Corrupção na Cadeia de São Vicente: quem tramou Manuel Cândido

25/07/2012 00:35 - Modificado em 25/07/2012 00:35
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O ex director da Cadeia de São Vicente, Manuel Cândido ,prestou declarações para contestar a acusação que lhe imputa o crime de corrupção passiva. Manuel Cândido é acusado de prestar certas regalias a determinados reclusos, entre as quais, por ter permitido que uma reclusa fosse matriculada na Universidade Lusófona.

 

O NN sabe que o ex director do presídio refuta essa acusação alegando que a autorização foi concedida pela Direcção Geral dos Serviços Penitenciários. Mas a verdade é que o documento enviado da DGSP desapareceu e não consta do processo . A ser verdade , pergunta-se quem quis tramar Manuel Cândido? Ou não está a assumir as suas responsabilidades no processo ?

 

A Audiência Preliminar Contraditória requerida pelos seis cidadãos acusados de ligação a um esquema de corrupção instalado na Cadeia de São Vicente iniciou-se nesta terça-feira. Manuel Cândido, Graciano Nicolácia, Rute Mendes e os reclusos Zé Pote, Lígia Furtado, José Carlos sentaram-se no banco dos réus para contestarem factos que constam da acusação.

O juiz de instrução criminal iniciou a sessão, por volta das 9h30 min, num ambiente caracterizado por medidas extraordinárias de segurança. Os agentes prisionais da GESP controlavam a acção dos três reclusos, enquanto a Unidade do Corpo de Intervenção garantia a segurança no interior da sala de audiências e no espaço que acolhe a ACP.

Manuel Cândido que é considerado a peça chave do processo foi o primeiro a sentar-se no banco dos réus e durante três horas respondeu as interpelações do juiz Antero Tavares. O ex director da Cadeia de São Vicente não apresentou sinais de pressão nas suas declarações que tinha como propósito contestar factos que constam da acusação lavrada pelo Ministério Público.

 

Despacho

O NN sabe que a interpelação do magistrado centrou-se nos factos que acusam Cândido de ter concedido regalias aos três reclusos que fazem parte do processo. Entre eles de ter permitido a matrícula de Lígia furtado, no curso de Direito, na Universidade Lusófona de Cabo Verde Mas de acordo, com pessoas ligadas ao processo, a autorização foi passada pela Direcção dos Serviços Penitenciários e de Reinserção Social. Porém a verdade é que o despacho “desapareceu sem deixar rastos e o que consta do processo é uma autorização do director-geral que respondeu positivamente a um pedido de Lígia Furtado para que fosse aumentado o tempo de estudo e de internet” .E nesse documento consta que ex director respondeu ao superior hierárquico, Fidel Tavares que o presídio não tinha condições para satisfazer o pedido da reclusa em relação ao aumento das horas de uso internet solicitado pela reclusa. E aqui surge uma pergunta que ainda não foi respondida e o juiz,certamente, quer saber da resposta: se o ex-director encaminhou para o superior hierárquico o pedido de aumento de horas de estudo e de internet porque não encaminhou o pedido para a reclusa se matricular num curso de direito ? A resposta a esta questão pode valer a absolvição de Manuel ou a sua ida a julgamento.E ai o Juiz e o MP vão quer saber quem afinal autorizou a matricula.

 

 

Intervenientes

A defesa dos três ex agentes prisionais está assegurada pela advogada Ronise Évora, enquanto o causídico João do Rosário representa Lígia, Zé Pote e José Carlos. Por seu lado o procurador regional, Vital Moeda representa o Ministério Público, depois de ter conduzido a investigação interna na Cadeia de São Vicente, por ordem do Ministério da Justiça.

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