Brahmán

6/03/2015 07:42 - Modificado em 6/03/2015 07:42

bandeira cv1Porque os Brahmán voltam a tentar a impor a sua  vontade soberana na questão da oficialização da língua  materna . Agora passando por cima da Constituição  para impor o ensino da vertente de Santiago nas escolas, volto a publicar um texto  publicado em 2009, apenas para poder dizer que não aceitei, mais uma vez, a divina vontade dos Brahmán.

 

Opinião

A forma como a questão da oficialização do crioulo foi conduzida por um Brahmán a partir de Santiago consegui, enfim, dividir Cabo Verde em Santiago e o resto do Pais, coisa que até agora nada, nem ninguém tinha conseguido. O Pais está divido e desconfiando.

Lê-se no livro de Manu, um antigo manuscrito hindu que contém as leis de Manu e que estabeleceu o sistema de castas na Índia há mais de 2 mil anos, que um Brahmán quando nasce, nasce superior, é o senhor de todas as criaturas e deve guardar o segredo do Dharma. Tudo o que existe no mundo é propriedade privada do Brahmán, devido a excelência do seu nascimento tem direito a tudo. Ou seja é ele quem tem poder, que goza, que veste, quem dá aos outros e é através da sua graça que os outros existem. O Brahmán é a casta superior, só os elegidos podem pertencer a mesma e gozam de todos os direitos e seu único trabalho é instruir no conhecimento o mundo e o resto das castas.
Muitas democracias modernas emularam-se num sistema de castas que ficaram visíveis com a crise do Capitalismo, onde se viu que os Brahmáns são os directores e conselheiros das grandes corporações que gozam de grandes privilégios; salários estratosféricos, jactos privados e nenhumas responsabilidades se as coisas correrem mal, como ficou provado com crise financeira internacional.

Brahmáns de pacotilha

Mas há Brahmáns de pacotilha, à medida do Terceiro Mundo e da pobreza de cada qual. E a jovem democracia cabo-verdiana, também, criou os seus Brahmáns e foi se enrolando num sistema de castas, onde a casta do top “empenhada em nos transmitir o conhecimento” nunca é responsabilizada pelos seus erros: afinal nasceu superior. Pode tomar medidas políticas desastrosas, dizer asneiras, ser o cavalo onde a loucura se manifesta e nada lhe acontece. Afinal é o senhor das criaturas, pode ostentar a sua riqueza que ninguém quer saber de onde ela vem ,basta ser rico. Não importa se há pouco anos era um mero e mal pago gestor público. Pode mudar de lado por mera convivência: ontem fazia leis contra os bandidos e hoje defende bandidos, pago a peso de ouro; ontem defendia a terra por amor e hoje vende a terra por tostões , ontem era Ministro e hoje divide o Pais em macaronesios e africanos e estão correctos, porque eles são o Brahmán, o iluminado e tem razão o Abraão Vicente “ a loucura escolhe formas cada vez mais audazes de se manifestar” e manifesta-se ganhando o estatuto de norma e sobretudo de impunidade, digo eu
A mais recente e perversa manifestação de uma casta superior no seio da democracia cabo-verdiana tem ver com a questão da oficialização do crioulo. Melhor: da forma como os Brahmáns conduziram o processo. Mesmo aqueles que defendem as suas posições já lhes disseram que o processo foi mal conduzido. Mas, como iluminados seguem em frente, como se tudo e todos estivessem de acordo com o que conceberam e na qualidade de seres superiores ninguém pode discordar deles, melhor: acham que ninguém discorda deles. Mas não é verdade. A forma com a questão da oficialização do crioulo foi conduzida por um Brahmán a partir de Santiago consegui, enfim, dividir o Pais em Santiago e o resto do Pais, coisa que até agora nada nem ninguém tinha conseguido.

