Merkel diz que não sairá uma solução para a Grécia do encontro com Tsipras

19/03/2015 20:27 - Modificado em 19/03/2015 20:27
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UEPara desilusão de quem tinha esperanças de que a crise grega começasse a ser resolvida esta quinta-feira em Bruxelas, Angela Merkel avisou logo à chegada ao local da cimeira europeia que não se deve esperar que saia uma solução do encontro que irá realizar com Alexis Tsipras.

“Não esperem uma solução, não esperem avanços. Este não é o enquadramento para isso. As decisões são feitas ao nível do Eurogrupo e isso irá manter-se assim”, disse a líder do governo alemão aos jornalistas antes do início da cimeira de líderes europeus que se inicia esta quinta-feira em Bruxelas.

As atenções estão voltadas em particular para o encontro paralelo à cimeira que se irá realizar entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o presidente do BCE, Mario Draghi e o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Do lado do Governo grego, que está cada vez mais pressionado pela redução do dinheiro que tem disponível para fazer face aos seus compromissos, este encontro tem sido visto como decisivo para garantir que o apoio financeiro dos parceiros europeus é disponibilizado.

Alexis Tsipras tem vindo a dizer que o problema é sobretudo político e esta quinta-feira, também à chegada à cimeira, disse que “a União Europeia precisa de iniciativas políticas corajosas, que respeitem tanto a democracia como os tratados”.

De manhã, numa entrevista ao canal de televisão grego Alpha TV, o vice primeiro ministro, Yannis Dragasakis reconheceu que o Estado enfrenta um “problema de liquidez” e que precisa do apoio financeiro dos seus parceiro para fazer face aos seus compromissos. “Não recebemos quaisquer tranches do empréstimo desde Agosto de 2014, mas temos estado a cumprir todas as nossas obrigações. Isto tem os seus limites”, afirmou Dragasakis, citado pela Reuters.

Ao mesmo tempo, este responsável governamental grego deu novos sinais de que as negociações entre Atenas e a troika se estão a revelar muito difíceis, com as duas partes a apresentarem concepções bastante diferentes de qual é o papel que cada um deve desempenhar. “As equipas técnicas vieram para coligir factos, mas depois eles pediram coisas que iam para além da sua jurisdição. Por exemplo, eles queriam reavaliar o Governo como um todo, o programa e as reformas de todos os ministérios”, afirmou Yanis Dragasakis.

Até este momento, a posição da generalidade dos Governos da zona euro tem sido a de apelar à Grécia que “cumpra aquilo com que se comprometeu no Eurogrupo”, pondo em prática medidas que sejam aceites pelas instituições da troika encarregues de fiscalizar a actuação de Atenas. À chegada a Bruxelas, essa foi mais uma vez a posição assumida por diversos líderes. “O sentimento entre os líderes políticos é que a Grécia e os políticos gregos têm de assumir as suas responsabilidades. A bola está do seu lado”, afirmou o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, avisando que “o tempo se está a esgotar”.

Bélgica protesta
O facto de o problema grego ter passado a ser discutido especialmente em paralelo à cimeira, num encontro em que só os dois grandes países da zona euro e a Grécia estão presentes, está a gerar protestos entre os responsáveis de outros países. O primeiro-ministro belga defendeu que era “inaceitável” que apenas a chanceler alemã e o Presidente francês tenham sido convidados para a reunião organizada por Donald Tusk, presidente da UE, com Tsipras, Juncker, Draghi e Dijsselbloem.

Nem mesmo o facto de Merkel já ter afirmado que nada se vai decidir esta quinta-feira o tranquilizou. “Estou furioso”, declarou Charles Michel, à entrada do Conselho. “Não demos nenhum mandato nem à França nem à Alemanha para negociar em nosso nome.”

A Bélgica contribui com cerca de 7 mil milhões de euros para o resgate grego, relembrou Michel, que anunciou que vai dizer “muito claramente” durante a reunião que a Bélgica não concorda com este método.

Em declarações ao jornal belga Le Soir, na manhã de quinta-feira, Charles Michel já tinha considerado que esta iniciativa “constitui um problema” e afirmado que tinha transmitido a sua insatisfação a Tusk. Apesar do jornal belga acrescentar que a reunião urgente organizada por Tusk incomoda vários Estados-membros, os outros países da zona euro desdramatizaram o assunto.

“Eu tenho confiança na França e na Alemanha”, declarou o primeiro-ministro finlandês, Alex Stubb, para quem a reunião restrita “não é um problema”. Preferiu realçar que o importante é que a Grécia mantenha os seus compromissos para com os parceiros da zona euro.

A Bélgica passou para o lado dos “duros” no que toca as negociações com a Grécia desde as eleições de Maio de 2014, que conduziram ao poder uma coligação de direita, com forte presença dos nacionalistas flamengos. Na segunda-feira, o ministro das Finanças belga, Johan Van Overveldt, declarou que a zona euro sobreviveria a uma saída da Grécia da zona euro.

 

PUBLICO.PT

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