Salenses merece mais respeito

3/02/2015 07:27 - Modificado em 3/02/2015 07:27

SALENSES MERECE MAIS RESPEITO

carlos tavaresA Magna Carta de Cabo Verde estipula como

 Fundamento desta República, a vontade popular

 

Ninguém me contou nada, ninguém me disse nada e nem era preciso que alguém me transmitisse qualquer coisa, pois, com a transmissão da RCV online, passamos a ter Cabo Verde mais perto de nós. E, por causa disso, a 27 de Janeiro do ano em curso, sintonizando na RCV, seguia mais uma sessão do nosso parlamento e tive uma das maiores decepções política da minha vida, ao escutar a justificação dos deputados ventoinha para chumbarem o Projecto de Lei que regula a criação, alteração e delimitação do Município de Santa Maria, na ilha do Sal.

 

Talvez esse meu embuste tem a ver com a minha maneira de ser e de estar na vida, é que a minha criolidade fez-me sentir sempre cabo-verdiano, filho de todas as ilhas, de Santo Antão a Brava, não obstante o meu torrão natal ser S. Vicente.   Para mim, o local de nascimento é secundário, para não dizer um acaso.

 

Senti-me surpreso e atónito ao ouvir alguns deputados do MpD a questionarem o porque da criação do Município de Santa Maria, assim como das dúvidas e exigências que os apoquentam em relação a isso?! Quero aqui deixar uma opinião muito pessoal, sem por em causa as questões meramente técnicas ou de legalidade. A prática nos tem demonstrado que, a promoção de maioria das freguesias, vilarejos e cidades não impõem condições ideais em termos de infraestruras básicas, saneamento, entre outras. É preciso acima de tudo, a vontade do povo que vive o seu dia-a-dia nesse local, como é o caso de Santa Maria, que precisamente pedem a ascensão da vila a município para poderem ter as tais infra-estruturas que de outro modo nunca mais terão.

 

Gostaria de perguntar aos deputados ventoinha porque é que deram a vossa anuência, aquando da criação dos municípios de São Salvador do Mundo, de São Lourenço dos Órgãos, da Santa Catarina do Fogo, da Brava e de muitos outros, que conheço bem, e com piores condições em quase tudo por vos exigidas, do que o Município de Santa Maria? Politiquice? Convenhamos!

 

Senhores deputados, se aguardássemos por condições ideias, se calhar, ainda hoje, estaríamos aguardando para a independência de Cabo Verde. A dinâmica do crescimento e do desenvolvimento não está na dimensão territorial de um lugarejo, mas sim na sua potencialidade económica, na dinâmica e na vontade das suas gentes. O mundo está cheio de exemplos de municípios com dimensões reduzidas em termos territorial, mas com grandes sucessos em termos de desenvolvimento e crescimento. O pretendido pelas gentes de Santa Maria é legítimo. Eles mais do que ninguém conhecem e sabem das suas potencialidades. Têm consciência que beneficiam de um potencial económico, que os permitem ser auto-sustentáveis e de contribuírem para o PIB nacional em termos percentuais com uma maior fatias do que as edilidades de maior dimensão.

 

Esta minha inquietação surge enquanto um cabo-verdiano que sofre como um santa mariense que sente o seu sonho fracassado e a sua esperança defraudada por casmurrice e politiquice do grupo parlamentar do MpD, ao chumbar o diploma que previa a criação do Município de Santa Maria, na Ilha do Sal.

 

Triste go… Os argumentos apresentados por Elísio Freire, líder parlamentar do partido ventoinha que não passa de um demagogo, mais tarde recalcados via declaração de voto do já caducado Carlos Veiga e da interpelação do zaragateiro deputado José Filomeno, não foram nem consistentes e nem convincentes, aliás como têm sido os seus timbres. Penso que já é momento dos senhores rabentolas aprenderem com os seus próprios erros. As três derrotas consecutivas, de nada serviram, continuam iguais a si próprios. Para eles nada está sendo feito, nada vale e nada serve. Para eles tudo o que é feito para o bem de Cabo Verde e dos cabo-verdianos é para bloquear. Há um ditado que diz, errar é humano, não aprender no próprio erro é burrice.

