A batalha por Alepo, a capital comercial da Síria

27/07/2012 01:57 - Modificado em 27/07/2012 01:58
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Uma grande ofensiva está iminente, garantiu uma fonte da segurança síria à AFP no dia em que pelo menos mais dois diplomatas de topo renegaram o Presidente Bashar al-Assad. Residentes da capital comercial da Síria fogem da cidade.

 

Os confrontos em vários bairros da cidade começaram na semana passada, mas agora espera-se um ataque em larga escala. “As forças especiais foram mobilizadas nesta quarta e quinta-feira para a zona oriental da cidade e outras tropas já chegaram para participar numa contra-ofensiva na sexta ou no sábado”, disse à AFP uma fonte da segurança síria que não foi identificada.

Enquanto isso, entre 1500 a 2000 rebeldes chegaram à cidade para apoiar os cerca de 2000 que ali combatem as forças de Assad, sobretudo em subúrbios do Sul e Este de Alepo, incluindo Salahnddin e outros bairros em redor.

Pelo menos 100 tanques das forças de Assad e vários outros veículos militares chegaram a Alepo, segundo um porta-voz do Exército Livre da Síria nesta cidade, coronel Abdel Jabbar al-Okadi.

“Temos um pressentimento muito mau, as coisas vão transformar-se numa catástrofe muito depressa, com os reforços do Exército a chegar”, disse ao Guardian um residente. “O regime tem bombardeado áreas povoadas e causado muitos mortos. Não há pão nem combustível. Há muitas famílias desalojadas a ficar nas ruas ou em parques. As pessoas estão a preparar-se para o pior.”

A batalha de Alepo já começou, mas é nas próximas horas que deverá intensificar-se. As forças de Assad atacaram com artilharia pesada e helicópteros alvos rebeldes e 14 pessoas morreram, contou à BBC um activista da oposição síria.

As forças sírias bombardearam o bairro de Salaheddine e outras zonas da cidade, denunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Foram ouvidas várias explosões e centenas de rebeldes preparavam-se para um ataque maior, como o assalto das forças de Assad a Damasco, na semana passada.

O Exército sírio voltou os seus maiores esforços para Alepo, na tentativa de derrotar os combatentes rebeldes que tinham obtido controlo de boa parte daquela cidade e arredores, no norte do país, já próxima da fronteira com a Turquia.

Muitos habitantes de Salaheddine fugiram em massa, sobretudo mulheres e crianças, que procuraram sair de Alepo em várias camionetas, contou a AFP. Enquanto isso, as forças da oposição, armadas com espingardas de assalto, metralhadoras ou bombas artesanais, atacaram postos da polícia e outros alvos ligados às forças de Assad. Um jornal próximo do regime, o Al-Watam, já se referiu à “mãe de todas as batalhas”.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, renovou os apelos à comunidade internacional para “agir agora de forma a parar a carnificina” na Síria. Mas o impasse permanece, como já antes, em que três tentativas para fazer aprovar uma resolução de condenação dos actos do regime de Assad acabaram bloqueadas pela Rússia e China, e uma vez mais as diferentes visões existentes entre os membros do Conselho de Segurança sobre a forma de lidar com o conflito na Síria foram visíveis.

 

Novas deserções

Pelo menos mais dois diplomatas sírios de topo renegaram nesta quinta-feira o Presidente Bashar al-Assad. As novas deserções – dos representantes diplomáticos sírios nos Emirados Árabes Unidos e em Chipre, os quais são marido e mulher – foram confirmadas pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o qual precisou que os diplomatas partiram ambos para o Qatar. Este foi o destino escolhido, no início do mês, também pelo embaixador sírio no Iraque, Nawaf Fares, até agora a mais importante deserção diplomática ao regime de Assad.

A partida de Lamia al-Hariri, responsável de negócios da Síria em Chipre, e do marido, Abdelatif al-Dabbagh, embaixador de Damasco nos Emirados, “mostra que responsáveis de topo no círculo próximo de Assad estão em fuga do Governo por causa dos actos odiosos cometidos contra o povo e também que os dias de Assad no poder estão contados”, sustentou Carney.

 

 

 

 

 

jn.pt

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