Factor K

O pais está divido e desconfiando. No Barlavento e Fogo, mesmo os que concordam com a oficialização do crioulo, não aceitam a forma como o processo está a ser conduzido e acham que tudo não passa de uma manobra para impor a vertente de Santiago. Estão desconfiados e com razão. Os Brahmán conduziram o processo como algo pessoal ,numa primeira fase, depois de Santiago numa segunda fase e na última fase como algo de Cabo Verde e é claro que as pessoas não aceitam e estão desconfiadas. Pois, em tempo disseram que o crioulo não é uma pertença de meia dúzia de pseudo intelectuais ou de uma ilha, mas sim de todo o Cabo Verde. Não ouviram e fizeram do nosso crioulo uma coisa de “badio” e muito africana. Promoveram o K em nome de uma discutível africanidade, como se o meu nariz de negro e africano não mostra a minha africanidade com K ou sem K, e em nome disso chegaram a mudar o nome do Pais de Cabo Verde para “ Kauboverdi”. Promoveram e deram espaço a vertente de Santiago sobre as outras. Falaram em língua da maioria. Usaram o estatuto de Brahmán para não ouvirem aqueles que disseram “ a minha língua é aquela que falo no dia-a-dia e nunca aceitaremos a imposição da língua da maioria, por esse não ser um critério sério e idóneo para escolher a língua que um povo deve falar e escrever.” Em nome dessa promoção o Primeiro-ministro discursa em “língua di terra” em cerimónias oficiais, pena que o Manuel Inocêncio não tenha feito o mesmo na sua língua de terra e que Júlio Correia não tenha usado a língua de “Burcan”. Os Brahmán cientes da sua missão divina não ouviram quando lhes foi dito que a grande maioria dos cabo-verdianos, diáspora incluída, não sabia o que era o ALUPEC. Chamaram de ignorantes a aqueles que achavam que o ALUPEC era a grafia do crioulo de Santiago e não uma tentativa de unificar o crioulo num código de escrita. Ignoram os milhares de cabo-verdianos, em particular os jovens, que na NET escrevem o seu crioulo sem imposições e com K e C a mistura. Enfim semearam ventos e agora é hora de colher tempestades, na certeza que os Brahmáns, mais uma vez, não serão afectados, pois uma das características da casta é nunca assumirem responsabilidades, por que estão impunes. Nem o voto do Povo lhes castiga, pois eles voltam com o novo poder. Passam de ministros a assessores ou consultores e sabe-se lá o que mais, com novas asneiras e novas impunidades.

Eduino Santos

eduino.santos@gmail.com
fitxefatxe.blogspot.com/

 

 

  1. Eduardo Oliveira

    Como se não chegassem as maldades visíveis e invisíveis, reaparece agora a turma do “Tude pa Tchom” com os seus planos tramados ià sucapa para liquidar nove idiomas seculares que não precisaram de “sientistas” auto proclamados para viverem mais de vàrios séculos. O plano é como arma letal da união dos Povos das ilhas (des)afortunadas.
    Esse povo, valoroso e crente, nunca foi abandonado e sempre que foi necessário, apareceram guiões como o capitão Ambrosio para transmitir ao Povo a dinâmica de combater às forças inferiores destrutoras da Harmonia e da nossa Riqueza. Cabo Verde sempre teve filhos que pensam e, embora não tenham agido sempre a tempo, acabam por se manifestar no bom sentido. E agora o Tarrafal vai ser para a Cultura e a policia politica se encontra do lado do Direito

  2. SANDRA

    NAÕ SEI PQ TODO ESSE BRANBRAN POR CAUSA DA NOSSA LINGUA MATERNA. CAMBADA DE GENTE COMPLEXADA COM VERGONA DE SUA LINGUA E DAS SUAS ORIGENS.

  3. Carlos Medina

    É uma pura verdade e devemos seriamente desconfiar desse processo. E tudo indica que, se esse vertente do ctioulo fôr oficializado, as crianças das outras ilhas de Cabo Verde vão ter que aprender uma outra língua pra além do Português, quando for a altura de inciarem o ensino básico.

  4. Neves

    Se o objectivo principal da oficialização do crioulo é evitar o seu esquecimento ou a sua morte lenta (que está acontecendo hoje), então se padronizarmos uma variante ou estabelecer uma ponte Norte-Sul como dizem os seus defensores, as outras variantes das ilhas periféricas (S Antão e Brava p.e.) vão morrer na mesma, isto é saem a perder. Pelo que na minha opinião ou se trabalha em todos os variantes, ou nenhuma.
    O que o Sr. Veiga defende na verdade já está acontecendo, é o resultado do cruzamento das diversas variantes e influências externas, que a longo prazo vai originar um crioulo portuguesado, inglesado, seja lá como chama-lo. Portanto isto não vai salvar o crioulo puro, pelo contrário é esta influência que devemos combater!
    Oficializar o crioulo por Decreto-Lei não é nada, agora qualquer tentativa de introduzir o seu ensino nas escolas, será um “meter os pés pelas mãos”. Se calhar o melhor jeito de amenizar este problema é por via da cultura, pelos artistas, pela música, etc.

  5. João Damásio

    Os meus aplausos para o Jornalista Eduíno Santos. O seu texto resume na íntegra o “modus operandi” desta elite defensora do ALUPEC: na alma têm um sentimento de superioridade e elevem-se acima do povo numa cabal tentativa de manter este último refém da ignorância. Pois, num país governado por burros o povo não passa de relva. Comem-no até a raiz, sem nunca conseguirem saciar as suas fomes de Leviatã, e posteriormente despejam-no em cima o esterco quente, para garantir que haja sempre pasto para encher o bandulho. Desta vez, o esterco é o ALUPEC!

