns invocam o poder do Presidente da República. Caso para dizer que este tem em mãos uma “batata quente para descascar”, todavia, há quem acredite no poder do povo, com ou sem Presidente da República. A população deverá ser ouvida e “o povo deverá mostrar o seu poder”, refere António Correia.

  1. roxana aguilera cald

    la estare, a apoiar a causa de esta manifestcion y digo O DINHERO e’ PARA HONRAR O TRABALHO,NAO A CONDIÇAO DE AMIGO;CLIENTE O POLITICO : .Como tem dinhero para els e JMN pidi contançao quando os reclamos dos trabalhadores por medio das greves? Nao tem progresso nas carreras medicas ,pero sim tem progresso na aposentaduria IMORAL de Francisca Inocencio !!!!!

  2. José Rodrigues

    Será que essa classe política (nossa?) não vê que a sua desleal figura está ficando mal na fotografia? Não seria altura de pararem para uma reflexão exaustiva da sua consciência? Ainda vão a tempo de escutare o grito do POVO, antes que lhes seja tarde. A aprovação desse Estatuto, por unanimidade (excepção de dois deputados) foi uma autêntica paulada no apertar do cinto de todos nós Caboverdianos.

  3. GILSON MOREIRA

    O FMI PRECISA DAR UM PUXÃO DE ORELHAS AOS POLITICOS. POIS É INADMISSIVEL QUE AUMENTA O SALARIO DOS POLITICOS COM TANTAS PENDENCIAS A SEREM RESOLVIDAS, E A DIVIDA PUBLICA ULTRAPASSA O PIB DO PAIS

  4. HELDER STA MARIA

    Para tomar esta gentinha (deputados) a serio e’ sinal de que esquecemos quem sao eles.Quando e’ que um vinho envelhece na casa do fusco. Cambada de opurtunistas. Tudo e mais algum agora ou nunca. Vao a frente minha gente pobre e humilde. minha gente vive da remessa do estrangeiro.

  5. Eduardo Oliveira

    Perante a situação candente, e mais que justa, o Presidente da Repùblica é obrigado a dar a cara e mostrar em que lado està: Povo ou Politicos.
    Se por acaso der o Veto e o assunto voltar ao Parlamento serà a clique politica que serà julgada por quem os nomeia. E de que maneira!
    E ahi o tira-teimas serà o boletim de votos a funcionar da maneira mais racional, sem ser influenciado. Nunca “o Povo é quem mais ordena” teve melhor oportunidade e sentido e “o Povo Unido jamais serà vencido”.

  6. Ema Rodriges

    Mascarenhas Monteiro não aprova.

    SAIEM !!!

    Mascarenhas Monteiro, o maior Presidente que Cabo Verde jà teve manifestou contra os famigerado Estatudo. Que não venham com coisas. O primeiro PR serà lembrado em S.Vicente pela sentença que deu de “20 anos de purgatôrio” que jà vai em 40. O Terceiro PR é o “heroi” em Santo Antão e o actual serà considerado transfuga. Està fora no momento mais quente da nossa Histôria.

  7. no one

    A questao nao é se o que fizeram ser ou não ser correta é se nós caboverdeanos pelo menos a maioria ainda vai ficar parada face a tudo o que se passa no nosso pais sin pq ai da cv partence aos caboverdeanos e nao ha classe dos poderosos ja chegou a hora de nos verem e ouvirem de exigirmos a aprovaçao da pratica de referendo em todas as questoes deextrema importancia para o pais ou isso é ou nao uma democracia

  8. Jandira Fortes

    A Televisao Cabo-verdiana deveria organizar um programa de entretenimento no qual os nossos políticos seriam os actores principais e instituindo um prémio para o político que tiver um argumento mais plausível para escapar deste embrolio.
    O vencedor receberia a taça o melhor malabarista do ano, um aumento salarial de 65% e demais mordomias.
    Aqui vai a sugestão. Pelo menos se não houver pão para o povo haverá circo.

  9. Celina Fortes

    Passamos a ter dois Cabo Verde. Um Cabo Verde antes de 30 de Março e outro Cabo Verde pós 30 de Março.
    Os cabo-verdianos a partir de ontem perderam a sua “virgindade”.

  10. AguinaldoFortes

    Se estas demonstrações nao tiverem nenhum resultado uma coisa ficou clara, muitos políticos cabo-verdianos e alguns ocupando posições chaves estão sofrendo de Alszheimer.
    Um texto psicológico deveria ser uma condição essencial para ocupação de cargos com tamanha responsabilidade.
    Ou trata-se em muitos desses casos de desonestidade, oportunismo e malabarismo?
    Os psiquiatras que o digam.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.