Breve referência aos fundamentalismos descritos por Onésimo Silveira

30/07/2012 00:25 - Modificado em 30/07/2012 10:06

Li ontem o artigo do Doutor Onésimo Silveira, enviado por um amigo, e felicito-o pela oportunidade, fundamentação e clareza do texto. Não obstante as suas piruetas de trapezista no campo da Política e da Ética, é, verdadeiramente, um intelectual cabo-verdiano, como já vai sendo vulgar dizer-se, incontornável.

Subscreveria integralmente o que nos relata, exceptuando a referência ao comportamento do Ministro da Cultura, que desconheço. Como me pronunciei, no fim do ano passado, sobre o livro do amigo Eng. Jorge Ferreira Querido – Um demorado olhar… – numa primeira leitura, sem tocar em todos os pontos chaves, dizendo, inclusive, aguardar reacções das pessoas e instituições directamente visadas para daí fazer juízos definitivos, reacções, que eu saiba, não apareceram, aproveito o artigo do Onésimo, indirectamente visado como todos os sampadjudos e badios não integralistas, para repetir o que escrevi, não há muito tempo, em Adeche!, precisando melhor e alargando o meu sentimento. Lamento confessá-lo, mas a cumplicidade, a partilha de ideais elevados e a amizade que me ligam ao Jorge Querido desde os tempos de Coimbra, levam-me a não acreditar ser fácil a um homem largar uma pele para vestir outra, como dizia Baltasar, e me impediram de ser o primeiro a assinalar a idiotia da omissão da sua frequência do Liceu Gil Eanes e da referência desrespeitosa ao “intelectual de S. Nicolau”, ao falar do nosso monstro sagrado da cultura e da verticalidade intelectual, Dr. Baltasar Lopes da Silva. Repito, portanto, o que escrevi em tempos : “Caros governantes e ´sonhadores utópicos´ de Santiago! Há que respeitar um povo que contornou precipícios terríveis, sinuosos e escorregadios, onde só transita, sem riscos de cair, o pé bifurcado da cabra. E ele – o crioulo, o cabo-verdiano sem a mania da exclusividade africana, porque somos todos geograficamente africanos e culturalmente uma mescla sui generis da miscigenação de africanos e europeus – aí está mirando aqueles que prometeram melhorar os seus caminhos, não obstante alguns terem minado o caminho prometido. Queremos, nós das outras ilhas, caminhar de mãos dadas convosco do poder central – que ambicionamos descentralizado e regionalizado para ser mais democrático – e da Ilha de Santiago sem a mania da exclusividade africana, em confiança, sem receio que nos pinchem pela ribanceira abaixo”.

Infelizmente, certos intelectuais patrícios de Santiago se proclamaram representantes de uma cepa étnica e linguística à parte, num condomínio fechado africano, dentro de Cabo Verde onde nós outros, tomados por colaboracionistas espúrios com o colonialismo, para mal dos seus pecados, também nos encontramos a atrapalhar-lhes a negritude. Aí, meus caros, ou isso é manifestação precoce de esquizofrenia ou andam, seguramente, a enganar-se a si próprios.

 

Parede, Julho de 2012

Arsénio Fermino de Pina

 

 

  1. Zé Lopes

    Bem dito e bem escrito. Obrigado caro compatriota. Assim é que se fala. Ainda bem que ainda existe sampadjudos como o sr. e o sr. Onésimo Silveira. Sem papas na lingua e com uma escrita de alto teor linguistico e não só. Estão de Parabéns.
    caro compatriota não preocupe porque tbém não vão dar resposta, porque sabem que tudo o que o Onésimo e o Sr. escreveu é verdade. Continuem pque precisamos de pessoas como vós.

  2. José Manuel de Jesus

    E o José Manuel de Jesus assina o que escreveu Silveira e o que diz o Dr. Arsénio de Pina. Serão poucos os que aderirão aos “pasquim alupeKiano”; obra de um doente que que não suporta uma franja do seu povo e que quer demolir a verdadeira cultura caboverdiana que se encontra na vanguarda da africanidade desde os primordios.

  3. José F Lopes

    Caro Arsénio
    Subscrevo totalmente as tuas palavras. É preciso começarem a aparecer mais pessoas do teu calibre e do Onésimo para pensar Cabo Verde pois senão a rapaziada vai-nos levar ao descalabro, estando nós em franco deslize neste palno inclinado. Sobre a matéria tive a tecer reflexões que opotunamente publicarei

  4. Niclas Semedo

    Houve um Sr de São Vicente, que até foi Ministro da Cultura, o Sr António Jorge Delgado, que disse, uma vez, que São Vicente é macaronésia e que Santiago é puro Africa

  5. S Vicente

    Para o Niclas Semedo deve informar antes de estar escrever asneiras,o António Jorge Delgado´, é nascid e criod em santanton, porconseguinte é Santantonense de gema.
    Se não fosse as piruetas trapezista do Dr.Onésimo, como diz o Dr. Arsénio, o Onésimo poderia estar neste momento a servir melhor S.Vicente.
    Os temas abordados nos artigos que escreve , não deixa margem aos seus inimigos e detractores para contra-argumentarem.
    Bem hajam aos Drs. Arsénio Onésimo Silveira, José F Lopes………………

  6. Adriano Miranda Lima

    O Dr. Arsénio de Pina, aliando a sua honestidade intelectual à arte da sua pena, deixa-nos aqui uma excelente análise sobre o artigo do Dr. Onésimo Silveira, ainda que não necessitando de grande exaustão verbal para assinalar os pontos críticos da matéria em presença. Digamos que Cabo Verde necessita, como de pão para a boca, de intelectuais que nada têm a provar senão a sua indispensabilidade na reflexão nacional sobre as grandes questões que nos inquietam. Basta à mediocridade, prosápia e presunção dos que pensam que o exercício temporário de funções políticas (neste caso, de âmbito cultural) lhes confere o domínio das verdades absolutas e a infalibilidade das suas decisões. Haja humildade para reconhecer que a crioulidade é uma síntese que não tem a exclusiva morada numa só ilha.

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