Raúl Castro quer dialogar com os EUA “de igual para igual”

27/07/2012 01:53 - Modificado em 27/07/2012 01:53
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A poucos quilómetros da base naval norte-americana na ilha de Guantánamo, Raúl Castro ofereceu-se para debater todos os temas com os Estados Unidos, “de igual para igual”. O Presidente cubano disse estar preparado para discutir “os problemas da democracia e dos direitos humanos”.

 

“No dia que quiserem a mesa está servida. Isso já foi dito pelos canais diplomáticos. Se querem discutir, discutiremos”, disse Raúl Castro na cerimónia em que foi assinalado o Dia da Revolução em Cuba. “Discutiremos as nossas divergências, discutiremos tudo o que diz respeito a Cuba, mas de igual para igual”, adiantou.

O Presidente cubano não fez qualquer referência à morte do opositor Oswaldo Payá num desastre de carro, no domingo, que já levou vários dissidentes e a própria viúva, Ofelia Acevedo Maura, a pôr em causa a versão de que se tratou de um acidente.

Os filhos de Payá já disseram que o desastre foi “provocado” por outro veículo. E também os Estados Unidos pediram que seja realizado “uma investigação profunda e transparente” sobre a morte do opositor cubano que em 2002 foi galardoado com o Prémio com Prémio Sakharov do Parlamento Europeu para a liberdade de expressão.

Em Cuba o dia 26 de Julho é celebrado todos os anos para lembrar o assalto ao quartel da Moncada em 1953, liderado por Fidel Castro, líder histórico da revolução cubana e irmão do actual Presidente, que deu início à luta armada contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Desta vez, esse ataque foi recriado por um grupo de crianças cubanas e Raúl Castro lembrou a “vocação pacífica” de Cuba, ainda que tenha referido que a ilha “sabe defender-se”.

“Os cubanos são gente pacífica que gosta de dançar e de cantar, e de estabelecer amizade com todos, incluindo os Estados Unidos”, disse Raúl Castro, citado pela agência espanhola EFE. “Se querem discutir os problemas da democracia, como dizem eles, liberdade de imprensa, direitos humanos, vamos discutir Cuba”, adiantou. “Mas em igualdade de condições, porque não somos subordinados, nem colónia de ninguém, vamos discutir os mesmos temas em relação aos Estados Unidos. Discutiremos tudo o que quiserem: Cuba, os EUA e os seus aliados na Europa Ocidental, fundamentalmente”.

Se os Estados Unidos querem “confrontação” com Cuba, disse Castro, “que seja apenas no beisebol ou em qualquer outro desporto”. E adiantou: “Preferivelmente beisebol, porque às vezes ganham eles e outras ganhamos nós”. Este não foi o primeiro apelo das autoridades cubanas ao diálogo com os EUA, que desde 1962 mantém um embargo a Cuba.

Há dois anos que Raúl Castro não discursava nas cerimónias do Dia da Revolução. Na sua intervenção desta quinta-feira, que terá sido improvisada, denunciou ainda os “grupúsculos” que, disse, tentam criar as bases “para que um dia aconteça em Cuba o que sucedeu na Líbia ou que pretendem fazer na Síria”.

 

 

 

 

publico.pt

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