A tradição prevalece

30/12/2014 08:37 - Modificado em 30/12/2014 08:39

recordai‘Senhor São Silvestre mandam bem li ness casa, aqui em casa do senhor e da senhora. Eu quero saber se a senhora é mulher honrada, para correr mão lá na chave de bambaú’. É assim que começa o dia 31 de Dezembro para as crianças que todos os anos saem pelas ruas de São Vicente, porta a porta tocando o “recordai”, recolhendo “uma oferta grandiosa para repartir com todos os nossos companheiros” com os olhos no próximo ano.

 

Há varias gerações que as crianças de São Vicente e de Cabo Verde, tocam o famoso “recordai”, instrumento musical, feito de diversas formas, a maioria das vezes de madeira.

A construção desses instrumentos musicais começa em meados de Dezembro. Victor, carpinteiro da zona de Ribeira Bote diz que todos os anos é a mesma coisa, as crianças aparecem em grupos e pedem para os carpinteiros construírem os “recordai”. Victor esclarece que este trabalho é feito com carinho e os aprendizes costumam facturar nesta época porque fazem muitos “recordai” e colocam-nos à venda.

 

Em São Vicente tocar “recordai”, como esclarece Ivan, é uma forma de juntar mais algum dinheiro para poderem passar melhor no dia 1 de Janeiro. “Tocamos nas casas onde sabemos que as pessoas nos vão dar 20 ou 50 escudos e assim vamos ter mais dinheiro para nos podermos divertir no dia 1 de Janeiro, vamos para a Praça, “Hi-Step”, entre outras coisas”.

Suellen diz que ela e as suas 3 primas saem todos os anos de porta em porta tocando “recordai”. Dividem o grupo e escolhem a mais velha para ser a tesoureira do grupo ou “o Jorge”, como é vulgarmente conhecido. “Quando nos dividimos, um grupo toca numa casa e outro grupo toca noutra e depois trocamos. Assim fazemos mais dinheiro e terminamos mais cedo”.

João Gomes, carpinteiro reformado diz que antigamente havia mais crianças à porta da sua oficina à procura dos “recordai” e quando chegava o dia de São Silvestre era com enorme felicidade que via as crianças tocarem os instrumentos, “mas hoje em dia elas pensam apenas na recompensa e nem tocam como deve ser”, sublinha.

Hoje, as crianças tocam exclusivamente pela recompensa monetária e não pelas saudações de boas festas e a tendência é uma crescente perda desta tradicional “cantada” de Boas Festas.

No dia 31 de Dezembro, as ruas de São Vicente estarão apinhadas de crianças tocando os seus “recordai”, desejando as boas festas e esperando par ver se a “senhora é uma mulher honrada para correr mão lá na chave de bambaú. Para tirar uma oferta grandiosa, para repartir com todos os nossos companheiros…E obrigada por essa oferta grandiosa dá nós otre one vida e saúde pa no torna bem, boas festas e festas”.

  1. pais

    Hoje em dia tem diminuid tcheu, numero de crianças na rua t toca devido a ondas de violencia. tcheu caçubodistas covardes t spera qes mnin toca p dpos ba tmas ses dnher, ou ate agredis. e cole pai eq tba tcha se fitch passa pum cosa dess. as vez tem uns eq t sei log sedo ma es tem q volta log q scurece por iss es tem pressa. nem temp p canta dret.

  2. A.Silva

    É pena q ess tradição tk tendência em dsaparce pq nos mnine tk med de sai p rua p ba toca recordai pq es bandides dess terra t fka t guita kes criancinha p tmas ses dnher o q um t otcha um abuse e um grand pouca vergonha

  3. Djê Guebara

    O que os pais deveriam de fazer uma campanha de proteção dos filhos, um grupos de pais bem preparados contra esses delincuentes agarra-los e dar-lhes uma sumba de pàu na cadera e pizalos as mãos,pois sò assim as crianças podem seguir com a tradição tão bonita do nosso velho soncente. Boas-Festas e Feliz Ano Novo para todos os Caboverdeanos.

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