Polícia belga neutraliza célula jihadista que preparava “atentado de grande envergadura”

16/01/2015 08:15 - Modificado em 16/01/2015 08:15
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belgicaDois suspeitos foram mortos e um terceiro ficou gravemente ferido. Autoridades actuaram de emergência em função da informação recolhida em escutas telefónicas, que se iniciaram após o regresso dos jihadistas da Síria.

 

Dois indivíduos, suspeitos de constituir uma célula jihadista que estava a preparar “um atentado de grande envergadura”, foram mortos durante uma vasta operação antiterrorismo lançada pela polícia belga esta quinta-feira, na cidade de Verviers e outros pontos do país.

O grupo integrava três homens que acabavam de regressar da Síria e a ameaça foi “neutralizada”, informou o procurador Eric van der Spijt, numa conferência de imprensa. Mesmo assim, o Governo da Bélgica decidiu aumentar para o nível três (numa escala de quatro) o alerta de risco de ataque terrorista.

As autoridades agiram em função das informações recolhidas em escutas telefónicas e da vigilância que foi iniciada há uma semana, assim que os indivíduos, alegadamente envolvidos com o autoproclamado Estado Islâmico, entraram em território belga, vindos da Síria. Os serviços de informação também detectaram um aumento de ameaças proferidas por jihadistas belgas na Internet.

A operação culminou numa acção violenta em Verviers, uma cidade de 56 mil habitantes na província de Liège, a cerca de 110 quilómetros da capital. As autoridades isolaram a zona da estação de comboios, no centro de Verviers, e cercaram um apartamento num edifício onde também funciona uma padaria. O raide foi realizado por um contingente de forças especiais da polícia federal, que contou com o apoio de uma unidade de minas e armadilhas.

Testemunhas deram conta de pelo menos três explosões no decurso da operação. Um primeiro estrondo foi seguido por uma rajada de tiros. O tiroteio terá durado cerca de dez minutos; nesse período ouviram-se mais duas explosões. Um morador citado pelo jornal L’Avenir disse que as ruas pareciam um “cenário de guerra”. “Ouvi um primeiro estrondo, que pensei que fosse a explosão de uma bilha de gás, mas logo a seguir comecei a ouvir os tiros e percebi logo que a situação era bem mais séria”, relatou.

De acordo com o procurador, os indivíduos estavam “extremamente bem armados”, com espingardas e armas automáticas de tipo militar. Além das duas vítimas mortais, Eric van der Spijt confirmou que um dos suspeitos foi ferido com gravidade.

Segundo o Ministério Público, foram realizados dez mandados de busca, em Bruxelas e noutras localidades da área metropolitana da capital, nomeadamente a comuna de Molenbeek-Saint Jean, onde vive uma larga comunidade de imigrantes. Segundo a AFP, a cidade de Verviers é um dos principais centros de radicalização islâmica na Bélgica, com as autoridades a acreditar que seis a dez dos seus habitantes se tenham juntado às fileiras dos grupos jihadistas para combater na Síria.

Como assinalaram analistas em segurança, o incidente na Bélgica confirma o perigo representado pelo regresso a casa de cidadãos europeus radicalizados e treinados por organizações islamistas – perigo esse que já tinha ficado claro após os ataques terroristas da semana passada em Paris.

A autoridades belgas ressalvaram que “não foi estabelecida para já nenhuma ligação” entre a actividade dos jihadistas de Verviers e os terroristas de Paris. Segundo a agência noticiosa belga, o inquérito que conduziu à operação antiterrorismo de quinta-feira foi aberto antes do ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo, no dia 7 de Janeiro. Numa outra acção, a polícia belga deteve esta quinta-feira um homem acusado da venda ilegal de armas em Charleroi e que é suspeito de ter fornecido o arsenal utilizado por Amedy Coulibaly, o terrorista que matou uma polícia francesa e quatro reféns judeus num supermercado kosher de Paris.

“O medo deve de mudar de campo”
Na sequência destas operações antiterroristas, o Governo belga reuniu-se de emergência. “Isto demonstra a determinação do Governo belga no combate aos que pretendem semear o terror. O medo deve mudar de campo”, declarou o primeiro-ministro belga, Charles Michel, citado pelo porta-voz Frédéric Cauderlier.

 

publico.pt

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