Hackaball, a bola computador que ensina a programar

16/03/2015 22:30 - Modificado em 16/03/2015 22:30
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Cabe na palma de uma mão, é feita de plástico, tem uma capa em silicone, um pequeno computador no interior, luzes, um acelerómetro, um chip de som, um microfone e um sistema de vibração. Basicamente é um computador que se pode lançar como uma bola. Mas o objectivo não é jogar futebol ou outro desporto do género. A ideia é tornar a programação uma brincadeira para crianças, que com a ajuda de uma aplicação gratuita para iPad podem criar jogos e utilizar a bola para outras actividades. Chama-se Hackaball e tem um toque português.

Quando se vê pela primeira vez a Hackaball não se consegue imaginar como é que uma pequena bola, com um design minimalista, pode ajudar os mais pequenos a aprender a programar e a tornarem-se os criadores dos seus próprios jogos. Resultado de uma parceria das empresas Made by Many, que criou o conceito e desenvolveu o primeiro protótipo e o software para o iPad, e Map, responsável por tornar a bola flexível, táctil e atractiva, a Hackaball é destinada a crianças dos seis aos dez anos e tem um custo base de 69 dólares.

A Made by Many explica que o computador no interior da bola tem sensores que a levam a reagir quando é lançada, sacudida, deixada cair ou está parada através de sons, mudança de cor ou vibração. Todas estas reacções podem ser programadas pela criança através de uma aplicação para iPad que permite estabelecer efeitos de luz, criar sons e tipos de vibração. “A bola torna-se o actor principal em quaisquer jogos que as crianças criam e jogam. O número de jogos as crianças podem criar e jogar é limitado apenas pela sua imaginação”, sublinha a empresa.

 

 

 

O computador no interior da bola está ligado à aplicação para iPad por viawireless e é composto por um giroscópio, um acelerómetro, um motor de vibração, nove LEDs, bateria recarregável, uma pequena coluna de som e tem memória para armazenamento de sons.

A aplicação que permite interagir com a Hackaball integra já vários jogos que a criança pode trabalhar e criar outros utilizando uma plataforma que funciona como um sistema de construção de blocos. Além de aprender os princípios básicos da criação de jogos e ter uma espécie de introdução à tecnologia, a bola pretende estimular a criatividade e a actividade física dos mais pequenos, contrariando o sedentarismo associado aos videojogos e aos jogos para smartphones e tablets.

Quanto mais a criança desenvolver jogos para a Hackaball e resolver problemas, mais terá acesso a outras funcionalidades da bola. O desafio começa assim que a criança recebe a bola. Primeiro tem que montar todas as partes e depois resolver pequenos “problemas técnicos” para começar a brincadeira.

Um português no projecto
Nelson Sachse, de 32 anos, engenheiro informático de Vila Nova de Gaia, faz parte da equipa da Made by Many que criou o projecto. Há quatro anos a viver em Londres e há dois a trabalhar na empresa, Nelson Sachse é um dos programadores que desenvolveu a aplicação para ser usada no iPad.

Ao PÚBLICO contou que a Hackaball começou como um projecto interno na Made by Many, tudo a partir de “uma simples mensagem, ‘Play through Connected devices’“, ou seja brincar através de dispositivos ligados entre si. “Decidimos pegar num dos brinquedos mais antigos, a bola, e pensámos em redescobrir novas formas de brincar com ela. A Hackaball tinha de ser algo que se pudesse atirar para qualquer lado, com ‘inteligência’, bonita, mas que não fosse frágil. Ao mesmo tempo era importante que transmitisse conhecimentos básicos de computação, ou seja, queríamos fazer com que a programação fosse mais visual do que verbal, tornando-se assim uma simples introdução à lógica de programação para as crianças que ainda não conseguissem ler fluentemente”.

Nelson Sachse explica que o principal objectivo da bola inteligente é tornar as “crianças activas, criativas e autónomas”. Ao terem infinitivas possibilidades de criar jogos, sem terem de seguir instruções, “aprendem como a programação e tecnologia funcionam, o que poderá ser um passo importante para o futuro”.

Depois de ter sido testada no Reino Unido por crianças e pais, que ajudar a a criar o interface do produto através do seu feedback, a equipa que desenvolveu a Hackaball lançou uma campanha no site decrowdfunding Kickstarter para reunir apoio financeiro. Esta quarta-feira, e a 22 dias do final da campanha, o projecto tinha recebido 840 ajudas, num total de 74.927 dólares. O objectivo é chegar a um co-financiamento de 100 mil dólares.

A Made by Many está a vender as primeiras 500 Hackaball por 65 dólares através do Kickstarter, mas no final da campanha o preço será de 69 dólares. As primeiras bolas deverão começar a ser entregues em Dezembro deste ano. A empresa pretende apostar numa versão da aplicação para o sistema Android mas aguarda os resultados da campanha de crowdfunding para avançar.

 

publico.pt

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