Operação Perla Negra: porque é que os traficantes se movimentaram com tanta confiança e à vontade?

4/12/2014 07:40 - Modificado em 4/12/2014 07:40

perla negraperla negraQuando se começam a conhecer outros contornos da “Operação Perla Negra”, para além da história da PJ há uma pergunta que continua sem resposta: porque é que os envolvidos no tráfico de 521 quilos de droga se movimentavam com tanta confiança e à vontade? Porque é que estavam na descontra : estavam tão à vontade que parece que tinham a certeza que podiam estar à vontade.

 

Quando o director Nacional da Polícia Judiciária apresentou a cocaína apreendida, duas metralhadoras G3 FMP, duas pistolas e um revólver de pequeno calibre e 320 munições de diferentes calibres, concluiu que estava preocupado, pois “esse armamento mostrava a perigosidade do grupo e ao que estaria disposto”. Mas as nossas investigações mostram que no momento da detenção, nenhum dos seis detidos estava armado. Em relação às duas G3 e às munições, estas foram apreendidas em casa de Xando três dias depois. Por isso, não foram usadas pelos supostos traficantes. Xando, quando foi detido na estrada do Lameirão com cerca de 320 quilos de cocaína no seu Hyace, não estava armado. O cidadão cubano, conhecido por Ariel e o cidadão suíço, apanhados com o resto da droga numa carrinha de caixa dupla, também não estavam armados. Ninguém ofereceu resistência. No carro, para além da droga, transportavam canas de pesca. Aliás, ao Juiz de Instrução disseram que tinham ido pescar e que encontraram a droga iam entregar a policia – mas com cerca de 221 quilos de cocaína no carro, o juiz não acreditou.

 

A droga não vinha apenas num carro

Aqui surge um dado novo: a droga não vinha apenas num carro, como vários órgãos da comunicação social, citando a PJ, informaram: “seis homens foram detidos numa viatura com a droga a poucos quilómetros da cidade do Mindelo e os outros três detidos, são os tripulantes da embarcação de recreio que trouxe os estupefacientes até ao arquipélago”. Mas, sim em dois carros e os mesmos não estavam aramados. Para um investigador, ligado a outras investigações  de apreensão  de droga, a quem respeitamos o pedido de anonimato, “a PJ, claro, para engrandecer a sua operação mostrou um filme de traficantes armados e perigosos – prontos a tudo”. Mas, para o nosso interlocutor, o que espanta é o contrário: o “à vontade com que os traficantes se movimentavam, quer no desembarque da droga, quer no transporte”. Conclui dizendo que “estavam tão à vontade que parece que tinham a certeza que podiam estar à vontade”. E passa a explicar: “Como é que os tripulantes do iate fazem o desembarque na Salamansa e depois metem-se de novo no iate, tomam o rumo do Porto Grande e são detidos a passear na cidade? Não mandava a cautela que se tivessem feito ao mar largo e rumar para outro destino? Porque estavam tão confiantes?”. A confiança marca a atitude dos outros detidos e a nossa fonte volta a questionar: “como é possível, no caso de Xando, que conhece bem os perigos da estrada da Baía das Gatas, em particular junto do Lameirão, onde vários carros já foram atacados à pedrada, ir buscar 320 quilos de cocaína sem estar armado e sem segurança?”. E conclui: “Hoje no Mindelo, ninguém anda na rua nem com um fio de ouro sem tomar medidas de segurança… fará”. Para este investigador, as palavras que voltam a surgir são: confiança, segurança. Quanto ao cidadão cubano e ao suíço, estes também mostravam essa “descontracção”. No próprio carro traziam, para além da droga, canas de pesca. Não tinham armas e nem tomaram nenhumas medidas de segurança.

Para este investigador, a tese “que os suspeitos que integram uma rede nacional de tráfico de droga entre a ilha de São Vicente e a ilha de Santiago, confiaram no facto da PJ ter marcado uma greve para o dia 4 de Novembro – mas que foi suspensa – para arriscar o desembarque”, não tem sustentabilidade, visto que se sabe que os indivíduos estavam a ser seguidos à cerca de cinco meses e o trajecto do iate monitorizado. E depois, a greve da PJ tinha sido suspensa há dois dias. Outros dados que este online apurou mostram que a Delegação da PJ no Mindelo, à excepção do responsável do departamento do combate ao tráfico de drogas, não soube da operação até ao último momento. Isto, porque a comunicação com as instruções, foi feita do Procurador-Geral da República para o Procurador Regional. Por isso, para a nossa fonte, o motivo “confiança, segurança e à vontade” são outros que podem ser conhecidos até ao fim deste processo.

  1. Mindelense

    Em operacoes do tipo, todos sabemos que podem durar meses e anos, o objetivo e’ esse mesmo, de deixar os bandidos e traficantes a vontade para que possam ser pegos com maior facilidade. Mas e’ muita cara de pau, uma pessoa a carregar quase 500 kg de cocaina, e dizer ao juiz que estava indo entregar a PJ, sinceramente!!!!!

  2. migranha

    …..pq o po’ branco era FARINHA !!!!!!!!!!!!!

  3. Armindorocha

    hahahahaha,ao juizes da instrucao criminal,desseram que tinham ido pescar,que encontraram a droga,e iam entrega-la a policia.A melhor desculpa do ano 2013!!hehehehehehehehehehehehehe

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.