 

Penso que não é novidade para ninguém que o MpD só pensa no seu umbigo, para eles pior, melhor. Por isso que são apelidados de rabentolas e profetas da desgraça. O problema maior do MpD não é Cabo Verde, mas sim a sede do poder. Por isso, não vêm os meios para atingirem esse fim, querem estar lá, a qualquer custo e a qualquer preço.

 

A posição do MpD em relação à pretensão dos santa marienses está emoldurada na estratégia desenhada pelo edil salense Jorge Figueiredo que durante esses anos do seu reinado à frente do Sal, votou Santa Maria ao abandono, não respeitando minimamente a população e muito menos a sua vocação turística e ao avultado dinheiro que arrecada em impostos e taxas e que só ele sabe o que faz com essa importância. A localidade de Santa Maria tornou-se num cemitério de obras inacabadas e numa lixeira ao céu aberto. O santa marienses querem tão-somente, devolver Santa Maria a sua dignidade e transformá-lo em uma localidade turística atraente e condizente com a pretensão de todos. Desejam que ela seja uma cidade limpa, digna, com os serviços necessários para responder e atender à dinâmica do seu crescimento.

 

Segundo o líder e Deputado da UCID, Engº. António Monteiro, o seu partido deu a sua aquiescência a este diploma, porque o Grupo Parlamentar do PAICV cumpriu os trâmites legais exigidos neste processo, contrariamente aos ventoinhas, por não estarem acostumados a fazer política em defesa dos interesses de Cabo Verde e dos cabo-verdianos, mais uma vez, colocam de lado os anseios desta população, chumbando sem dó e nem piedade este diploma, adiando o sonho e a vontade da maioria dos salenses e da totalidade dos santa marienses, assim como, colocar na algibeira a Constituição da República de Cabo Verde que assenta na vontade popular e que tem como objectivo a realização da democracia económica, política, social e cultural e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, e que estipula como fundamento desta República, a vontade popular.

 

 

De certeza que ficará na memória da população de Santa Maria esta votação, e aproveito para solidarizar-me com ela, na certeza, que no momento certo saberão dar o troco.

 

Resta-me pedir-vos que continuem a lutar pelos vossos desígnios que mais cedo ou mais tarde vencerão, pois a verdade está do vosso lado. “Água em pedra dura tanto bate até que fura”.

 

Salenses merece mais respeito.

 

Bem-haja

 

E contem comigo

 

Carlos Tavares

  1. Uma coisa é certa, devemos caminhar para regionalização que seria um passo importante para o desenvolvimento das Ilhas. Os Municipios têm muitos problemas, alegam que o Governo não transfere dinheiro, Têm muitas dividas com a banca enfim um rolo de problemas. Acho que a Regionalização seria a solução para não depender só do Governo, portanto as Ilhas teriam um melhor desenvolvimento essa é a minha opinião.

  2. Carlos da Veiga

    Deixemos de politiquice,pois em Cabo Verde existem municipios a mais,assim como as cidades fantasmas,como por exemplo Achada Igreja (Picos),Ribeira Brava,Orgãos,Santa Catarina (Fogo), e outras, nem sequer existe uma rua nessas localidades.
    Esses artigos de opinião,na maioria das vezes são tendenciosos e inclinados para uma “boroncera. “

  3. Carlos da Veiga

    Deixemos de politiquice,pois em Cabo Verde existem municipios a mais,assim como as cidades fantasmas,como por exemplo Achada Igreja (Picos),Ribeira Brava,Orgãos,Santa Catarina (Fogo), e outras, nem sequer existe uma rua nessas localidades.
    Esses artigos de opinião,na maioria das vezes são tendenciosos e inclinados para uma “boroncera. “

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