Filas e deceção nos quiosques em busca do ‘Charlie Hebdo’

14/01/2015 08:32 - Modificado em 14/01/2015 08:33

charlie hebdoMilhares de exemplares do ‘Charlie Hebdo’ foram vendidos num ápice nos quiosques de Paris logo pela manhã, uma semana depois do atentado que causou 12 vítimas mortais, incluindo os cartoonistas históricos do jornal – Charb, Cabu, Wolinski e Tignous.

No quiosque de Buzenval, no leste de Paris, a fila ultrapassava as trinta pessoas antes mesmo de o quiosque abrir. Fábio Godinho foi a sete quiosques esta manhã, numa aventura de moto que começou às 6h15 e que terminou sem sucesso cerca de uma hora depois. “Comecei às 6h15 em Montreuil, eles tinham aberto às 6h00 e às 6h15 já não tinham nada. Continuei a procurar em Montreuil, depois fui a Vincennes, havia dois quiosques que tinham tido 100 exemplares do ‘Charlie Hebdo’ mas já tinham tudo vendido.

Depois, cheguei à Nation e foi o único sítio onde vi que ainda havia exemplares, mas já estavam reservados ontem e já tinham pago. Não consegui”, conta o português. “Depois, fui à Alexandre Dumas e agora vim aqui. Procurei em sete quiosques”, conta, desolado, o ator português de 28 anos, a viver em Paris há dez. “Capa corajosa” Mais sorte teve Michel Durand, residente do vigésimo bairro de Paris e terceira pessoa na fila de espera para a abertura do quiosque de Buzenval. “Cheguei às 6h15, mesmo sabendo que só abria às 07h00. Costumo vir às 08h00, pensei que houvesse gente, mas não tanta. A primeira pessoa da fila chegou meia hora antes de mim”, contou este enfermeiro de 50 anos à Lusa. De jornal na mão, este leitor assíduo há 30 anos do semanário satírico diz que “a capa é mais um sinal de troça e é corajosa”, pensando, inicialmente, que “a caricatura do profeta aparecesse no interior, mas não na capa”.

Na capa desta edição do ‘Charlie Hebdo’ está uma caricatura de Maomé, a chorar e a segurar um cartaz que diz ‘Je suis Charlie’ (‘Eu sou Charlie’) e com o título ‘Está tudo perdoado’. Em vez das habituais 60 mil cópias, foram impressos três milhões de exemplares, que serão vendidos em 25 países.

cm.pt

  1. Anete Vital

    O Povo civilizado demonstrou no passado domingo que nem é preciso ser-se praticante (de qualquer religião) para se ser humano.
    Nenhum Deus manda mandar o seu proximo mas os fanàticos valem-se de tudo para destruir a humanidade.

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