Obama levou uma imponente delegação a Riad para alimentar relação especial

28/01/2015 08:14 - Modificado em 28/01/2015 08:14
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obamaPoucas vezes um país terá levado uma tão grande delegação para uma visita tão curta. Quatro horas esteve Barack Obama na capital saudita, onde chegou com 30 responsáveis políticos para apresentar as suas condolências pela morte do rei Abdullah, na sexta-feira, e discutir política e diplomacia com o novo soberano, Salman.

A tradição diz que as relações entre os dois aliados são melhores quando os republicanos estão na Casa Branca. Talvez por isso, e para sublinhar a importância que Washington dá aos laços com Riad neste momento de tantas turbulências regionais, Obama não se limitou a levar consigo altos responsáveis da sua Administração, como o secretário de Estado, John Kerry, o director da CIA, John Brennan, e o general Lloyd Austin, chefe do Comando Central (a unidade militar que supervisiona as operações no Médio Oriente).

Para além de vários membros do Congresso que já acompanhavam o Presidente norte-americano na visita à Índia – que encurtou para ir à Arábia Saudita –, Obama fez-se acompanhar do seu rival de 2008, o senador John McCain, e de veteranos de administrações republicanas, incluindo dois ex-secretários de Estado, James Baker e Condoleezza Rice, e dois antigos conselheiros de Segurança Nacional, Brent Scowcroft e Stephen Hadley.

“É preciso mostrar aos sauditas a importância que eles têm para os EUA”, afirmou Baker, secretário de Estado na Guerra do Golfo de 1991, durante a viagem para Riad. “Nestes tempos difíceis para o Médio Oriente, o reino tornou-se de certa forma numa ilha de estabilidade.”

Obama já esteve com Salman no passado, mas os responsáveis norte-americanos conhecem muito melhor o ministro do Interior, Mohammed bin Nayef, nomeado agora segundo príncipe herdeiro, e um dos muitos membros da família real a acolher o casal Obama e os representantes dos EUA. Nayef tem trabalhado de perto com Washington no combate ao terrorismo (tinha uma linha directa, autorizada pelo rei).

Sem nunca pôr em causa a aliança estratégica que une os dois países há 70 anos, Abdullah não escondeu irritações nem divergências com Obama nos últimos anos. O principal ponto de discórdia prende-se com as negociações nucleares com o Irão e aquilo que Riad vê como falta de acção dos EUA para derrubar o sírio Bashar al-Assad, isto na sequência da resposta norte-americana às revoltas árabes, quando os sauditas consideraram que Obama deixou cair Hosni Mubarak. Entretanto, Riad gastou muitos milhares de milhões de dólares a financiar as forças que se opõem aos partidos políticos islamistas, do Cairo a Tunes.

“Os sauditas já não consideram que os americanos sejam fiáveis”, diz à AFP Jean-François Seznec, especialista em petróleo e professor na Universidade de Georgetown. Para além do combate aos radicais do autoproclamado Estado Islâmico (os sauditas participam militarmente na coligação internacional que combate o grupo e ofereceram o seu território para os americanos treinarem rebeldes sírios), na agenda da conversa entre os dois chefes de Estado estava a instabilidade na Líbia e no Iémen, país que a Al-Qaeda mantém como base e onde o Presidente se demitiu na semana passada. “É muito provável que o Irão seja evocado”, antecipara Ben Rodhes, conselheiro de Obama.

Bastante improvável era que Obama levantasse a questão dos direitos humanos ou referisse o caso de Raif Badawi, o blogger condenado a mil chicotadas e dez anos de prisão.

“Com todos os países com que trabalhamos, percebi que o mais eficaz é uma pressão contínua, enquanto tratamos do que temos a tratar”, afirmou Obama numa entrevista à CNN. “Muitas vezes isso deixa os nossos aliados desconfortáveis, frustrados. Às vezes, temos de equilibrar a nossa necessidade de falar com eles sobre direitos humanos com as preocupações imediatas que temos em termos de combate ao terrorismo ou estabilidade regional.”

 

publico.pt

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