Oposição síria pede armas e uma zona de exclusão aérea no Norte

30/07/2012 00:50 - Modificado em 30/07/2012 01:08
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O chefe do conselho militar rebelde de Alepo pediu aos países ocidentais a criação de uma zona de exclusão aérea no Norte da Síria, acusando o regime de preparar “um massacre” na cidade. O mesmo alerta foi feito pelo líder da oposição política no exílio, que pediu armas para os rebeldes.

 

“Pedimos ao Ocidente que instaure uma zona de exclusão aérea. Estamos prontos a derrubar o regime”, disse o coronel Abdel Jabbar al-Oqaidi, numa entrevista à AFP.

“Queremos armas que nos permitam fazer parar os tanques e os aviões de combate” de Bashar al-Assad, disse Abdel Basset Sayda, presidente do Conselho Nacional Sírio, a maior coligação de opositores.

Com o regime a recorrer a caças MiG 21 e MiG 23 para bombardear civis e os rebeldes a “combaterem com armas velhas”, a oposição armada reclama apoio para operar “uma mudança significativa” na revolta e “permitir ao povo sírio assegurar a sua autodefesa face à máquina de morte” de Assad.

A revolta síria começou no início do ano passado com manifestações pacíficas onde se pediam melhores condições de vida e mais liberdades.

Em Março, 15 miúdos da cidade de Deraa, no Sul, foram presos e torturados depois de terem escrito “o povo quer a queda do regime” nas paredes da escola. A cidade saiu à rua para pedir a responsabilização dos que tinham maltratado as crianças; os protestos espalharam-se a outras regiões. Bashar al-Assad escolheu a resposta da repressão e em Setembro já havia grupos de desertores a proteger as populações das forças regulares. Hoje, há uma guerra civil em grande parte do território sírio e já morreram mais de 20 mil pessoas.

Agora, diz o curdo Abdel Basset Sayda, a oposição precisa de 145 milhões de dólares para assegurar as necessidades básicas dos que combatem Damasco. Apesar do apoio à oposição declarado nas conferências do grupo “Amigos da Síria”, promovidas pela Turquia com a presença de dezenas de países e das principais organizações internacionais, o Conselho Nacional recebeu apenas 15 milhões de dólares nos últimos meses.

“Esperamos dos irmãos e amigos um apoio ao Exército Livre [formado por desertores e civis]”, afirmou Sayda. Se não o fizerem, sírios verão os países “irmãos e amigos como responsáveis” ‘por futuros massacres.

 

A guerra em Alepo

Com violentos combates a decorrer em Alepo, a capital económica e comercial da Síria e a maior das suas cidades, 350 quilómetros a norte de Damasco, o líder das tropas rebeldes locais, coronel Oqaidi, diz que os opositores de Assad continuam a impedir os avanços das forças de regime. “Destruímos oito tanques, veículos blindados, matámos mais de 100 soldados”, descreveu, explicando que os tanques não entram nos bairros de ruas estreitas da cidade, cujo centro antigo é Património Mundial da UNESCO, onde o Exército “só pode usar aviões ou artilharia pesada à distância”.

Por tudo isto, “esperamos que eles cometam um grande massacre”, como em Homs, onde em Fevereiro foram mortas milhares de pessoas – primeiro debaixo de bombas, depois às mãos das milícias do regime. “Pedimos à comunidade internacional que intervenha para impedir estes crimes”, disse o coronel. Oqaidi defendeu que o mais importante seria criar uma zona de exclusão aérea, uma possibilidade que chegou a ser discutida por vários países mas que nunca avançou por implicar a mobilização de meios militares.

 

Um governo para o pós-Assad

Sayda fez o seu apelo por armas numa conferência de imprensa no Abu Dhabi, onde os adversários do regime sírio estiveram reunidos desde quinta-feira para debater a formação de um governo de transição.

“Estamos a estudar a ideia e vamos entrar em contacto com todas as forças no terreno na Síria”, disse. Muitos sírios no interior do país ou refugiados na região acusam os opositores no exílio de nada fazerem por eles – alguns membros do Conselho já se afastaram considerando precisamente que tinham falhado na protecção dos sírios. Os únicos que mantêm legitimidade junto da população em revolta são os comandantes do Exército Livre que permaneceram na Síria e enfrentam o regime.

Um futuro governo, que deve estar criado “dentro de semanas”, deve ser dirigido por “uma personalidade patriótica, honesta, de consenso e empenhada nos objectivos da revolução síria desde o seu início”, defendeu o opositor. Estas palavras parecem destinadas a excluir personalidades que abandonaram recentemente Assad, incluindo o brigadeiro general Manaf Tlas, que afirmou querer “unir a oposição”, e o diplomata Nawas Fares, que se desdobrou em entrevistas desde que abandonou a embaixada da Síria em Bagdad.

 

 

 

 

publico.pt

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