  6. Loje

    Isto só se resolve com a Regionalização Política de modo a que a vontade e o livre arbítrio da gente do Sul não será imposta às do Norte. E se teimarem com imposições, boicotes e outras sacanagens então teremos que adequar a nossa resposta à situação. Mas não se esqueçam que depois não os avisamos, porque como se costuma dizer ‘quem todo lo quier todo lo pierde’

  7. Julio Goto

    Obrigado Sr. Eduino.
    Se temos um Presidente da Republica para todos so caboverdeanos ,ja e hora de ele abrir a boca e dizer nao a inposicao do criolo de Sao Tiago.
    Se o PR promulga as leis baseado na Constitucao da Republica de Cabo Verde,ele ja devia ter apresentado aos ALUPECADORES o cartao amarelo com o PRINCIPIO DE IGUALDADE consagrado na constitucao da Republica.
    Se ele nao o fizer e porque ele e somente Presidente da Republica de Saotiago.

  8. NUno Fonseca

    Com isso vão botar abaixo a Unidade em Cabo Verde. Pois ninguém vai aceitar a supremacia de Santiago tal que pretendem. Uma vez que ninguém de bom senso no poder e nos partidos não conseguiu travar esta mafia santiago e outras que hão-de vir , o melhor é prevenir cabo-verdianos do norte e do Centro que se preparem para o largar o barco, separatismo no país à vista. O país vai-se dividir pois a ganância do poder dos badios é infinita. É a via que escolherem e terão

  9. Ema Rodrigues

    Hà bem pouco, na Comunicação Social, a Primeira Dama de Cabo Verde disse bem alto que não é possivel viver com desigualdades.
    Se a Primeira Dama disse (e foi unanimemente aplaudida) porque razão o Primeiro Magistrado da Nação continua tão mudo?
    Pessoalmente penso que o silêncio do Senhor Presidente contribui para criar dùvidas no espirito de quem nele depositou todas as esperanças de ver mudança para uma politica equitativa.

  10. Carlos Ferreira

    Nós não temos vergonha da nossa lingua. Qual lingua, badio?O que está a acontecer é que vai-se oficializar a lingua cv mas não foram feitos estudos sobre os outros crioulos. No fim dirão, que não há material ou estudos suficientes sobre os outros crioulos e portanto o de Santiago é que vai prevalecer. Resultado : vão pôr todos a falar badio. Isto é ou não é uma rasteira? Não queremos é que nos obriguem a falar badio, Sandra. Capitcha ?

  11. Julio Goto

    … oh Sandra complexados sao aqueles que negam uma cultura uma historia,tornando ou mostrando a face de FANATICOS assim como certos individios duma das Ilhas de Cabo Verde.Se o Portugues nao e aceitado na Espanha; assim como o Espanhol nao e aceitado em Portugal .Eu Saovicentino nao aceito a Lingua de Santiago(fardado de lingua materna) como lingua oficial.
    Info.
    A Norwega pais mais RICO do MUNDO tem duas lingua oficias o Bokmål /Nynorsk.
    O ultimo e conciderado um FANTASMA no ensino secundario.

  12. Manuel Fortes

    Realmente não compreendo a DEMAGOGIA dos “falsos” defensores do crioulo. A justificação da sua oficialização para não sofrer influencias externas e internas e falsa, pois, a língua crioula aparece sempre de cruzamentos de línguas e está sempre em transformação e o crioulo de cabo verde não foge a regra. a estratégia para a imposição do crioulo de Santiago é muito clara e por isso é que nos impuseram “liberdadi” num transporte de barlavento e outras publicidades das empresas nacionais.

  13. Ema Rodrigues

    Em vez de se ocuparem com o nosso futuro (Cabo Verde está um problema cada vez mais caótico) o Governo continua a se meter casos cada vez mais desastrados. que desmoralizam até os próprios membros do partida da situação. O desespero da injustiça devora paulatinamente os ilhéus que se sentem privados da prosperidade no presente e, evidentemente, no futuro que se apresenta cada vez mais sinistro. Os tiranos, os “sientistas” que se apoderam ou se julgam os donos da Ciência, da Cultura e da Poder, nem ligam o grito da gente que se sente sufocada.
    Nos últimos dias dois factos minaram ainda mais a nossa paciência e foram (stão sendo) muito badalados: – A recusa do admitir os barcos de PESCA e a a onda diabólica dos que querem o desaparecimento dos falares muitas vezes centenários para introduzirem a merda do ALUPEC.
    Acorda, Povo !!!.

  14. Como tive a oportunidade de ouvir, dizem que vão criar uma Disciplina em Crioulo no nosso sistema de ensino. Acho que devemos dizer não e basta de inventos dessas pessoas, que querem impôr tudo. O povo que se cuide dessa manobra dos Alupecos.

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