Kerry diz que metade da liderança do Estado Islâmico já foi morta

23/01/2015 08:39 - Modificado em 23/01/2015 08:39
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kerryO ímpeto do autoproclamado Estado Islâmico (EI) no Iraque foi travado, em alguns casos revertido, e metade da sua liderança foi morta, disse esta quinta-feira o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Mas a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos no combate ao jihadismo tem ainda “muito trabalho” a fazer, acrescentou.

“Nos últimos meses, vimos que… o ímpeto foi interrompido no Iraque e em alguns casos revertido”, afirmou Kerry, citado pela Reuters, na conferência de imprensa final de uma reunião, em Londres, de 21 países da coligação que combate os radicais do EI no Iraque e na Síria. “As forças no terreno, apoiadas por quase 2000 ataques aéreos, recuperaram cerca de 700 quilómetros quadrados”, disse.

Quando os ataques da coligação começaram, calculava-se que o grupo islamista controlasse quase 91 mil quilómetros quadrados na Síria e no Iraque – uma área equivalente à de Portugal.

A mensagem transmitida por Kerry no final da reunião, em que participaram países europeus, a Turquia e estados árabes, reforçou a ideia que tinha já avançado no início. Nessa altura tinha afirmado que a coligação “travou os avanços do EI no Iraque e pôs em causa os seus recursos e capacidade de fazer chegar combatentes estrangeiros”, mas reconheceu que o trabalho estava longe do fim.

A ideia que o combate aos islamistas está para durar foi também sublinhada pelo secretário de Estado britânico dos Negócios Estrangeiros, Philip Hammond, antes da reunião. “Não será feito em três meses ou seis meses. Vai levar um ano, dois anos a expulsar o EI do Iraque mas estamos a fazer o que é preciso fazer”, disse à televisão Sky News.

O prazo não é uma novidade. Quando o Presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou a acção militar contra o EI, em Setembro, já depois de iniciados ataques aéreos, a administração de Washington admitia já que a guerra se prolongasse por três anos.

Kerry disse também em Londres que metade dos líderes do Estado Islâmico foram mortos, desde que começaram os bombardeamentos, e prometeu que “muito, muito em breve” o Iraque irá receber espingardas M16 norte-americanas. O envio de equipamento militar vai ao encontro do pedido do primeiro-ministro iraquiano, Haïdar al-Abadi, segundo o qual a queda do preço do petróleo pode condicionar o esforço do país na luta contra o EI.

Mas o secretário de Estado norte-americano destacou que o “Daech [acrónimo árabe para Estado Islâmico] não é apenas um problema sírio, não é apenas um problema iraquiano, o Daech é um problema mundial”, declarou, segundo a AFP.

A reunião desta quinta-feira, em que participaram os principais membros de uma coligação de que fazem parte cerca de 60 países, com diferentes graus de envolvimento, foi apresentada como uma oportunidade para fazer um ponto de situação das operações militares e para discutir formas de intensificar a acção contra a organização islamista, designadamente em áreas como financiamento e comunicações.

Na agenda terá estado também a questão dos estrangeiros que se juntaram aos jihadismo, um dossier que ganhou maior relevância com os atentados de Paris. Mas sobre essa questão não havia, até ao fim do dia, informações sobre o que foi discutido.

Um diplomata norte-americano citado pela AFP disse que os ataques da coligação começam a produzir um “efeito devastador sobre os combatentes estrangeiros”, dos quais “muitos foram mortos” no Iraque e na Síria.

Numa acção destinada a conter o afluxo de jihadistas, os governos britânico e turco comprometeram-se esta semana a cooperar na partilha de listas de passageiros dos voos entre os dois países – a Turquia tem uma fronteira de 900 quilómetros com a Síria.

Um relatório da comissão do Conselho de Segurança das Nações Unidas publicado em Novembro quantificou em 15 mil o número de combatentes oriundos de 80 países que se juntaram a organizações como o EI, recorda a AFP.

 

publico.pt

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